Harlan Ellison, autor de diversos contos, novelas e romances de ficção científica

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Premiado autor de ficção científica roteirizou episódios de ‘Star Trek’ e teve livros adaptados para o cinema

 

“Visões Perigosas” é a famosa e premiada antologia de controversas histórias de ficção científica editadas pelo escritor norte-americano Harlan Ellison e publicada em 1967. Com sua inclinação para a experimentação, o surrealismo e temas sexuais, tornou-se o manifesto da direção de a New Wave e mudou a forma como olhamos para toda a ficção científica. O ambicioso terceiro volume, cuja metade de quase cem autores já faleceram, aguardou desde 1979 para ser publicado e se tornou uma visão em si mesmo. (Foto: DIREITOS RESERVADOS)

 

Harlan Jay Ellison (Cleveland, Ohio, 27 de maio de 1934 – 27 de junho de 2018), escritor e roteirista americano, autor de diversos contos, novelas e romances de ficção científica.

 

Com Não tenho Boca e Preciso de Gritar, obra de 1968, Harlan Ellison venceu um prêmio Hugo, distinção entregue aos melhores trabalhos na área de ficção científica. Para além de romances e bandas desenhadas, Ellison escreveu séries televisivas, filmes, ensaios e críticas, entre mais de 1800 obras publicadas.

 

Um dos mais importantes trabalhos de Ellison foi A Boy and his Dog (O Menino e Seu Cachorro), livro pós-apocalítico de 1969 que foi adaptado para o cinema em 1975 por L.Q. Jones.

 

Um dos seus trabalhos mais “notáveis”, foi A Boy and His Dog. Publicado em 1969, acabaria por ser adaptado para cinema, com Don Johnson como protagonista.

 

Ellison nasceu em Cleveland, no Ohio, em maio de 1934. Mudou-se para Nova Iorque, onde começou a escrever sobre ficção científica. Teve uma breve passagem pelos estúdios da Walt Disney — até ser despedido pelo seu co-fundador Roy Disney, por ter sido apanhado a fazer piadas sobre como se poderia fazer um filme pornográfico com as personagens de animação da produtora.

 

Harlan Ellison processou a produtora Orion Pictures por se ter “apoderado” de ideias de um episódio escrito por si para criar o filme Exterminador Implacável. O seu nome acabaria por ser adicionado aos créditos.

 

Seu conto Eu Não Tenho Boca e Preciso Gritar, de 1967, foi adaptado em 1995 como um jogo de computadores e é considerado uma das melhores histórias de terror da ficção científica, na qual um computador extermina a humanidade e mantém apenas cinco pessoas vivas, torturando-as por meio de jornadas em realidade virtual que exploram seus medos.

 

Em sua carreira, Harlan Ellison foi laureado pelos mais relevantes prêmios da literatura fantástica – Hugo, Nebula e Locus – diversas vezes, especialmente por seus contos.

Como editor, Ellison organizou diversas antologias de ficção científica, abrindo espaço para outros autores, como Philip K. Dick, Philip José Farmer, J.G. Ballard e Frederick Pohl em coletâneas como Dangerous Visions (1967) e Again, Dangerous Visions (1972).

Ellison assinou o roteiro de episódios da série original de Star Trek e de The Alfred Hitchcock Hour, nos anos 1960, de The Starlost, na década de 1970, e de Twilight Zone, nos anos 1980.

Em 2017, uma biografia de Ellison, A Lit Fuse: The Provocative Life of Harlan Ellison, an Exploration, foi publicada.

Harlan Ellison morreu nesta quarta, 28, aos 84 anos em sua casa, em Los Angeles. Morreu enquanto dormia.

(Fonte: https://www.terra.com.br/diversao – DIVERSÃO / ENTRETENIMENTO – 28 JUN 2018)

(Fonte: https://istoe.com.br – EDIÇÃO Nº 2531 – CULTURA / Por Estadão Conteúdo – 28/06/18)

(Fonte: Zero Hora – ANO 55 – N° 19.128 – 30 de JUNHO E 1° JULHO de 2018 – TRIBUTO / MEMÓRIA – Pág: 37)

(Fonte: https://www.publico.pt/2018/06/29/culturaipsilon/noticia – CULTURA ÍPSILON / NOTÍCIA / LIVROS – 29 de Junho de 2018)

 

 

 

A vida que levou Harlan Ellison, cujo temperamento fez mais sucesso que sua obra como escritor de ficção científica

A má fama do escritor americano obscureceu sua obra

 

Como acontece com algumas mentes brilhantes, a má fama de Harlan Ellison precedeu sua obra e obscureceu a carreira de um dos grandes nomes da ficção científica na literatura mundial. Foi Isaac Asimov, ele mesmo lembrado como um dos expoentes do gênero, quem classificou Ellison como “um dos melhores escritores do mundo”. O autor do clássico Eu, robô, no entanto, lamentava o fato de o temperamento forte e a índole beligerante deixarem o trabalho literário do talentoso colega em segundo plano.

Deixou um repertório prolífico, que inclui desde 1.700 contos e mais de 100 romances até críticas e ensaios, passando por roteiros de cinema, TV e quadrinhos. As histórias que ele protagonizou na vida pública, entretanto, ganharam mais destaque que as histórias de ficção científica criadas em suas antigas e pesadas máquinas de escrever.

Ellison foi um autor premiado no gênero que o consagrou, embora rejeitasse o rótulo de escritor de ficção científica — preferia dizer que escrevia ficção especulativa ou apenas ficção. Ganhou o prestigiado Prêmio Hugo com o conto “I have no mouth and I must scream” (1967), sobre um futuro em que um computador inteligente arrasa a população terrestre e tortura os únicos cinco sobreviventes com armadilhas sádicas. Pela novela A boy and his dog (1969), sobre um adolescente e seu cão telepata em um cenário pós-apocalíptico sem mulheres, recebeu o também respeitado Prêmio Nebula. Foi pouco publicado no Brasil, com exceção de algumas graphic novels inspiradas em seus roteiros para a TV, como a ótima Demônio da mão de vidro (1989) — o que é visto pelos fãs nacionais do gênero como uma grande lacuna a ser preenchida.

É de Ellison também “Cidade à beira da eternidade”, considerado por críticos e fãs um dos melhores episódios de Jornada nas estrelas, no qual o capitão Kirk — William Shatner — e o Senhor Spock — Leonard Nimoy — voltam no tempo até a Chicago dos anos 1930 para consertar o curso da história. Ele rejeitava o trabalho porque Gene Roddenberry, criador da série, havia editado o script de 300 páginas para adequá-lo às necessidades da produção. Ao receber um prêmio pelo trabalho, dedicou-o “à memória daquilo que massacraram e em respeito às partes que tiveram a vitalidade de brilhar em meio ao desmembramento”.

Em 1965, Ellison virou personagem da famosa reportagem “Sinatra está resfriado”, do jornalista americano Gay Talese, publicada na revista Esquire. De acordo com o relato de Talese, Sinatra ficou incomodado com os sapatos que Ellison usava na sala de sinuca de um clube de Beverly Hills e perguntou o que o escritor fazia para viver. Ele respondeu: “Sou encanador”. O que se seguiu foi um bate-boca cheio de ironias e ataques verbais entre os dois artistas.

Também ficaram famosas suas batalhas legais, envolvendo às vezes o simples reconhecimento de que inspirou uma obra. Uma das mais famosas foi a ação que moveu contra o cineasta James Cameron e os produtores de O exterminador do futuro (1984), blockbuster que Ellison dizia ter sido inspirado em dois roteiros seus para a série A quinta dimensão. Versões recentes do filme trazem uma inscrição em inglês que pode ser traduzida como: “Reconhecimento aos trabalhos de Harlan Ellison”.

Apesar de admitir ter mandado uma marmota morta para um de seus editores e ter atacado a socos um outro, Ellison não era apenas um encrenqueiro que queria descontar no mundo o bullying que sofreu na infância por ser judeu. Politicamente engajado, ele participou em 1965 com Martin Luther King da marcha de Selma a Montgomery e foi eloquente na condenação da Guerra do Vietnã. Ele fez questão de levar para o gênero da ficção científica questões sociais importantes. E era generoso com os estudantes e com os escritores diletantes.

(Fonte: https://epoca.oglobo.globo.com/cultura/noticia/2018/07 – CULTURA / NOTÍCIA / por ALESSANDRO GIANNINI – 07/07/2018)

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