Stephen Biko, líder do movimento Consciência Negra e fundador da Organização dos Estudantes.

0
Powered by Rock Convert

Morte na prisão

Stephen Biko (King William”s Town, 18 de dezembro de 1946 – Pretória, 12 de setembro de 1977), líder sul-africano que lutou contra o apartheid. Steve Biko como era popularmente conhecido, foi porta-voz dos negros sul-africanos, líder do movimento Consciência Negra e fundador da Organização dos Estudantes Sul-Africanos.
O senador americano Dick Clark, democrata pelo Estado de Iowa, costumava dizer: “Quando desejo conhecer a opinião do governo da África do Sul, dirijo-me ao primeiro-ministro John Vorster. Mas, quando quero saber o que pensam os negros, procuro Steve Biko”. Agora Clark terá que procurar outro porta-voz dos negros sul-africanos, Stephen Biko, de 30 anos morreu dia 12 de setembro, numa prisão do governo, onde se encontrava desde o dia 22 de agosto. Biko morreu depois de passar oito dias em greve de fome.

Com a morte de Biko, são 21 o número de presos políticos negros mortos em prisões na África do Sul. A maioria deles foi detida sob a acusação de “traição” – o nome que o governo sul-africano dá aos negros que se opõem ao regime racista de Vorster – e a causa mais frequente da morte tem sido suicídio por “enforcamento”, segundo as autoridades. De qualquer forma, apesar das repercussões internas e externas de protesto pela morte de Biko, o governo de John Vorster pareceu não ter dado maior importância ao fato. O ministro da Justiça e Polícia, James T. Kruger, comentou assim a morte do líder estudantil: “Não estou contente, mas também não estou triste. A morte de Biko simplesmente deixa-me indiferente”.

Kennedy e King – Mas a indiferença do governo de Pretória não deverá durar muito tempo. Na verdade, os protestos internos começaram na Universidade negra de Fort Hare, na província do Cabo, quando cerca de 1 200 estudantes – apoiados por grupos brancos de oposição a Vorster – realizaram uma cerimônia fúnebre. Durante a manifestação, a polícia interveio e prendeu todos. Mas não houve violências. Vestidos com roupas pretas, os negros caminharam silenciosamente, ameaçados por cães, para dentro de caminhões da polícia. Nos Estados Unidos, enquanto isso, a reação mais indignada partia de Andrew Young, embaixador americano na ONU, que considerou a morte de Biko “uma grande perda” e comparou-a às “mortes trágicas” de John Kennedy e Martin Luther King Jr.

Semanas após sua morte, ocorreu novas manifestações. O governo de Pretória voltou a público para explicar melhor as causas da morte do líder estudantil. A explicação dada antes por Kruger não convenceu e irritou ainda mais os negros. Kruger dissera: “Parece-me que tudo que havia para ser feito foi feito. Se um homem faz greve de fome, não se pode força-lo a comer. É seu direito democrático”. Biko morreu depois de passar 25 dias na prisão.

(Fonte: www.guiadoscuriosos.com.br – 12 de setembro de 2011)
(Fonte: Veja, 21 de setembro de 1977 – Edição n° 472 – ÁFRICA DO SUL – Pág; 40)

Powered by Rock Convert
Share.