Foi a primeira grande estrela negra das artes cênicas

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Josephine Baker, artista que rompeu barreiras

Freda Josephine McDonald

Josephine Baker durante sua passagem pelo Brasil na década de 1950 – (Foto: Theopompo do Amaral/28-08-1952)

 

Josephine Baker (Saint Louis, 3 de junho de 1906 — Paris, 12 de abril de 1975), uma personagem extraordinária do século XX, de múltiplas habilidades artísticas e espírito destemido

Onde alguns viam pedra, Josephine Baker via caminho. Não que o obstáculo não estivesse lá, mas, ao cruzar seu passo, era visto por ela como uma provocação, um chamado à transgressão e à construção de uma nova direção ou comportamento. Nascida na St. Louis de 1906, num período de intensa segregação racial, foi a sua predisposição ao enfrentamento e ao desvio que a tornou capaz de transpor a violência e o preconceito da sociedade americana dos anos 1920 para se tornar uma estrela mundial. Multimídia numa era analógica, Josephine foi, a um só tempo, atriz, cantora, dançarina, ativista, heroína, espiã e, sobretudo, pioneira: a primeira grande estrela negra das artes cênicas, a primeira a se apresentar nua, e a primeira negra a protagonizar um filme, entre outros feitos.

Josephine Baker — A Vênus Negra revela a história de uma mulher que veio ao mundo com o pé na porta, vocacionada à liberdade, e cujos feitos estão fortemente vinculados a algumas das principais lutas e conquistas das mulheres negras nos dias de hoje.

— A forma como ela contornava os obstáculos que surgiam no seu caminho foi o que a tornou realmente especial. Diante do horror ela sempre buscava o caminho do humor e do amor, principalmente.

NA VANGUARDA ATÉ HOJE

O que Josephine fazia em sua época não era apenas à frente do tempo dela, daquela época, mas também à frente do que vemos nos dias de hoje.

— Ela criou uma família que chamava de “tribo arco-íris”, com 12 crianças adotadas, de etnias diferentes, e criadas cada uma dentro da sua cultura. — No campo da arte, fazia cinema, teatro, TV… Atuava, dançava, cantava e dirigia. Fora as relações sexuais e afetivas que teve, ela se dava liberdade em todas as instâncias. É uma história incrível em todas as camadas: artística, política, social, sexual e afetiva. Tudo nela era fora do padrão. E o que impressiona é que, apesar de ser um nome conhecido, muita gente não conhece a sua história, ou seja, tudo aquilo que fez com que seu nome se tornasse tão conhecido.

Dos episódios que fazem de Josephine Baker uma das personagens mais extraordinárias do século XX — dançarina, cantora, ativista, espiã, condecorada por Charles De Gaulle, mãe adotiva de 12 crianças de diferentes etnias, quatro casamentos e incontáveis casos, um deles com o escritor belga Georges Simenon e outro com Frida Kahlo — o que mais a orgulhava era ter sido a “primeira negra” em atividades até então vetada aos negros.

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Foi muito por isso que renunciou à cidadania americana para se tornar francesa — no papel e no coração. Em 1925, integrando um grupo de artistas negros americanos, foi contratada para atuar em “La revue nègre”. Os empresários franceses esperavam levar “novidade e exotismo” ao music-hall parisiense.

Bonita, sensual, boa voz, Josephine logo virou estrela. Deveu essa ascensão à sua dança, original, selvagem, apoiada em coreografias que incluíam movimentos desordenados e poses cômicas. Naturalmente, como era de lei em palcos do Casino de Paris e do Follies Bergère, despida. Ou mais despida que, por exemplo, a rival branca Mistinguett, que só mostrava as pernas.

A devoção dos franceses a Josephine era recíproca. Os intelectuais americanos na Paris dos anos 1920 (entre eles Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald e Cole Porter) podiam preferir Bricktop, outra negra expatriada, de canto e dança tipicamente americanos, mas, para os franceses, La Bakér era a favorita. A moça de St. Louis, onde já se tinham registrado algumas das mais violentas ações contra negros, encontrou em Paris um ambiente, para ela, racialmente mais tolerante.

Negra, filha de pai desconhecido, provavelmente branco, e tendo índios apalaches entre os antepassados, era uma ativista a defender, em tudo, a miscigenação. Marchou com Martin Luther King, assinou manifestos e, quando os alemães invadiram Paris, atuou como espiã da Resistência.

Josephine morreu em 1975 praticamente pobre, morando em Monte Carlo, na casa que foi um presente de Grace de Mônaco. Esteve quatro vezes no Brasil, país que dizia amar. Apresentou-se com Grande Otelo e fez questão de desmentir notícia de jornal carioca que dizia que, embora fosse se apresentar no Night & Day, não a aceitaram como hóspede do Hotel Serrador, onde ficava a boate. Negativo. A “Pérola Negra”, a “Vênus Negra”, a “Deusa Crioula” apenas preferiu se hospedar no Copacabana Palace.

(Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/teatro – CULTURA – TEATRO E DANÇA/ POR JOÃO MÁXIMO – 06/04/2017)

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(Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/teatro  – CULTURA – TEATRO E DANÇA/ POR LUIZ FELIPE REIS – 06/04/2017)

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