Tornou-se o primeiro homem negro dos EUA a receber um Ph.D. da Universidade Harvard

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W.E.B. Du Bois imagina se fim do mundo pode dar fim à segregação racial em conto

Narrativa distópica de autor incontornável para entender o racismo ganha nova edição brasileira agora

 

W.E.B. Du Bois lutou pela igualdade para os negros norte-americanos.

 

W. E. B. Du Bois, um dos maiores intelectuais do movimento negro, autor do clássico “As Almas do Povo Negro” (1903)

Sociólogo foi o primeiro homem negro a receber um Ph.D. da Universidade Harvard. Durante toda sua vida, lutou por justiça social e publicou mais de 20 livros

 

William Edward Burghardt Du Bois ou W.E.B. Du Bois (Great Barrington, Massachusetts, 23 de fevereiro de 1868 – Accra, Gana, em 27 de agosto de 1963), foi um sociólogo, historiador, escritor, editor e ativista negro norte-americano, foi um dos grandes intelectuais do século 20, cuja obra exerceu enorme influência na luta contra o racismo nos Estados Unidos e no mundo.

 

Muito antes do famoso movimento por direitos civis liderado por Martin Luther King Jr., um sociólogo e historiador negro lançava as bases para a luta contra o racismo e justiça social que perduram até hoje, um século e meio depois de seu nascimento.

 

William Edward Burghardt Du Bois, nascido em Great Barrington, em 23 de fevereiro de 1868 no interior do estado de Massachusetts, poucos anos depois da abolição da escravidão nos EUA. Graças aos esforços de sua mãe e da ajuda da comunidade, pôde ter acesso à instrução formal, cresceu em uma comunidade onde não havia tantos conflitos raciais quanto em outras áreas, é uma das figuras mais importantes do movimento negro estadunidense: além de publicar diversos livros, autor do clássico “As Almas do Povo Negro” (1903), híbrido de história, literatura, autobiografia e manifesto antirracista, este manifesto trata do “estranho significado de ser negro na alvorada do século 20”. Sua obra e atuação tiveram uma influência poderosa na luta contra o racismo nos Estados Unidos e no mundo.

 

Du Bois foi um dos fundadores da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês), a maior e mais influente organização por direitos civis, uma das primeiras organizações norte-americanas criadas em prol dos direitos civis dos negros dos EUA. Também foi um grande defensor do pan-africanismo, que defendia a libertação das colônias africanas das potências europeias e buscava fortalecer os laços e a solidariedade entre os diferentes grupos africanos vítimas da diáspora.

 

O intelectual atuou energicamente contra as injustiças sociais e raciais tão fortes em seu tempo. Foi secretário do Primeiro Congresso Pan-Africano. Este movimento tinha como bandeira o fim do colonialismo, principalmente na África e na Ásia, onde as potências do Primeiro Mundo dominavam povos política e economicamente.

 

Conheça mais sobre sua história:

 

Leis Jim Crow e racismo

 

Du Bois cresceu em uma comunidade relativamente integrada, frequentando a escola pública local e sendo encorajado pelos professores a seguir a carreira intelectual. Apesar de ter experimentado racismo nesse contexto, como relata em sua obra, foi ao se mudar para Nashville para cursar faculdade que se deparou com o racismo sulista. Na época, vigoravam as leis Jim Crow, que impunham segregação racial. Embora tivesse acreditado que as ciências sociais pudessem fornecer o conhecimento necessário para o combate ao racismo, sua experiência no sul o fez perceber que mudanças sociais profundas só seriam alcançadas com protestos e ativismo.

Oposição a Booker T. Washington

 

A visão de Du Bois ia contra a do principal líder negro da época, Booker T. Washington (1856—1915). Ele pregava que os negros deveriam aceitar a discriminação e ganhar o respeito dos brancos trabalhando duro e prosperando economicamente. Para Du Bois, em vez de libertar os negros da opressão, tal atitude só serviria para perpetuá-la.

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Doutorado em Harvard

 

Ao completar os estudos na Universidade Fisk, ingressou em Harvard, onde estudou história de 1888 a 1890. No ano seguinte, continuou os estudos em Harvard, ingressando no doutorado de sociologia. Em 1892, recebeu uma bolsa de estudos para frequentar a Universidade de Berlim e realizar parte de seus trabalhos acadêmicos por lá. De volta aos Estados Unidos, completou o doutorado e, em 1895, tornou-se o primeiro homem negro do país a receber um Ph.D. da Universidade Harvard.

 

As Almas da Gente Negra

 

Du Bois publicou mais de 20 livros ao longo de sua vida, além de publicações acadêmicas, novelas, poesia e estudos científicos. Um dos mais marcantes foi a pesquisa feita sobre a população negra da Filadélfia, a primeira do país que se propôs a identificar desafios sociais da comunidade e para a qual ele entrevistou 5 mil pessoas. Sua maior obra, porém, é As Almas da Gente Negra, publicada em 1903, na qual escreveu sobre a dificuldade existencial de grupos oprimidos a partir de sua própria experiência. Assim, ele definiu o conceito de “dupla consciência”: a necessidade de ter a consciência sobre como esse grupos enxergam a si mesmos e como o mundo os enxerga.

Ativismo

 

Em 1905, Brooke T. Washington ajudou a estabelecer o Compromisso de Atlanta, segundo o qual negros concordariam em não protestar por direitos civis, desde que tivessem acesso a empregos e justiça criminal. Em resposta, Du Bois reuniu um grupo de pensadores negros e criou o Movimento Niágara, que tinha como objetivo lutar por melhores condições de vida e direitos civis. Eles chegaram a escrever uma proclamação demandando o direito de votar e realizavam assembleias periódicas, mesmo com riscos de tais atitudes em um país segregado.

 

Em 1909, Du Bois participou da fundação da NAACP, e foi diretor de pesquisa e publicidade da organização até 1934. Foi também consultor na fundação das Nações Unidas em 1945, levando as demandas da comunidade afro-americana para a organização, e escreveu o manifesto “An Appeal to the World” (Um Apelo para o Mundo), em que denunciou a negligência dos Estados Unidos com os direitos humanos dos negros.

 

Comunismo

 

Du Bois acreditava que o capitalismo era uma das principais causas do racismo, e durante toda a vida apoiou ideais socialistas. Em 1951, por causa de seu apoio a ideais russos, foi acusado de ser um agente não registrado de uma potência estrangeira. Embora tenha sido considerado inocente, Du Bois se tornou desiludido com o país natal.

 

Seu envolvimento político o levou ao socialismo e, em seguida, ao comunismo. Além da causa dos negros, defendeu as mulheres, os judeus e os trabalhadores, tornando-se um dos fundadores do movimento pelos direitos civis, que ganhou força a partir dos anos 50 na América por meio de figuras como Martin Luther King e Malcom X.

 

Em 1961, tornou-se membro do Partido Comunista e se mudou para Gana, obtendo a cidadania e onde viveu até sua morte.

 

Du Bois viveu até os 95 anos e morreu em Accra, Gana, em 27 de agosto de 1963, um dia antes de Martin Luther King Jr. proclamar seu famoso discurso “Eu Tenho Um Sonho” em Washington.

(Fonte: https://www.uol.com.br/ecoa/stories – ECOA / STORIES / por Juliana Domingos de Lima – 19/06/2021)

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06 – ILUSTRADA / LIVROS / por João Gabriel Telles – 

(Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2020/08 – SOCIEDADE / NOTÍCIA / por MARÍLIA MARASCIULO – 13 AGO 2020)

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