François Truffaut, diretor e crítico, integrando a primeira equipe dos Cahiers du Cinéma

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François Truffaut (Foto: Reprodução)

François Truffaut (Foto: Reprodução)

 

François Truffaut (Paris, 6 de fevereiro de 1932 – Neuilly-sur-Seine, 21 de outubro de 1984), diretor de cinema francês, criança rejeitada pelos pais, adolescente que fugiu de casa para trabalhar como operário, jovem solidário que se recusou a prestar o serviço militar. François Truffaut descobriu as alegrias da vida através do cinema. No início, como espectador – ele assistiu a seus primeiros 200 filmes durante a ocupação nazista da França, quando cabulava aulas e driblava porteiros para entrar nos cinemas sem pagar.

Depois, Truffaut foi crítico, integrando a primeira equipe dos Cahiers du Cinéma, a mais influente revista de cinema do mundo. Crítico irascível, ele demoliu a reputação dos principais diretores do cinema francês do início dos anos 50. Mas foi com sua estreia nas telas, dirigindo Os Incompreendidos (Les 400 Coups, 1959), que Truffaut, então com 27 anos, garantiu seu lugar na história do cinema: o filme, autobiográfico, ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, o Oscar de melhor filme estrangeiro e marcou o início de um movimento cinematográfico, a nouvelle vague.

Nascido em Paris, no dia 6 de fevereiro de 1932, François Truffaut foi um dos cineastas mais importantes da França e um dos críticos de cinema mais respeitados do mundo.

“Jules e Jim”, de (1961), marcou toda uma geração e se tornou um dos maiores filmes do cinema. Inspirado no romance de Henri-Pierre Roché (1879-1959), Truffaut apresenta uma reflexão sobre o amor, a amizade e a fidelidade em um inusitado triângulo amoroso que se estende por décadas.

Participou do “Objectif 49″, grupo que contava com Orson Welles, Roberto Rossellini, Jean-Luc Godard, Suzanne Schiffman e Jean-Marie Straub.

Em Os Incompreendidos já estavam delineadas as principais características do estilo que Truffaut desenvolveu em outros vinte filmes, ao longo de 25 anos de carreira – o romantismo, a recusa ao melodramático, a ironia sutil e a ponta de tristeza. Ele variou muito nos temas que abordou, retratando desde o triângulo amoroso de Uma Mulher para Dois (Jules e Jim, 1961), passando pelo relato quase etnográfico da vida de um menino criado na selva em O Garoto Selvagem (L”Enfant Sauvage, 1969) e chegando ao canto de amor ao cinema de A Noite Americana (La Nuit Américaine, 1973), um de seus melhores filmes, com o qual ganhou mais um Oscar. Por mais que variassem os assuntos, porém, havia sempre nos filmes de Truffaut um tom coloquial, uma emoção terna que conquistava imediatamente os espectadores.

MUDANÇA NOS COSTUMES -– “Gosto de arte popular”, disse Truffaut certa vez, “e gostaria de fazer filmes semelhantes aos que vi quando era criança.” Os filmes que ele viu e gostou na infância foram principalmente os americanos, mas Truffaut superou os padrões de Hollywood. Seus filmes não tinham requintes de superprodução, eram intimistas, espontâneos – ao contrário dos filmes americanos – e revelavam um diretor preocupado em discutir as mudanças nos costumes. Uma Mulher para Dois, com Jeanne Moreau, por exemplo, pode ser considerado um filme precursor do feminismo e da liberação sexual.

Entre a repetição (e a exaustão) das fórmulas dos filmes americanos e o intelectualismo crescentemente hermético da nouvelle vague (como o dos filmes de Jean-Luc Godard a partir dos anos 70), Truffaut manteve-se no meio-termo, e nessa posição tornou-se talvez o melhor diretor francês dos últimos 25 anos. Ele foi um artista profundo e popular, que modificou o gosto do público e influenciou a nova geração de cineastas americanos, formada por Steven Spielberg George Lucas e Brian de Palma. Truffaut casou-se com a atriz Madeleine Morgenstern em 1957, teve dois filhos com ela, divorciou-se e voltou a casar, em 1983, com a atriz Fanny Ardant, com quem teve uma filha.

Seus 25 anos de cinema foram registrados em “O Cinema Segundo François Truffaut”, livro que reúne entrevistas dadas pelo cineasta desde o seu primeiro filme até a sua morte.

François Truffaut morreu no dia 21 de outubro de 1984, de câncer no cérebro, em Paris.

(Fonte: Veja, 31 de outubro de 1984 -– Edição 843 -– DATAS – Pág; 95)
(Fonte: Veja, 24 de janeiro de 1990 – ANO 23 – N° 3 – Edição 1 114 – LIVROS – Pág; 77)

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2015/02/1584898- LIVRARIA DA FOLHA – 06/02/2016)

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