Osvaldo Teixeira, notabilizou-se, ao longo da vasta carreira, como um dos mais reacionários artistas acadêmicos

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Oswaldo Teixeira do Amaral (Rio de Janeiro, 11 de agosto de 1905 – Rio de Janeiro, 28 de maio de 1974), pintor acadêmico, crítico, professor e historiador de arte, foi diretor do Museu Nacional de Belas-Artes de 1937 a 1961, para onde teria sido nomeado a pedido de sua sogra, chapeleira da então primeira dama dona Darcy Vargas.

Influência materna – Durante muitos anos foi o todo-poderoso senhor da pintura oficial brasileira, distribuindo prêmios e exposições de seu gabinete no Museu Nacional de Belas-Artes. Teixeira dirigiu-o desde 1937 (quando teria sido nomeado para o cargo a pedido de sua sogra, chapeleira da então primeira dama dona Darcy Vargas) até 1961, quando o presidente Jânio Quadros o demitiu.

Nascido em agosto de 1905, filho de pais portugueses, Osvaldo Teixeira começou a pintar ainda criança, e sua vocação para copiar religiosamente a realidade se manifestou em nus que perpetrava desde os doze anos. Conta-se que, nessa primeira fase, a influência materna fazia-se sentir através de uma acirrada vigilância, inclusive por buracos de fechaduras. E, de vez em quando, ela se concretizava em gritos de “Osvaldo! Pinta!” sempre que o jovem se ocupava mais com os modelos que com as palhetas.

Inspirando-se em acadêmicos e retratando a natureza, Osvaldo Teixeira lançou logo sua reputação como inimigo nº 1 da pintura moderna. Confirmou-a a seguir, com declarações do tipo: “Picasso é caso de polícia”“Arte moderna eu pinto com os pés”“A arquitetura da Pampulha é um deboche”. Em 1924, ganhou do Salão de Belas-Artes o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro e foi para a Europa.

E, de volta ao Brasil, iniciou suas atividades e encontrou receptividade em um certo público. Graças a ela (e aos muitos quadros que pintou; fala-se em mais de 2 000, mas o artista não soube ao certo) foi-lhe possível obter o apartamento de cobertura de 800 metros quadrados em que morou, em Copacabana.

Povo místico – Durante a guerra, Teixeira parece ter sido um admirador distante mas fiel ao eixo. Segundo seus inimigos, reunia um grupo de simpatizantes nos porões do Museu para comemorar as vitórias de Hitler com largas sessões de cerveja. O grupo acabou conhecido como “Cervejaria de Munique”.

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Na ocasião, já diretor do Museu, Osvaldo Teixeira enviava as estátuas de seu acervo para adornar as festas do Estado Novo. E certa ocasião uma “Vitória de Samotrácia” – única cópia em gesso tirada diretamente do original – foi a presença mais comentada numa recepção do Palácio da Guanabara.

Enquanto isso, continuava sua guerra contra toda arte que não fosse a acadêmica. Como diretor do Museu, recusou-se a comparecer a uma exposição do pintor Lasar Segall – um dos mais importantes do século XX, no Brasil. E tomava mediadas administrativas, cujo alcance ele próprio sintetizou em seu livro. Por exemplo: a criação de uma seção de auto-retratos; outra, dedicada à mulher brasileira na arte universal; o envernizamento das telas ressequidas; e a troca das molduras deformadas. O que não impediu, entretanto, de ter o mérito de organizar a Sal Boudin, onde está reunida a melhor coleção do impressionista francês existente na América Latina.

Com uma de suas pérolas prediletas, voltava a atacar a pintura moderna, de autoria do filósofo inglês Bacon: “Pior que o erro é a confusão.”

Afinal, Teixeira se notabilizara, ao longo da vasta carreira, como um dos mais reacionários artistas acadêmicos.

A persistência do trabalho de Osvaldo Teixeira nos últimos cinquenta anos da arte brasileira como um vetor em tudo oposto às linhas consideradas mais condizentes com o processo de evolução dessa arte no mesmo período, desse fenômeno artístico. Em outros termos: possibilitou um debate sobre sua obra que muitos costumavam condenar antes de ver.

Osvaldo Teixeira faleceu em 28 de maio de 1974, no Rio de Janeiro, aos 70 anos, de trombose cerebral.

(Fonte: Veja, de agosto de 1973 – Edição 257 – ARTE/ Por Marinho de Azevedo – Pág: 108/109)

(Fonte: Veja, 5 de junho de 1974 – Edição 300 – DATAS – Pág: 16)

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