História do relógio

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Antes de criar engrenagens que marcariam o compasso do tempo, o homem ainda utilizou outros recursos no período noturno ou em dias de sol, caso das clepsidras, os relógios de água, e das ampulhetas, os famosos relógios de areia da era pré-cristã. Embora não registrassem as horas, assim como as clepsidras, as ampulhetas demarcavam pequenos ciclos e isso já era uma grande vantagem.
Outro artifício usado antes da invenção do relógio mecânico era a chamada vela graduada. Há citações de seu uso no ano 885 e, depois, por séculos, durante as cortes européias. Enquanto iluminava o ambiente, a vela queimava trechos demarcados que representavam as horas.
Mesmo dispondo de instrumentos tão variados, o homem sempre perseguiu o ideal de contar o tempo de forma mais precisa. O primeiro grande passo nesse sentido se deu no início do século 13, quando surgiram em mosteiros europeus os primeiros relógios mecânicos com um engenho que perduraria por quatro séculos: o foliot. “Os eclesiásticos, as únicas pessoas com conhecimentos matemáticos para fazer a divisão mecânica do tempo naquela época, desenvolveram um sistema com duas pequenas palhetas fixadas a um eixo vertical”.
“Elas atuavam, uma de cada vez, em uma roda dentada parecida com uma catraca. Na parte de cima do eixo vertical, havia uma trave com dois pequenos pesos reguladores. Todo o sistema mecânico era movimentado por um tambor com um cordão enrolado e um peso de ferro em uma das extremidades, semelhante ao sarilho de um poço, o sistema que faz o balde subir e descer.”
Mas o foliot também se tornou obsoleto. Causava intoleráveis imprecisões de até uma hora por dia. Para resolver o problema, o físico e astrônomo italiano Galileu Galilei sugeriu, em 1640, sua substituição pelo pêndulo. Entretanto, a idéia só se concretizou dez anos depois, pelas mãos do holandês Chistian Huyens. O pêndulo conquistou o mundo relojoeiro, pois sua adaptação era fácil.
Com isso, os artesãos reduziram as imprecisões para a ordem de uma dezena de segundos ao dia.
No entanto, os relógios portáteis continuaram imprecisos e só foram aperfeiçoados no século 18. Dos vários sistemas patenteados, sobreviveu apenas o chamado escapamento a âncora, criado em 1759 pelo inglês Thomas Mudge. Relógios mecânicos fabricados na atualidade ainda se baseiam nesse sistema.
Reduzida as imprecisões, os relojoeiros passaram a se dedicar a invenções extravagantes, marcam a fase mais criativa da relojoaria.
Grandes mudanças só voltariam a acontecer em 1960, quando a eletrônica invadiu o mundo relojoeiro.
A empresa suíça Bulova, criou o primeiro modelo de pulso a utilizar um circuito eletrônico miniaturizado, o Accutron. O circuito alimenta um minúsculo diapasão, que, ao vibrar, regula o movimento dos ponteiros. Com o Accutron, os atrasos caíram para menos de um minuto por mês. Por isso, esse tipo de relógio equipou 40 satélites e naves espaciais.
A novidade, porém, teve vida curta. Foi rapidamente superada pela tecnologia do quartzo. O quartzo é a alma de nove entre dez relógios fabricados no mundo.
“A descoberta de que, sob determinadas condições, esse mineral vibra com extrema regularidade, marcou a história recente da relojoaria”.
Uma tecnologia fascinante que já começa a se popularizar: o relógio atômico. “Baseado na oscilação imutável de determinados átomos, como os do césio 133, esse tipo de relógio é instalado em estações na Terra, ou em satélites, de onde transmitem o horário, por ondas de rádio, para relógios receptores”. Essas máquinas registram atraso de apenas 1 segundo em 1 milhão de anos.
CRONOLOGIA
2500 a. C. – Relógios de sol: há 4 milênios já contavam as horas na China.
2000 a. C. – A clepsidra, o relógio de água, veio depois do relógio de sol. Usada na China, Egito e Grécia.
250 a. C. – Data em que historiadores consideram que o filósofo Aristóteles inventou a ampulheta.
1500. – O relógio portátil nasce na Alemanha, pelas mãos de Peter Henlein.
1650. – Os relógios com pêndulo se disseminam graças ao holandês Christian Huyens.
1759. – O inglês Thomas Mudge cria o escapamento a âncora para os portáteis.
1960. – O Bulova Accutron, com diapasão, é adotado em satélites espaciais.
1967. – O quartzo complementa os avanços da era eletrônica.
1999. – Relógio atômico à venda nos EUA.

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(Fonte: Revista Galileu – Junho de 1999 – Tecnologia – Museu – Por Solange Barreira – Pág; 29)

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