O primeiro nu masculino da TV brasileira

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A nudez de Thiago provocou tantos comentários, que virou até trending topic no Twitter. Vale lembrar que, na versão original da novela – exibida entre 1977 e 78 -, o ator Tony Ramos – que interpretava Márcio, papel agora defendido por Thiago – tirou a roupa nos estúdios, mas nada foi revelado para o público. Mesmo assim, a cena entrou para a história como “o primeiro nu masculino da TV brasileira”.

O Nu Masculino Pioneiro

Mas então, qual foi de fato o primeiro? Resposta:
o modelo Vinícius Mane, que encerrava a abertura da novela “Brega & Chique”, exibida às 19h pela Globo em 1987. Ao som da música “Pelado”, da banda Ultraje a Rigor, com os versos “Pelado, pelado, nu com a mão no bolso”, Vinícius virava de costas para a câmera. E inteiramente nu, caminhava para o fundo da tela.

A cena ia ao ar diariamente, na abertura e fechamento da novela. E logo os conservadores de plantão reclamaram. A TV Globo, pressionada, teve uma ideia peculiar: colocou uma folha de parreira feita em animação, sobre o bumbum do modelo, escondendo assim o motivo da polêmica.

Mas o final da década de 1980 era uma época de libertação, após 21 anos de ditadura militar. Sendo assim, os liberais também pressionaram a Globo, e a folhinha de parreira foi abolida, revelando novamente a nudez de Mane.

Depois disso, o corpo nu masculino foi relativamente liberado. Isto é, a parte traseira. Nunca houve nu frontal masculino na teledramaturgia brasileira. Os bumbuns, por outro lado, começaram a surgir em profusão. Foram tantos, que seria impossível registrar todos. Alguns deles:

Roberto Bataglin em “Sassaricando” (1987)
Cássio Gabus Mendes em “Tieta” (1989)
Alexandre Frota em “Boca do Lixo” (1990)
Carlos Alberto Riccelli em “Riacho Doce” (1990)
Victor Fasano em “Barriga de Aluguel” (1990)
Marcos Winter, Marcos Palmeira e Tarcísio Filho em “Pantanal” (1990)
Fábio Assunção em “Vamp” (1991) e “Pátria Minha” (1994)
Humberto Martins em “Pedra Sobre Pedra” (1992)
Edson Celulari em “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1998)
Marcos Winter em “Vila Madalena” (2000)
Marcos Pasquim e Cláudio Heinrich em “Uga Uga” (2000)
Marcelo Faria em “Celebridade” (2003)
Rodrigo Lombardi em “O Astro” (2011)

O Nu Feminino Pioneiro

Já com as mulheres a coisa sempre foi diferente. Se desde os anos 1970 as atrizes globais já posavam nuas em revistas masculinas, não demorou tanto para que a TV também as desnudasse. A novela “Dona Beija” (1986, TV Manchete), inaugurou o gênero. A protagonista (Maitê Proença) surgia tomando banho de cachoeira nua, em diversas cenas. O clímax foi a famosa sequência em que Beija se inspira em Lady Godiva e sai cavalgando nua pelas ruas de Araxá.

Depois da nudez de Maitê, a extinta Rede Manchete continuou investindo no erotismo e atingiu o auge com “Pantanal” (1990). A saga ecológica desnudou praticamente todas as jovens atrizes do elenco: Cristiana Oliveira, Andréia Richa, Carolina Ferraz, Ingra Liberato, Luciene Adami, Giovanna Gold… A nudez das atrizes era mostrada muitas vezes de forma integral, revelando seios, bumbum e até nu frontal.

A guerra de audiência entre Globo e Manchete, na época, provocou um festival de nudez nas novelas da emissora líder. Claudia Raia mostrou os seios e Claudia Ohana mostrou o bumbum em “Rainha da Sucata” (1990); Patrícia Pillar exibiu os seios em pleno horário das 18h, em “Salomé” (1991); Andrea Beltrão tomou banho de cachoeira, nua, em “Pedra Sobre Pedra” (1992). E Claudia Raia mostraria os seios novamente em “Deus nos Acuda” (1992).

Passada a fase mais acirrada dessa disputa, a Globo desistiu de investir pesado na nudez de seus atores. Mas a Manchete continuou no filão e produziu “Xica da Silva” (1996), que ostentava várias mulheres nuas, como Adriane Galisteu e a protagonista Taís Araújo.

Minisséries Picantes
Mas a estratégia da Globo, na verdade, foi readequar o horário da nudez. Assim, as minisséries exibidas na faixa das 22h ou 23h muitas vezes eram picantes e flertavam com o universo sexual. “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1998) trazia o erotismo recheando a história, com direito a cenas de sexo entre Edson Celulari e Giulia Gam – e a nudez de Celulari, no papel do fantasma Vadinho, que vive nu.

“Engraçadinha” (1995), baseado em Nelson Rodrigues, também revelou os corpos nus de seus astros: Alessandra Negrini e Claudia Raia revezando-se no papel-título, Mylla Christie como a filha de Engraçadinha, e Alexandre Borges.

“Presença de Anita” (2001) seguiu a mesma linha, trazendo a protagonista Mel Lisboa, uma espécie de Lolita moderna, estrelando sequências picantes. Na mesma série, Leonardo Miggiorin estreava na TV, e surgia nu, no papel do adolescente Zezinho.

“Tereza Batista” (1992) revelou Patrícia França, que no papel-título também protagonizou cenas de nudez, consideradas ousadas para a época.

Momento Atual

Atualmente, quando a nudez ficou banalizada, exibida em programas de TV até no horário vespertino, o mundo das novelas já não se interessa tanto em lidar com o assunto.

Mesmo assim, a novíssima “O Astro” optou por intensificar o erotismo. E assim, além dos homens – Rodrigo Lombardi e Thiago Fragoso -, o elenco feminino também entra na dança: Guilhermina Guinle e Carolina Ferraz já fizeram topless na trama, e o clima “adulto” da novela sugere que vem muito mais por aí.
De qualquer forma, vai longe o tempo em que uma mulher nua se enrolando no tronco de uma árvore causava alvoroço – Isadora Ribeiro, na abertura de “Tieta” (1989), marcou época. Por outro lado, um homem nu no meio de uma festa elegante ainda é tabu. Sinal de que o machismo e a mulher-objeto continuam em alta?

(Fonte: www. gente.ig.com.br/tvenovela – Home iG – TV & Novela/ Por Lufe Steffen, especial para o iG Gente -22/07/2011)

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