Pioneiro da engenharia automotiva

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Pioneiro da engenharia automotiva

Deixou sua marca na indústria automobilística que estava para nascer

Luc de Ferran, engenheiro francês, chegou ao Brasil em 1946, aos 4 anos de idade. Estudou na Escola Politécnica da USP e começou carreira na Ford como estagiário, em 1965, de onde saiu somente para se aposentar. Idealizou vários sucessos da marca, como o clássico Corcel II, o luxuoso Del Rey, o cobiçado Escort XR3, o compacto Ka e o Eco Sport, cujo esboço desenhou em um guardanapo de papel. Chegou a vice-presidente de operações automotivas da montadora para a América do Sul, e, mais tarde trabalhou numa versão mais urbana do jipe Troller.
(Fonte: Auto Esporte – N° 571 – Hall da Fama – Dezembro de 2012 – Pág; 99)

LUC, O PENSADOR
O inquieto Luc de Ferran idealizou para a Ford sucessos como XR3, Ka e EcoSport.

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O engenheiro Luc de Ferran não é homem de extravasar suas emoções assim, na frente dos outros. Ainda mais aos 65 anos, com a cabeça toda branca. Por isso, no seu último dia de batente na Ford tratou de engolir o choro. Era 31 de julho e os colegas haviam preparado uma festinha de despedida no refeitório da fábrica de Camaçari (BA). Ferran fez de tudo para fugir. Mas acabou indo. E no curto trajeto a pé entre o escritório e o bandejão só falou de trabalho, como se fosse
voltar no dia seguinte para ocupar a sua cadeira de vice-presidente de desenvolvimento de produtos. Não voltou. Depois de 38 anos de serviços prestados à segunda maior montadora do mundo, assinando os seus mais importantes projetos no Brasil, Ferran aposentou-se. Só que isso está lhe cortando o coração. “Vou passar duas semanas sozinho na Chapada Diamantina. Preciso restabelecer o meu
sistema operacional pessoal, senão enlouqueço”, disse, às
vésperas da viagem.

Em quase quatro décadas de Ford, seu primeiro e único emprego, Ferran foi mentor de uma série de produtos. Corcel II, Del Rey, Pampa, Escort, Fiesta, Ka, Courrier, motor Rocan — tudo saiu da cabeça dele. Mas dois em particular são os seus xodós. Primeiro o Escort XR3, um modelo compacto, de rodas largas, aerofólio e motor potente que encantou a juventude nos anos 80. “Foi o primeiro carro de boy do Brasil. Era um foguete”, diverte-se. O outro é o EcoSport, lançado este ano, que ele esboçou num guardanapo de papel em 1997. “Eu queria um modelo que dominasse as ruas. Que fosse imponente e espaçoso sem ser comprido.” O EcoSport lidera as vendas de comerciais leves no País, tem fila de espera nas concessionárias e vai ser exportado até para a Austrália. É, na verdade, um dos pilares do maior feito de Ferran: o Projeto Amazon, que tem dois novos modelos na prancheta e já deu origem ao novo Fiesta e à fábrica de Camaçari (da qual ele definiu da arquitetura à cor do uniforme dos funcionários), considerada revolucionária por abrigar produtor e fornecedores de peças sob o mesmo teto.

“Dizem que ninguém é insubstituível, mas esse ditado não vale para o caso do Luc”, derrete-se Jorge Abdalla, amigo de 20 anos e gerente de engenharia da Ford. “Suspensão, elétrica, motor, transmissão, ele conhece tudo de carro. E sabe todas as fórmulas de cálculo de cor, não esqueceu nenhuma”, completa Márcio Alfonso, engenheiro chefe de desenvolvimento de produto. Nascido em Toulouse, na França, Ferran chegou ao Brasil aos 4 anos, depois que a fábrica de equipamentos esportivos de sua família foi bombardeada na Segunda Guerra. Estudou na Escola Politécnica da USP e, nesse tempo, recuperava betoneiras “para tomar cerveja com os amigos”. Entrou na Ford como estagiário em 1965. Fez de tudo na empresa, mas gostava mesmo é de ir para a pista de testes guiar os seus protótipos. “É o playground dele, onde ele se torna um obsessivo, como um piloto de Fórmula-1, por melhores resultados”, conta Alfonso.

O filho Gil de Ferran, campeão de Fórmula Indy, duvida que o pai consiga se afastar do mundo da gasolina, mesmo morando na praia, perto de Salvador. “Não dou dois meses para ele inventar algo novo”, prevê. “Ele é muito ativo. E sabe perfeitamente da sua importância para a indústria automotiva brasileira.” Os Ford também sabem. Por isso enviaram-lhe um bilhete singelo que agradecia pelos 38 anos de dedicação e terminava mais ou menos assim: “A companhia será outra sem Luc de Ferran.”

(Fonte: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/10617_LUC+O+PENSADOR – NEGÓCIOS Por Christian Carvalho Cruz – Nº edição: 312 – 20.AGO.03)

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