Foi a primeira mulher negra a se formar em medicina no Brasil

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A primeira médica negra do Brasil

 

Baiana Maria Odília Teixeira foi a primeira mulher negra a se formar em medicina no Brasil, no início do século XX.

 

Mais de 110 anos se passaram desde que o Brasil formou sua primeira médica negra, a Doutora Maria Odília Teixeira. Apesar de muita coisa ter mudado desde então, ainda é difícil encontrar uma pessoa negra com essa profissão.

Maria Odília Teixeira se formou em medicina em 15 de dezembro de 1909, com muito esforço e ajuda de seus familiares. No Brasil, ela foi a primeira mulher negra a se graduar na área e também a primeira professora negra da Faculdade de Medicina da Bahia.

 

Famílias de médicos

Nascida em São Félix do Paraguaçu, na Bahia, Maria Odília era filha do também médico José Teixeira.

 

O fascínio pela medicina ultrapassou gerações na família Teixeira. Além do pai de Maria Odília, um dos filhos dela, dois netos e duas bisnetas da médica optaram por seguir carreira na área.

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Ainda que sua profissão oferecesse prestígio, o patriarca da família era de origem pobre, e Maria Odília contou com a ajuda de seu irmão, Tertuliano, para concluir a faculdade. Mesmo sem sair do Brasil, a primeira médica do país falava cinco línguas fluentemente.

Saúde como área de resistência

A médica baiana também é emblemática quando o tema é a luta contra o totalitarismo. Maria Odília encarou os feitos da ditadura do Estado Novo e defendeu sua família, em Ilhéus, em 1937, quando o seu marido, Eusínio Gaston Lavigne, foi destituído do cargo de prefeito da cidade. Quase trinta anos depois, em 1964, sofreu com a prisão de seu companheiro durante a ditadura militar.

Maria Odília Teixeira, a primeira médica negra do Brasil

Brasil, final do século XIX e início do XX. Machista e preconceituoso. Mulheres e negras tinham pouco espaço para estudar e trabalhar. Imagine, então, uma moça negra, com sonhos de se tornar médica. Isso mesmo. Médica. E tem mais. Nasceu no interior da Bahia, em São Félix do Paraguassu, no dia 5 de março de 1884. No Brasil daquele tempo? Devia ser uma dureza só. E era. Mas, a menina sonhava alto. Tente visualizar o sonho da menina. Devia ser fascinante se ver negra e médica, um feito até então, inexistente.
Via seu pai, médico e se projetava como tal. Esta mulher superou as expectativas e se tornou a primeira médica negra do país. Maria Odília Teixeira se formou pela Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB), em 15 de dezembro de 1909. Cinco anos, mais tarde, passou a ser professora na mesma faculdade. Tudo isso aconteceu depois de 101 anos de criação da escola médica na Bahia (1808-1909). E trinta anos depois de ter sido aprovada a lei que garantia o direito da mulher se formar em Medicina, no Brasil (1879-1909). Doutora Maria Odília foi a sétima mulher graduada em Medicina pela FAMEB. E a primeira diplomada no século XX. Em 1914, foi nomeada parteira da Maternidade Climério de Oliveira.
Em depoimento ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (CREMEB), em março de 2019, o filho de Odília, o médico José Leo Lavigne, contou que ela era referência de conduta profissional para os familiares. Além de José, seguiram seus passos na Medicina dois netos e três bisnetas.
Odília se casou com Eusínio Gaston Lavigne, descendente de franceses. A língua estrangeira não era problema para ela, pois falava fluentemente francês e lia em grego e em latim. Seu marido foi um advogado que foi prefeito de Ilhéus, importante cidade baiana. Tempo depois de casada, decidiu abandonar a carreira para se dedicar à família. Na década de 1920, eram raras as mulheres independentes, do ponto de vista profissional. Principalmente, no interior do país, e a Bahia não era exceção. Segundo José Leo, seu pai não queria que ela deixasse a profissão. Mas, além, da vontade de ser médica, o sentido de mãe e esposa de seu marido falou mais alto, e ela abandonou a profissão.
Em 1964, por suas ideias contrárias ao regime vigente à época, seu marido, que era político, foi preso. Ao vê-lo, daquela forma, um homem já idoso, atrás das grades sem justificativa, a fez adoecer gravemente. E esta situação a consumiu, de tal forma, que tempos depois, veio a falecer. E a seu pedido, foi enterrada em cova simples, no chão, como foram os seus antepassados, que eram escravos. Doutora Maria Odília Teixeira, a primeira médica negra do Brasil, marcou seu nome na história da Medicina.
(Fonte: http://quantovaleomedico.com.br/revistas – REVISTAS / Grandes Médicos – CREMERJ em Revista – Dezembro | 2019)

(Fonte: https://g1.globo.com/consciencia-negra/noticia/2020/11/19 – CONSCIÊNCIA NEGRA / NOTÍCIA / Por Jorge Soares, Marcos Serra e Túlio Mello, G1 RJ – 

Agradecimentos: à Universidade Federal do Rio de Janeiro; ao Instituto de Neurologia Deolindo Couto; a Lucimar Felisberto dos Santos; ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia.

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