ASCENSÃO E QUEDA DO TABACO

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ASCENSÃO E QUEDA DO TABACO

Plantação de tabaco (Nicotiana tabacum) (Foto: exame.abril.com.br/Reprodução)

Plantação de tabaco (Nicotiana tabacum)
(Foto: exame.abril.com.br/Reprodução)

Na forma moderna, o cigarro surgiu no fim do século XIX e, até o início do século seguinte, sua difusão foi acidentada. Nos Estados Unidos, país que promoveu o triunfo e a tragédia do cigarro, o tabaco não era bem-visto até a I Guerra Mundial, ainda que seu consumo viesse aumentando ano após ano.

A campanha contra males físicos e morais do cigarro ficou frívola diante das atrocidades do front – e os soldados, afinal, precisavam de algo para distrair e relaxar.

“Se me perguntarem do que precisamos para vencer a guerra, eu direi: munição e tabaco.”

John Pershing (1860-1948), general americano, líder da força expedicionária americana na Europa, em declaração numa das poucas coisas que ajudaram mais a elevar o cigarro a um patamar de respeito. Enviar cigarro aos rapazes no front se tornou gesto de patriotismo. Compartilhar um cigarro na trincheira, símbolo de camaradagem.

Com o fim da I Guerra Mundial, começaram a diminuir as resistências ao cigarro e, apesar das descobertas de seus males, o consumo cresceu dramaticamente até meados da década de 60 nos Estados Unidos. Daí em diante, passaram a surgir as restrições

As feministas erguiam o cigarro como uma declaração de autonomia. Um dos mentores da popularização foi Edward Bernays, sobrinho de Sigmund Freud nascido na Áustria e criado nos  Estados Unidos. Era uma fera na arte da “motivação de massa”. Associou o cigarro à moda, à alta-costura parisiense, à própria psicanálise – “sublimação do erotismo oral” – e ajudou a inseri-lo nas telas do cinema, onde ficava magistral entre os dedos de Humphrey Bogart ou os lábios de Rita Hayworth.

A atriz Rita Hayworth, no auge da beleza: com ela, o cigarro era pura sensualidade (Foto: wp.clicrbs.com.br/ Divulgação)

A atriz Rita Hayworth, no auge da beleza: com ela, o cigarro era pura sensualidade (Foto: wp.clicrbs.com.br/ Divulgação)

 

A ERA DOS MALES

 

1929

O alemão Fritz Lickint (1898-1960) publicou a primeira evidência de que o tabaco podia causar câncer de pulmão. Em 1925 ele publicou um aumento de úlcera gástrica e câncer de estômago em fumantes. 

Lickint foi um dos primeiros médicos que descrevem a dependência do tabaco físico e psicológico como uma doença, que precisa de tratamento, sugerindo uma série de terapias (parte deles ainda em uso). Ele também apontou para o “comportamento anti-social de muitos fumantes, poluindo o ar ambiente de forma imprudente e prejudicando a saúde de outras pessoas”.

1936

Fritz Lickint criou o termo “fumo passivo” (Passivraucgen, em alemão), ao investigar cientificamente problemas de saúde e problemas sociais relacionados ao álcool e tabaco, descreveu em 1920 o câncer de pulmão de fumar e o câncer de via ao lado do trato respiratório e digestivo superior. 

1954

O governo da Inglaterra reconhece oficialmente a relação causal entre cigarro e câncer de pulmão

1957

O American Journal of Obstetrics & Gynecology publicou que o parto prematuro era duas vezes maior entre mães fumantes

1964

Num anúncio histórico, o governo americano afirmou pela primeira vez que o cigarro causa câncer de pulmão

1970

A Organização Mundial de Saúde assumiu uma posição oficial e pública contra o cigarro

 

A ERA DAS RESTRIÇÕES EM LOCAIS PÚBLICOS

 

1973

O Arizona foi o primeiro estado americano a aprovar lei antifumo em lugares públicos

1975

A Itália, a Índia e a Tailândia aprovaram leis contra o cigarro

1976

A Justiça americana deu a primeira sentença contra uma empresa por não proteger os não fumantes da exposição ao cigarro alheio

1982

O governo americano disse que existem evidências de que o fumante passivo pode ser vítima de câncer de pulmão

1983

São Francisco aprovou a primeira lei banindo o cigarro dos locais de trabalho

 

A ERA DAS PROIBIÇÕES NOS BARES E RESTAURANTES

 

1990

San Luis Obispo, na Califórnia, foi a primeira cidade no mundo a banir o cigarro de todos os locais públicos, incluindo bares e restaurantes

1994

Cientistas do Canadá encontraram evidências de que o fumo passivo pode prejudicar até o feto de gestante não fumante

1996

No Brasil, uma lei federal proíbe o cigarro em recintos públicos fechados, mas autoriza a criação de áreas reservadas a fumantes e não fumantes em restaurantes. No Brasil, estima-se que pouco mais de 16% da população seja fumante. É um dos mais baixos índices do mundo, o que faz do país um lugar próprio para popularizar as leis contra o fumo

1998

A Califórnia tornou-se o primeiro estado americano a proibir o cigarro nos bares

2003

Nova York pôs em vigor uma das mais severas leis antifumo do mundo. Baniu o cigarro de todos os lugares públicos, incluindo bares e restaurantes

2004

O cigarro foi banido de bares e restaurantes na Irlanda, Noruega e Nova Zelândia. No ano seguinte, na Suécia. As restrições são ousadas (Irlanda), o cigarro é banido até do símbolo nacional, os pubs.

2005

Suécia, 2005: o cigarro sumiu dos locais públicos. Apesar das diferenças de ritmo e intensidade, o banimento do cigarro parece inexorável no Ocidente.

2006

República Checa, são proibições ainda tímidas: começou o veto ao cigarro nas escolas.

2007

Depois do Uruguai e da Austrália, o veto ao cigarro em bares e restaurantes chegou a países do Oriente Médio, como Israel e Dubai

2008

A França, terra do Gauloises e do Gitanes, baniu o cigarro de bares e restaurantes

2009

A proibição de fumar em bares e restaurantes começou a se espalhar pelo Brasil

(Fonte: Veja, 25 de novembro de 2009 – ANO 42 – Nº 47 – Edição 2140 – Saúde/ Por André Petry, DE NOVA YORK – Pág: 163/170)

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