A linha do tempo da música sertaneja

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A linha do tempo da música sertaneja

Sertanejo raiz – Tonico e Tinoco

Acredita-se que a música sertaneja nasceu na década de 1910, a partir de gravações feitas pelo escritor Cornélio Pires, que contava seus “causos” do interior paulista. Na década de 1930, o gênero já tinha representantes populares, como os irmãos paulistas Tonico e Tinoco, que cantavam a vida da roça ao som de violas. Durante a carreira, a dupla gravou 83 álbuns, vendeu mais de 150 milhões de cópias e lançou sucessos como Tristeza do Jeca, Chico Mineiro Pinga Ni Mim. A parceria acabou com a morte de Tonico, em 1993, aos 73 anos, vítima da queda de uma escada. Tinoco seguiu carreira-solo até o final da vida, apesar de o sucesso ter diminuído ao longo dos anos.

Sertanejo raiz – Pena Branca e Xavantinho

Mesmo depois de duplas como Palmeira e Biá, Cascatinha e Inhana e Milionário e José Rico incorporarem ao sertanejo outros estilos de música ou instrumentos como o acordeão, o trompete e o violino, nas décadas de 1950 e 60, a dupla Pena Branca e Xavantinho continuou seguindo a linha do sertanejo de raiz, para felicidade de boa parte da MPB, que abraçou suas composições. A dupla lançou seu primeiro LP em 1980, com sucessos como Cio da Terra e Velha Morada, e permaneceu unida até 1999, ano da morte de Xavantinho. Assim como Tinoco, Pena Branca continuou cantando sozinho até morrer, em 2010, por infarto.

Duplas românticas – Chitãozinho e Xororó

O interesse dos irmãos Chitãozinho e Xororó pela música sertaneja nasceu em casa, onde ouviam o pai Marinho e a mãe Araci cantando juntos. Ainda crianças, os irmãos começaram a fazer shows em festas, interpretando músicas de duplas como Tonico e Tinoco. Mas o sucesso só veio em 1982, com a canção Fio de Cabelo. A música é um dos marcos do início da fase romântica — e brega — do sertanejo, com letras repletas de referências à mulher amada, muitas vezes distante, e a inserção da guitarra elétrica junto à viola. A parceria de Chitãozinho e Xororó, que também aderiu ao modelo de calças justas, chapéu e bota, já soma 40 anos e 34 álbuns.

Duplas românticas – Leandro e Leonardo

A carreira da dupla Leandro e Leonardo começou no início da década de 1980, sob influência do então já existente sertanejo romântico feito por duplas como Chitãozinho e Xororó. Os irmãos deixaram o trabalho na plantação de tomates da família e saíram atrás de gravadoras para registrar suas músicas. O sucesso só veio com Entre Tapas e Beijos, um dos maiores hits da dupla. A música fala sobre o relacionamento com uma mulher, tema recorrente para os irmãos chegados numa dor de cotovelo — vide os sucessos Desculpe, Mas eu Vou Chorar e Não Aprendi Dizer Adeus. A parceria foi interrompida com a morte de Leandro, em 1998, vítima de um câncer raro de pulmão. Leonardo segue cantando sozinho.

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Duplas românticas – Zezé Di Camargo e Luciano

A música de estreia de Zezé Di Camargo e Luciano, É o Amor, já mostrava a linha que a dupla seguiria na carreira, iniciada em 1991. Com letras de amor cantadas pela voz forte de Zezé e o apoio vocal de Luciano, a dupla completou 20 anos. A parceria dos irmãos nasceu a partir do sonho de seu pai, Francisco, em formar uma dupla sertaneja. Depois de a primeira tentativa ser interrompida pela morte de Emival, o segundo integrante de Camargo e Camarguinho, Zezé se uniu a Luciano e começou a lançar composições próprias, que deram origem a 21 álbuns.

Sertanejo universitário – Luan Santana

Depois da era do sertanejo romântico, teve início, entre o fim dos anos 1990 e o início da década de 2000, o “sertanejo universitário” ou breganejo, com duplas como Guilherme & Santiago, João Bosco & Vinícius, César Menotti & Fabiano e Victor & Leo. Hoje, porém, o modelo dominante deixou de ser o de dupla e passou a ser a carreira-solo. Foi o cantor sul-matogrossense Luan Santana que iniciou a moda de cantores “universitários”, cantando sobre festas e mulheres em um clima de “pegação” para jovens, em vez de entoar uma voz chorosa para fãs de meia-idade a fim de lamentar um amor perdido ou imaginado. Instrumentos como a sanfona tornaram-se mais eletrônicos, e o ritmo também ficou mais acelerado e próprio para dançar.

Sertanejo universitário – Michel Teló

Seguindo o mesmo modelo que primeiro projetou Luan Santana, o paranaense Michel Teló se tornou fenômeno internacional com a música Ai Se Eu te Pego. Mesclando sertanejo, pop e forró com uma letra inicialmente gravada no gênero axé, Teló estourou no Brasil e no mundo, fazendo o breganejo se tornar o principal estilo de exportação do país hoje. Depois de Teló e Luan, foram abertas as portas para que os músicos, antes oriundos especialmente do interior de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, viessem de localidades distintas, sem um “celeiro” fixo.

Sertanejo amor e músculos – Lucas Lucco

Em 2014, uma das músicas mais tocada nas rádios brasileiras foi a brega Mozão, hit entoado pelo musculoso mineiro Lucas Lucco. O cantor é um dos representantes da nova leva do sertanejo universitário, que ostenta uma autoestima elevada, por assim dizer. Em carreira solo, os jovens sertanejos apostam no rebolado ensaiado, no jeito cafajeste e são os melhores amigos do whey protein, aquele suplemento usado por boa parte dos marombeiros de plantão na musculação. As roupas são mais urbanas, o cabelo inspirado no corte de Elvis Presley e as canções misturam forró, funk, pop e, lá no fundo, a alma romântica dos sertanejos. 

 

 

(Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/entretenimento – 03/03/2015)

 

 

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