Ranieri Mazzilli, foi presidente da Câmara dos Deputados e, nesta condição, chegou a assumir por quatro vezes, interinamente, a presidência da República

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Dos seus dezesseis anos de vida parlamentar, Pascoal Ranieri Mazzilli passou a metade como presidente da Câmara dos Deputados e, nesta condição, chegou a assumir por quatro vezes, interinamente, a presidência da República

Dos seus dezesseis anos de vida parlamentar, Pascoal Ranieri Mazzilli passou a metade como presidente da Câmara dos Deputados e, nesta condição, chegou a assumir por quatro vezes, interinamente, a presidência da República

 

Mazzilli: habilidade nas crises

Pascoal Ranieri Mazzilli (Caconde, 27 de abril de 1910 – São Paulo, 21 de abril de 1975), foi presidente da Câmara dos Deputados e, nesta condição, chegou a assumir por quatro vezes, interinamente, a presidência da República

Ranieri Mazzilli, paulista de Caconde descendente de italianos, ex-pessedista que começou como coletor de impostos na década de 30, ele sem dúvida limitou seu talento, durante muitos anos, à paciente conquista de posições de destaque.

A partir de 1946 foi, sucessivamente, chefe de gabinete do Ministério da Fazenda, diretor da Caixa Econômica Federal, chegando a presidente da Câmara dos Deputados em 1957.

Quatro anos depois, contudo, estava envolvido, por força do cargo que exercia, na crise que se sucedeu à renúncia do então presidente Jânio da Silva Quadros. E nela revelaria uma indiscutível habilidade política.

Audácia e prudência – A carreira política de Mazzilli permite, porém, observações mais profundas.

Dos seus dezesseis anos de vida parlamentar, Pascoal Ranieri Mazzilli passou a metade como presidente da Câmara dos Deputados e, nesta condição, chegou a assumir por quatro vezes, interinamente, a presidência da República.

Assumindo o posto na ausência do vice-presidente, João Belchior Marques Goulart, Mazzilli governou o país durante treze dias agitados por interesses em confronto. Correntes militares não desejavam a posse de João Goulart e coube a ele boa parcela das negociações que resultaram num compromisso conciliatório: o vice-presidente assumiria o poder, mas limitado por um regime parlamentarista. Para a obtenção deste acordo, Mazzilli teve no seu chefe da Casa Militar, general Ernesto Geisel, um apoio decisivo nas conversações com os ministros da Guerra, marechal Odílio Denys (1892-1985), da Marinha, almirante Sílvio Heck (1905-1988), e da Aeronáutica, brigadeiro Grünn Moss (1904-1989).

 

A essa capacidade de conciliador, ele ainda acrescentaria, três anos mais tarde, uma audácia até então insuspeitada. Na madrugada do dia 1.º de abril, declarou-se novamente empossado presidente da República no próprio Palácio do Planalto, onde os chefes do movimento de 31 de março mal começavam a discutir os rumos a tomar. Assim, “evitou o possível fechamento do Congresso”, testemunha, o senador Vasconcelos Torres (Aliança-RJ), refletindo a opinião geral dos colegas.

 

Última sessão – Na primeira vez em que não soube transigir, Pascoal Ranieri Mazzilli, de modo significativo, deu início ao processo da destruição de sua carreira política. Foi em 1965, quando tentou a oitava reeleição para a Câmara dos Deputados, enfrentando o veto do presidente Humberto de Alencar Castello Branco. Derrotado, passou-se para o MDB e não conseguiu se reeleger no ano seguinte.

 

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Desde então, viveu na fazenda de 400 alqueires recebida como herança, em Ouro Fino, Minas Gerais. Dali, só saiu em 1972 para presidir a comissão de ética do MDB, seu último encargo. E, nele, limitou sua atividade a raras visitas ao interior paulista, onde conseguiu convencer, com seus hábeis argumentos, recalcitrantes oposicionistas à participação afinal vitoriosa no pleito de novembro de 1974.

 

Foi sua derradeira missão e, também, o último exemplo daquela que parece ter sido a maior lição de sua passagem pela vida pública a arte da política depende muito mais de exercícios práticos do que de teorias generosas, bem elaboradas, mas deixadas sem uso.

 

“Ele preside o Congresso com um perfil de senador romano”, disse certa vez, o ex-deputado Carlos Lacerda, observando com precisão e alguma malícia o amor de Mazzilli, ao cargo e às suas exigências formais. Não se tinha memória de um presidente que comparecesse às sessões da Câmara dos Deputados tão elegantemente vestido e, nelas, anunciasse com tanta ênfase as suas decisões, mantendo um porte impecavelmente ereto e cuidando que cada gesto parecesse definitivo.

 

No entanto, Ranieri Mazzilli ao falecer em São Paulo, em 21 de abril de 1975, aos 64 anos, vítima de uma paralisação dos rins, que lhe provocou parada cardíaca, teve poucas homenagens: depois de velado na Assembleia Legislativa de São Paulo foi sepultado, sem as honras de praxe para os antigos chefes de Estado e com escasso acompanhamento.

 

 

(Fonte: Veja, 30 de abril de 1975 – Edição 347 – MEMÓRIA – Pág: 16)

 

 

 

 

 

 

 

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