Raymundo Magliano Filho, foi um dos pioneiros do mercado de capitais, ex-presidente da Bolsa de Valores brasileira

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Raymundo Magliano Filho, ex-presidente da Bolsa de Valores

Raymundo Magliano Filho, então presidente da Bovespa, durante entrevista em abril de 2005 — (Foto: Heloisa Ballarini/Estadão Conteúdo/Arquivo)

 

Empresário presidiu a bolsa brasileira por sete anos e é apontado como um dos responsáveis por popularizar o mercado de capitais no país.

 

Raymundo Magliano Filho (São Paulo, 12 de junho de 1942 – São Paulo, 11 de janeiro de 2021), empresário, foi um dos pioneiros do mercado de capitais, ex-presidente da Bolsa de Valores brasileira (Bovespa).

 

Além de presidir a bolsa por sete anos, ele também comandou a Federação Ibero-Americana de Bolsas e foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) do Governo Lula.

Magliano Filho era formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas e seu contato com o mercado começou muito cedo. Seu pai, Raymundo Magliano, fundou, em 1927, a corretora homônima, dona do título patrimonial número 1 da bolsa. A corretora, que estava sob o comando de Raymundo Magliano Neto, já na terceira geração da família, foi vendia à corretora Neon, uma fintech.

 

Magliano Filho também se dedicou aos estudos de filosofia e nunca escondeu sua admiração pela obra de Norberto Bobbio, Hannah Arendt e Antonio Gramsci. Há alguns anos publicou o livro “A força das ideias para um capitalismo sustentável”.

 

“Passei a acreditar que esses conceitos, quando devidamente aplicados, podem gerar uma mudança cultural profunda, capaz de resultar na ampliação de oportunidades, inclusão social e responsabilidade socioambiental. Dessa forma, com o pensamento e a ação conjugados para enfrentar os desafios, é possível, vivenciar de fato, a força das ideias, da cooperação interpessoal e do espírito cívico”, escreveu Magliano Filho, em seu livro.

 

Comandante da Bovespa entre 2001 a 2008, até a fusão com a BM&F, que deu origem à BM&FBovespa, Magliano sempre foi conhecido na sua batalha para o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil, algo que há vinte anos era muito mais desafiador dada as elevadíssimas taxas de juros que afastavam os investidores do mercado de ações. Como presidente da Bolsa, ele foi conhecido por uma ampla campanha para popularização do investimento em ações. Criou o programa “Bovespa vai até você”, que levava equipes da bolsa a diferentes cidades do País.

 

Nesse programa, em 2001, a Bovespa montou uma tenda na comemoração do Dia do Trabalho, promovida pela Força Sindical em São Paulo. Na festa, mais de 30 mil pessoas passaram pela estrutura da Bolsa, tendo ali um dos seus primeiros contatos com o mercado de ações. Depois ousou mais e lançou o “Bovmóvel”, um furgão com o logotipo da Bovespa, no qual Magliano Filho visitou o litoral paulista para falar com investidores. O veículo também foi até Carajás, no Pará. Outra empreitada foi o “Mulheres em Ação”. Quando Magliano tomou posse, cerca de 75 mil pessoas físicas negociavam ações na Bolsa. Em 2008, quando deixou o cargo, esse número alcançava 536,5 mil.

 

Legado no mercado financeiro

Nascido em São Paulo, Raymundo Magliano Filho começou a trabalhar cedo, juntamente com o pai, no comando da corretora Magliano Investe, fundada em 1927, a mais antiga a operar na bolsa brasileira. E foi no mercado de ações que ele deixou o seu maior legado profissional.

Formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Magliano Filho presidiu a Bovespa entre os anos de 2001 e 2008, quando ela se fundiu com a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) para formar a B3. Antes, ele havia sido vice-presidente da bolsa entre 1997 e 2000.

Segundo a B3, uma das principais marcas da gestão de Magliano à frente da Bolsa foi o programa por ele desenvolvido para a popularização do mercado de capitais no Brasil. Batizado de Bovespa Vai Até Você, o programa foi lançado em 2002 e chegou a mais de 300 mil pessoas.

O antigo espaço do pregão da bolsa, hoje a B3, fruto da fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip, que com o fim do pregão viva-voz passou a ser um espaço de eventos, além de marco turístico da capital paulista, teve por cerca de dez anos o nome de Magliano Filho estampado.

 

Agora, a homenagem está indo para o Museu B3, onde serão contadas a história do mercado de capitais no Brasil e a trajetória da Bolsa, incluindo a de Magliano Filho.

 

Magliano faleceu em 11 de janeiro de 2021, aos 78 anos. Ele estava internado há 46 dias no Hospital Albert Einsten, em São Paulo, com Covid-19 e não resistiu às complicações decorrentes da doença.

 

“Perdemos hoje um dos nossos fundadores, um dos pioneiros do mercado de capitais e uma das pessoas que mais incansavelmente nos ajudaram a transformar, inovar e nunca perder o espírito de quem aprende”, destacou a B3 em nota de pesar divulgada pela manhã.

“Não há demonstração mais inequívoca do legado e do profundo reconhecimento que devemos ao dr. Magliano Filho do que o fato de a B3 ter hoje 3 milhões de investidores pessoas físicas chegando ao mercado de capitais. Ele plantou a semente da democratização e do acesso à bolsa e não há orgulho maior para nós do que ajudar a colher esses frutos”, disse o atual CEO da B3, Gilson Finkelsztain.

(Fonte: https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2021/01/11 – ECONOMIA / NOTÍCIAS / ESTADÃO CONTEÚDO / por Fernanda Guimarães – São Paulo – 11/01/2021)

(Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/01/11 – ECONOMIA / NOTÍCIA / Por Daniel Silveira, G1 — Rio de Janeiro – 11/01/2021)

(Fonte: GAÚCHAZH – ANO 57 – N° 19.916 – 12 DE JANEIRO DE 2021 – MEMÓRIA / TRIBUTO – Pág: 23)

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