Lana Peters ou Svetlana Stalina, trocou a URSS pelos Estados Unidos e o comunismo pelo capitalismo

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Em plena Guerra Fria a filha de Stalin protagonizou um dos mais embaraçosos incidentes diplomáticos de que há memória: trocou a URSS pelos Estados Unidos e o comunismo pelo capitalismo.

Lana Peters, em abril de 2010, em Richland Center, no estado americano de Wisconsin - (Foto: Steve Apps / AP)

Lana Peters, em abril de 2010, em Richland Center, no estado americano de Wisconsin – (Foto: Steve Apps / AP)

Em plena Guerra Fria, Lana Peters, ou Svetlana Stalina, protagonizou um embaraçoso incidente diplomático: trocou a URSS pelos Estados Unidos e o comunismo pelo capitalismo.

Lana Peters (Rússia, 28 de fevereiro de 1926 – Wisconsin, 22 de novembro de 2011), nascida Svetlana Stalina, teve uma vida difícil e errática. Casou-se quatro vezes e renunciou ao regime comunista russo que o seu pai ajudou a erguer. Descreveu a figura do pai como “um monstro moral e espiritual” depois de a CIA a ter ajudado a fugir da União Soviética, em 1967. O incidente cobriu Moscovo de vergonha.

Em plena Guerra Fria, Svetlana Alliluyeva fugiu para os Estados Unidos e queimou o passaporte soviético, prometendo nunca mais voltar a seu país. O embaraço causado pela filha do falecido ditador Josef Stalin foi ainda maior para a então União Soviética: Svetlana afirmou que o pai era “um monstro moral e espiritual” e chamou o sistema soviético de “profundamente corrupto”.

A deserção, em 1967, não envolveu apenas a mudança de país, mas uma nova identidade: sua terceira. Batizada, ao nascer, em 28 de fevereiro de 1926, como Svetlana Stalina, a filha mais nova do ditador já adotara o sobrenome da mãe (Alliluyeva) após a morte dele, em 1953. Em 1970, após a fuga e de se casar pela quarta vez, tornou-se Lana Peters e lançou a biografia “Twenty letters to a friend”.

“Venho para os Estados Unidos em busca da liberdade de expressão que durante tanto tempo me foi negada na Rússia”, disse Svetlana antes de assentar arraiais em Nova Jérsia, na década de 1960. Anos depois regressaria à Rússia e, posteriormente, de novo aos Estados Unidos.

Svetlana viveu assim: dividida e apátrida.
Svetlana era a única filha de Stalin. A sua mãe chamava-se Nadezhda Alliluyeva e foi a segunda mulher do líder comunista. Matou-se em 1932.

Svetlana terminou os estudos superiores em 1949 e trabalhou como professora e tradutora antes de abandonar a União Soviética.

Casou-se pela primeira vez aos 18 anos com um estudante judeu chamado Aleksei Kapler, desobedecendo abertamente às ordens do pai. O casal teve um filho mas o casamento dissolveu-se e Kapler foi enviado para um campo de trabalho na Sibéria.

O seu segundo marido chamava-se Yuri Zhadanov, com quem teve uma filha, mas o casamento foi dissolvido depois de Svetlana se casar com o seu terceiro marido, Brijesh Singh, um comunista indiano, em 1964.

Também esta união se desfez depois de Svetlana ter decidido pedir asilo político à embaixada dos Estados Unidos em Nova Deli. O Presidente Lyndon B. Johnson concedeu-lho. Os serviços secretos russos terão tentado assassiná-la depois desta ida para os Estados Unidos mas o plano acabou por não se concretizar, escreveu o “The Washington Post” em 1992.

Em abril de 1967 Svetlana chegou a Nova York. Nos anos seguintes publicou duas auto-biografias em que renegava o seu pai, a URSS e o comunismo.
Foi nos Estados Unidos que Svetlana conheceu o seu quarto marido: William Wesley Peters, discípulo do arquitecto Frank Lloyd Wright e mudaram-se para o deserto do Arizona. Juntos tiveram uma filha, Olga, e passado pouco tempo divorciaram-se (em 1973).

Em 1978 Svetlana tornou-se oficialmente norte-americana e mudou o seu nome para Lana Peters. Pouco depois mudou-se para o Reino Unido, onde viveu dois anos, e em 1984 regressou à União Soviética, para se reencontrar com os seus dois filhos (dos seus dois primeiros casamentos) que tinham ficado a viver naquele país. Durante esse período recuperou o seu passaporte russo – depois de o ter queimado publicamente à chegada aos Estados Unidos – e argumentou ter sido um brinquedo nas mãos da CIA, mas acabou por não encontrar o reconhecimento que esperava. Mudou-se para a Georgia e de novo para os Estados Unidos ainda na década de 1980.

Numa entrevista publicada no ano passado pelo “Wisconsin State Journal” Svetlana confessou estar “feliz” por viver nos Estados Unidos, mas assumiu o peso da sua herança simbólica: “Aqui, na Suíça, na Índia ou onde quer que seja (…) serei sempre uma prisioneira política do nome do meu pai”. Lana Peters morreu a 22 de novembro de 2011, aos 85 anos, na miséria e no isolamento, no estado americano do Wisconsin.

Nas memórias, ela conta como o pai mandou seu namorado, um cineasta judeu, para a Sibéria e a esbofeteou ao saber que iria se casar com um estudante judeu. Ela teve mais dois maridos, e a morte do terceiro, um indiano, serviu de álibi para a fuga. Ao levar suas cinzas para Nova Délhi, ela se refugiou na embaixada americana. Nos EUA se casou e teve uma filha. Os dois filhos dos casamentos anteriores haviam ficado na União Soviética.

(Fonte: www.publico.pt/Mundo – Memória/ Por Agências, PÚBLICO – 29.11.2011)

 

 

 

 

 

Lana Peters, filha de Stálin

Nascida Svetlana Alliluyeva, filha de líder soviético causou furor ao se mudar para os EUA em plena Guerra Fria

A filha do líder da União Soviética Josef Stálin, cuja deserção para o lado ocidental durante a Guerra Fria (1945 – 1991) provocou constrangimento entre os comunistas.

Lana Peters – que ficou internacionalmente conhecida por seu nome anterior, Svetlana Alliluyeva – morreu em 22 de novembro vítima de câncer no cólon em Wisconsin, Estado que escolheu viver depois de se tornar uma cidadã americana.

Sua deserção em 1967 – que, segundo ela, foi em parte motivada pelo tratamento de seu ex-marido Brijesh Singh recebia das autoridades soviéticas – causou um furor internacional. Mas Lana disse que sua identidade era mais do que ter mudado de um lado para o outro na Guerra Fria. Ela até chegou a retornar à União Soviética nos anos 1980, porém voltando aos EUA mais de um ano depois.

Lana escreveu em 1963 um livro de memórias sobre sua vida na Rússia. “Vinte cartas a um amigo” foi publicado meses depois de sua chegada nos EUA e se tornou um best-seller.

Quando deixou a União Soviética em 1966 e foi para a Índia, ela pretendia deixar as cinzas do seu falecido terceiro marido, um indiano, e retornar. Mas em vez disso, ela pediu para asilo à Embaixada dos EUA em Nova Déli. Depois de uma breve estada na Suíça, foi embora para os EUA.

Em meio à sua chegada em Nova York em 1967, Svetlana, então com 41 anos, disse: “Eu vim aqui para buscar a auto expressão que me foi negada por tanto tempo na Rússia.” Ela disse que tinha chegado a duvidar do comunismo ensinado a ela conforme crescia e acreditava que não existiam capitalistas ou comunistas, mas somente pessoas boas e más. Ela também encontrou religião e disse ser impossível “existir sem Deus no coração”.

No livro, ela recorda seu pai, que morreu em 1953, depois de governar a nação por 29 anos, como um homem distante e paranico.

O premiê soviético Alexi Kosygin a denunciou como “moralmente instável” e uma “pessoa doente” acrescentando que “só podemos dar nossa piedade àqueles que desejam usá-la para qualquer objetivo político ou para qualquer objetivo de desacreditar o Estado soviético”.

“Troquei campos marxistas por capitalistas”, ela afirmou em uma entrevista de 2007 para o documentário “Svetlana About Svetlana”. Mas ela garantiu que sua identidade era muito mais complexa que isso e que nunca foi completamente compreendida.

“As pessoas dizem “Filha do Stálin, filha do Stálin”, como se eu tivesse de sair por aí com um rifle atirando nos americanos. Ou eles dizem, “não, ela veio até aqui. Ela é uma cidadã americana.” Isso significa que eu estou com uma bomba contra os outros. Não, eu não sou nenhuma das duas. Eu estou em algum lugar no meio. Eles não conseguem entender.”

A deserção teve um custo muito alto. Ela deixou para trás seus filhos Josef e Yekaterina de casamentos anteriores. Ambos ficaram deprimidos com sua partida, e ela nunca mais conseguiu se aproximar deles novamente.

Criada por uma babá desde que sua mãe morreu em 1932, Lana era a única filha de Stálin viva. Ela tinha dois irmãos, Vasili e Yakov. Yakov foi capturado pelos nazistas em 1941 e morreu em um campo de concentração. Vasili morreu vítima de alcoolismo aos 40 anos.

Lana se formou na Universidade de Moscou em 1949, trabalhou como professora e tradutora e pertencia ao círculo literário da capital soviética antes de deixar o Estado. Ela foi casada por quatro vezes – a última com William Wesley Peters, depois que ela se tornou cidadã americana e adotou o nome Lana Peters. O casal teve uma filha, Olga, antes do divórcio em 1973.

Ela escreveu mais três livros, inclusive “Only One Year”, uma autobiogradia publicada em 1969. O legado de seu pai aparentemente a perseguiu durante toda sua vida. Ela denunciou suas práticas políticas, que incluía o envio de milhões para campos de trabalho forçado, mas muitas vezes dizia que outros líderes do Partido Comunista também eram culpados.

“Em cima de mim sempre paira a sombra de meu pai, não importa o que eu faça ou diga”, ela lamentou em uma entrevista concedida ao Chicago Tribune em 1983.

Depois de viver na Inglaterra por dois anos, Lana retornou à União Soviética com Olga em 1984, com 58 anos de idade, dizendo que queria reunir seus filhos. Sua cidadania soviética foi restaurada, e ela criticou os tempos que passou no Reino Unido e nos EUA, dizendo que nunca foi livre.

Mas mais de um ano depois, ela pediu e teve permissão para ir embora depois de brigar com seus familiares. Ela voltou aos EUA e jurou nunca mais retornar à Rússia.

Ela escolheu isolar-se nas últimas décadas de sua vida. Ela deixou Olga, que vive em Portland, Oregon, e Yekaterina, uma cientista que estuda vulcões na Sibéria. Seu filho, Josef, morreu em 2008, aos 63 anos em Moscou.

(Fonte: www.tribunahoje.com/noticia – Mundo)

(Fonte: http://oglobo.globo.com/mundo – MADISON, Wisconsin, EUA – MUNDO/ POR O GLOBO – 29/11/2011)

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