Murilo Mendes, foi um dos mais importantes poetas, e um dos mais influentes sociólogos brasileiros

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Murilo Mendes (Juiz de Fora, 13 de maio de 1901 – Lisboa, 13 de agosto de 1975), foi um dos mais importantes poetas, um dos mais influentes sociólogos brasileiros, mas muitos o chamavam de educador sem saber que isso o incomodava em sua modéstia. O equívoco tinha razão de ser. Vários escritos de Florestan tiveram a educação como tema e sua atuação na Câmara dos Deputados, já no fim da vida, se concentrou na área do ensino. Além disso, a preocupação com a instrução era um desdobramento natural de sua obra de sociólogo. “Em nossa época, o cientista precisa tomar consciência da utilidade social e do destino prático reservado a suas descobertas”, escreveu. O sociólogo não só refletiu sobre a escola brasileira, apontando seu caráter elitista, como atuou pessoalmente em defesa da educação para todos.

A seu respeito chegou-se a dizer, por exemplo, que certa vez teria abençoado o papa. Em seu livro de memória, “A Idade do Serrote”, escrito em 1968, ele garantiu ter enviado um telegrama a Adolf Hitler para protestar em nome de Mozart contra a ocupação da cidade de Salzburgo pelos nazistas. Tais fatos jamais foram comprovados ou desmentidos. Mesmo assim, não há dúvida de que Murilo Medina Celi Monteiro Mendes foi um homem fora do comum. Em 1920, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornaria grande amigo do pintor Ismael Nery.

Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 13 de maio de 1901, conseguiu a glória de receber, aos 71 anos, pelo livro “Poesia Liberdade”, uma coleção de seus escritos entre 1925 e 1970, acuradamente traduzidos para o italiano por Ruggero Jacobbi*, prêmio que Eugène Ionesco definiu como o Nobel da poesia – o 11.° Etna Taormina, concedido anteriormente a nomes consagrados, como os de Dylan Thomas, Jorge Guillén Alvarez e Giuseppe Ungaretti. Vivia na Itália desde 1952, num dos apartamentos do milenar Palazzo Malvezzi, na Via del Consolato, perto do rio Tibre e do Castelo Santo Ângelo, entre o Vaticano e o Quirinal. Convidado pelo Itamaraty, lecionava aulas de literatura brasileira nas universidades de Pisa e Roma.

Juiz implacável – Insistentemente, Murilo Mendes costumava dizer que o fato mais extraordinário de sua vida, o acontecimento que lhe abriu as portas para os mistérios da poesia, foi a passagem do cometa de Halley, saboreada aos 9 anos de idade: “O cometa me revelou o mundo da fábula cósmica, tanto que Manuel Bandeira diz que penetrei nos céus agarrado à sua cauda”. Dele, Bandeira também afirmava ser “uma personalidade sempre em flor”. E, de fato, Mendes invariavelmente parecia conseguir encantar a todos os que dele se aproximavam.

Aos 10 anos de idade, tocou uma despretensiosa valsinha a um concertista em visita a Juiz de Fora, que lhe garantiu ter descoberto um raro talento para a música. Jamais se tornou pianista. Mozart, porém, viria a marcar toda a sua existência. Aos 12 anos, Lia Racine e outros mestres franceses no original. E, aos 20, conheceu um grande amigo, capaz de influenciar toda a sua obra futura. Trabalhava como arquivista na diretoria do Patrimônio Histórico quando encontrou o fascinante pintor Ismael Néri. “A imagem de Deus que herdei de minha família era a de um juiz implacável e Néri me mostrou o Cristo senhor da história, vivo.” Converteu-se ao catolicismo na véspera da morte do pintor, em abril de 1934, depois de haver lido o Evangelho segundo João. E por algum tempo ingressaria num mosteiro de beneditinos para ler muitos teólogos, místicos, filósofos, que se imporiam profundamente em seus poemas, como os de “Tempo e Eternidade” (1935).

Raquel Welch – O pensador, escritor e crítico Antônio Carlos Villaça divide sua obra em pelo menos quatro fases. Primeiro, aquela correspondente ao período de estreia, com “Poemas” (1930), uma época de irreverência, de um estado de espírito próximo ao poema-piada. Depois viria a etapa caracterizada pelos estímulos de André Breton e Guillaume Apollinaire, na qual o enfant terrible que havia no poeta ditava todas as palavras. Simultaneamente, começava a se desenvolver uma fase litúrgica, com a poesia confessadamente bíblica e católica de “Tempo e Eternidade”. Finalmente, Villaça divide a última fase da produção muriliana em duas tendências: uma de equilíbrio, repleta do lirismo português capturado na releitura de Camões; e outra, caótica, de “surpreendente intensidade destrutiva”, como a de “Convergência” (1970).

Apesar de tantas divisões e interpretações, porém, os críticos concordam em afirmar que, no centro de toda a poética de Murilo Mendes, reside a preocupação com a mulher como desafio e mistério. Em seu apartamento romano, ao lado de trabalhos a ele dedicados por Miró, Chagall, Léger, de dedicatórias de Jean Cocteau, de Albert Camus, de Giuseppe Ungaretti, de André Malraux, fotografias de Mallarmé, Picasso e Baudelaire, figuravam sempre imagens de mulheres belas – a última delas, Raquel Welch. Sua esposa desde 1947, filha do ensaísta português Jaime Cortesão, reconhecia, bem-humorada: “Sempre teve vários flertes, que nunca me deram trabalho. Mas, quando se apaixona, é delirante”.

Quando lhe concederam o Etna Taormina, o feito foi saudado por Carlos Drummond de Andrade, na época, como “um segundo campeonato mundial brasileiro, comparável, no plano intelectual, ao conquistado pela seleção de futebol no México”. Ao recebê-lo, humildemente Murilo Mendes aconselhou os italianos a também se familiarizarem com os trabalhos de outros grandes criadores brasileiros: o próprio Drummond e João Cabral de Melo Neto. Pena que idêntica sugestão apenas raras vezes tivesse sido feita, ao público brasileiro, a respeito do próprio Mendes e de seus maravilhosos versos: Dançarei na luz dos relâmpagos/beijarei sete mulheres,/ vibrarei nos canjerês do mar, abraçarei as almas do ar,/ me insinuarei nos outros cantos do mundo.

* Diretor de teatro, Ruggero Jacobbi, morou no Brasil de 1946 a 1960 e foi um dos fundadores do Teatro Brasileiro de Comédia de São Paulo. O poeta Murilo Mendes morreu no dia 14 de agosto de 1975, aos 74 anos, quando passeava em férias com a esposa, em Portugal, de um ataque cardíaco, em Lisboa.
(Fonte: Veja, 20 de agosto, 1975 -– DATAS -– Pág; 79 -– LITERATURA –- Pág; 64/65)
(Fonte: www.educarparacrescer.abril.com.br)

 

 

 

 

 

 

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Murilo Mendes, um dos mais importantes poetas brasileiros, nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 13 de maio de 1901. Em 1920, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornaria grande amigo do pintor Ismael Nery.

Publica seu primeiro livro, Poemas, em 1930, ano em que também estreia o poeta Carlos Drummond de Andrade. Em artigo sobre livros de poesia lançados nesse ano, Mário de Andrade considera o de Murilo Mendes historicamente “o mais importante dos livros do ano”.

A obra que Murilo Mendes produziu ao longo de mais de quatro décadas situa-se hoje como uma das mais importantes da literatura brasileira. É crescente o interesse por seu trabalho, o que se verifica pelos estudos sobre seus textos e pelo número cada vez maior de teses universitárias dedicadas à sua obra.

Além dos livros de poemas, Murilo Mendes publicou muitos textos em prosa, como o volume de memórias A idade do serrote (1968) e numerosos artigos sobre artes plásticas e literatura. De 1957 até sua morte, em 1975, morou na Itália, onde foi professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma.

CRONOLOGIA
• 1901: Nascimento de Murilo Monteiro Mendes, a 13 de maio, em Juiz Fora, Minas Gerais.
• 1902: Em 20 de outubro, morre sua mãe, Eliza M. de Barros Mendes.
• 1910: Passagem do cometa de Halley, que constitui verdadeira revelação poética para Murilo.
• 1917: Foge do colégio interno em Niterói para ver, no Rio de Janeiro, as apresentações do dançarino russo Nijinski, outra revelação poética.
• 1920: Mudança definitiva de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro.
• 1924-29: Anos de formação e instabilidade profissional. Publica poemas em revistas modernistas, como Revista de Antropofagia e Verde.
• 1930: Publicação do primeiro livro, Poemas, que recebe o prêmio Graça Aranha. Escreve Bumba-meu-poeta.
• 1933: Publicação de História do Brasil.
• 1934: Morte de Ismael Nery e conversão de Murilo ao catolicismo.
• 1935: Publicação, com Jorge Lima, de Tempo e eternidade.
• 1936: Torna-se inspetor do Ensino Secundário do Distrito Federal.
• 1937: Publicação de A poesia em pânico.
• 1940: Conhece Maria da Saudade Cortesão, com quem se casaria.
• 1941: Publicação de O visionário.
• 1943: Internamento em sanatório, em Correia, perto de Petrópolis, com tuberculose. Morte do pai, Onofre Mendes.
• 1944: Publicação de As metamorfoses.
• 1945: Publicação de Mundo enigma e O discípulo de Emaús.
• 1946: Torna-se escrivão da 4ª Vara de Família do DF.
• 1947: Publicação de Poesia liberdade. Casamento com Maria da Saudade Cortesão. Não tiveram filhos.
• 1949: Publicação, na França, de Janela do caos, em edição especial com litografias de Francis Picabia.
• 1952-56: Primeira viagem à Europa, onde cumpre missão cultural. Conferências na Bélgica, Holanda e França. Inicia amizade com André Breton, René Char, Albert Camus, Magritte, Ghelderode e outros.
• 1954: Publicação de Contemplação de Ouro Preto. Na França, é publicado Office humain, antologia de poemas de Murilo traduzidos para o francês.
• 1957: Murilo se muda para a Itália, passando a residir em Roma, onde se torna professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma. Depois, foi também professor na Universidade de Pisa.
• 1959: Publicação de Poesias, obra completa até essa data, mas com exclusão de História do Brasil. Publicação, em Portugal, de Tempo espanhol. Na Itália é publicada Siciliana, com prefácio de Giuseppe Ungaretti.
• 1961: Publicação, na Itália, de Poesie, em tradução de Giuseppe Ungaretti, Luciana Stegagno Picchio e Ruggero Jacobbi, e de Finestra del caos, em tradução de G. Ungaretti. Publicação, na Espanha, de Siete poemas inéditos, em tradução de Dámaso Alonso e Angel Crespo.
• 1962: Publicação, na Espanha, de Poemas, em tradução de Dámaso Alonso.
• 1964: Vem ao Brasil selecionar obras para a 32ª Bienal de Veneza. Publicação, em Portugal, da Antologia poética e, na Itália, de Le metamorfosi, em tradução de R. Jacobbi.
• 1965: Publicação, na Itália, de Italianíssima (7 Murilogrami) e, na Espanha, de Poemas inéditos de Murilo Mendes, em tradução de Dámaso Alonso e Angel Crespo.
• 1968: Publicação de A idade do serrote, memórias da infância.
• 1970: Publicação de Convergência.
• 1971: Publicação, na Itália, de Poesia libertà, antologia bilíngue organizada por Ruggero Jacobbi.
• 1972: Recebe o prêmio internacional de poesia Etna-Taormina. Vem ao Brasil pela última vez. Publicação de Poliedro.
• 1973: Publicação de Retratos-relâmpago, 1ª série.
• 1975: Murilo Mendes morre em Lisboa, no dia 13 de agosto.
(Fonte: www.girafamania.com.br)

 

 

 

 

 

 

Murilo Mendes Murilo Monteiro Mendes nasceu em 1901, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Iniciou os estudos em sua terra natal e depois no Colégio Salesiano, em Niterói. Depois de formado exerceu diversas atividades profissionais, como dentista, telegrafista, auxiliar de guarda-livros, notário e Inspetor Federal de Ensino.
Quando rapaz, por não conseguir se encaixar na escola ou no trabalho, foi morar com seu irmão mais velho no Rio de Janeiro. Onde acabou firmando-se como escrivão.
Sob a influência de Belmiro Braga, mestre e vizinho iniciou nas letras e passou a participar, eventualmente, de publicações modernistas como, “Terra Roxa e Outras Terras” e “Antropofagia onde, aos 24 anos publicou o poema Mapa.
Em 1930, publicou “Poemas”, seu primeiro livro, sempre negando ser filiado de algum movimento específico, nem mesmo do Modernismo, até que em 1934 converteu-se ao Catolicismo e, com Jorge de Lima, dedicou-se à poesia religiosa, mística, num movimento de “restauração da poesia em Cristo”.
De 1953 a 1955 percorreu diversos países da Europa, divulgando, em conferências, a cultura brasileira. Em 1957, se estabeleceu em Roma, onde lecionou Literatura Brasileira. Faleceu, em Portugal, em 1975. obras
Poemas (1930)
História do Brasil (1932)
Tempo e Eternidade. Colaboração de Jorge de Lima (1935)
O Sinal de Deus (1936)
A Poesia em Pânico (1936)
O Visionário (1941)
As Metamorfoses (1944)
O Discípulo de Emaús (1945; 1946)
Mundo Enigma (1945)
Poesia Liberdade (1947)
Janela do Caos (1949)
Contemplação de Ouro Preto (1954)
Poesias (1925-1955).
Tempo Espanhol (1959)
A Idade do Serrote (memórias) (1968)
Convergência (1970)
Poliedro (1972)
Retratos-relâmpago (1973)

(Fonte: pt.shvoong.com – 30 de agosto, 2007)

 

 

 

 

 

 

 

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