Pioneira por trás do mobiliário moderno

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Charlotte Perriand , foi um arquiteto e designer francês. Pioneira por trás do mobiliário moderno, desenhou móveis dos espaços de Le Corbusier

Nasceu em Paris em 1903 e morreu ali em 1999. Estudou na Ecole de l’Union Centrale des Arts Décoratifs. Vinha ao Brasil nos anos 60 porque o marido era diretor da Air France para a América Latina 

Trabalhou com Le Corbusier criando o design de interiores de suas obras. Usava materiais de origem industrial, como tubos cromados

Quando Charlotte Perriand posou de saia e um colar de pérolas de ferro no anúncio de sua chaise longue, estampou a marca da mulher na história do design. Era mais que uma modelo para ilustrar o conceito que virou ícone de modernidade.


É fato que Perriand estava por trás de uma grife masculina chamada Le Corbusier, mas o mestre do modernismo deu carta branca para que inventasse o mobiliário dos espaços que projetou, da casa La Roche, em Paris, à Unité d’Habitation, em Marselha.


Livros contam que quando Perriand foi bater à porta de Le Corbusier no ateliê da rua de Sèvres, na Paris do fim dos anos 20, o arquiteto dispensou seus serviços, dizendo não querer uma costureira.


Mas foi obrigado a voltar atrás quando viu uma exposição dela meses depois. Perriand não fez mais do que recriar no Salão de Outono o que tinha inventado com ferro na sala de sua casa, num sótão da praça Saint-Sulpice.


No ateliê de Le Corbusier, Perriand então começou a dar corpo ao vocabulário de formas que configurou o mobiliário moderno. Essa costura, que trocou tecido por aço, alumínio e vidro, está agora numa retrospectiva na Escola da Cidade, em São Paulo.

 

TOQUE FEMININO

 


“É estranho que ainda não dissociamos Charlotte de Le Corbusier, mas ela tinha sua própria personalidade”, diz Pernette Perriand, filha da designer que morreu há 11 anos. “Ela se debruçava sobre os espaços para criar relações com a luz e ambientes necessários à vida, tudo com aquele toque de mulher.”

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Foi Perriand que convenceu a Thonet, fabricante dos móveis que Le Corbusier comprava para seus projetos, a produzir suas invenções. Tudo seguia a receita básica do arquiteto: fazer objetos que servissem de extensão das partes do corpo humano.


“Cada traço precisava de uma justificativa”, escreveu a designer. “Tudo responde a um gesto ou postura, mas não podia custar caro.”


Dentro dessas amarras, Perriand fez três cadeiras que viraram referências de sua produção. Traduzia o discurso programático de Le Corbusier à realidade de linhas e curvas metálicas que virou sua assinatura no design.


Móvel para “conversar”, segundo a classificação do patrão, a B301 era uma estrutura de aço com um tecido solto, suspenso pelas hastes. Quadrada, a LC2 Grand Confort seria para “relaxar”, enquanto a célebre chaise longue, a B306, era para dormir.


Mesmo um tanto secas e funcionais, as peças acabaram virando itens de luxo.


Foram também a base de projetos mais ousados de Perriand, como o ambiente com chão e teto de vidro, que criou no Salão de Outono de 1929, em Paris, e toda a produção de casas de alumínio pré-fabricadas que desenhou mais tarde com Jean Prouvé para as colônias francesas.


Quando suas curvas viraram expressão máxima da era das máquinas, Perriand passou a desenhar desde prédios do governo japonês até um apartamento no Rio. 

 

 

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2311201010 – SILAS MARTÍ DE SÃO PAULO – 23 de novembro de 2010)

 

 

 

 

 

 

 

 

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