Pela primeira vez os Prêmios Cabot homenagearão uma lista de vencedores exclusivamente feminina

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Duas brasileiras estão entre as ganhadoras do Prêmio Cabot 2021, da Universidade Columbia

A escola de jornalismo da universidade Columbia, de Nova York, anunciou os vencedores dos prêmios Maria Moors Cabot em 2021 por reportagens de destaque nas Américas. Duas brasileiras estão entre as vencedoras do Prêmio Cabot 2021: Eliane Brum, colunista e escritora, e Adriana Zehbrauskas, fotojornalista, que mora nos Estados Unidos (EUA).
As outras ganhadores são Adela Navarro Bello, do semanário Zeta, de Tijuana (México) e Mary Beth Sheridan, do Washington Post, na capital dos Estados Unidos.
Em 2021, pela primeira vez os Prêmios Cabot homenagearão uma lista de vencedores exclusivamente feminina: quatro mulheres jornalistas receberão medalhas de ouro.
Além disso, o júri selecionou duas mulheres para a Menção Especial 2021, que homenageia reportagens corajosas: Regina Martínez Pérez e O Projeto Cartel, e o site de notícias Contracorriente, de Honduras.

Prêmio é o mais antigo do jornalismo internacional

Os Prêmios Cabot homenageiam jornalistas e organizações de notícias por excelência de carreira e cobertura do Hemisfério Ocidental na promoção do “entendimento interamericano”. Godfrey Lowell Cabot, de Boston, fundou os prêmios Maria Moors Cabot em homenagem a sua esposa, em 1938. A premiação é a mais antiga do jornalismo internacional.

O presidente da Columbia, Lee C. Bollinger disse:

“Com o aumento das ameaças contra a imprensa nas Américas, incluindo ataques físicos e ciberassédio contra repórteres mulheres, dou as boas-vindas à seleção do júri do Cabot de quatro jornalistas de destaque para receber os prêmios Cabot de 2021. Em nome de toda a Universidade, gostaria de dar os meus parabéns e os meus agradecimentos aos homenageados pelo seu talento e coragem.”

A cerimônia de premiação acontece no dia 12 de outubro, quando cada vencedor receberá uma medalha de ouro e US$ 5 mil.

Eliane Brum se destaca na busca por justiça social

Com o aumento das ameaças contra a floresta amazônica e seus povos indígenas, Eliane Brum decidiu se mudar para uma cidade no coração da Amazônia sob risco pessoal.
Suas histórias e colunas de opinião foram publicadas globalmente. Desde 2013, ela escreve uma coluna de opinião para o El País da Espanha. A jornalista também contribuiu para outros meios de comunicação importantes, incluindo The Guardian, The New York Times e Süddeutsche Zeitung.
Ao longo de sua carreira de 30 anos, Eliane Brum abordou diversas vezes temas relacionados a direitos humanos e justiça social. Prolífica e incansável, é autora de sete livros e diretora ou codiretora de quatro documentários.
Seu último livro traduzido para o inglês é O Colecionador de Almas Sobradas (The Collector of Leftover Souls – Field Notes on Brazil’s Everyday Insurrections), editado pela Graywolf Press em 2018, que fez parte da Longlist do National Book Awards para Literatura Traduzida em 2019.

A cobertura recente de Brum sobre as questões socioambientais na Amazônia, incluindo as consequências devastadoras da pandemia Covid-19, reforça sua posição como uma das vozes de expressão do jornalismo brasileiro.

Fotojornalismo de Adriana Zehbrauskas retrata pobreza e violência

Adriana Zehbrauskas é fotojornalista e documentarista brasileira radicada nos Estados Unidos, cujos retratos de pessoas em circunstâncias desesperadoras são conhecidos por sua intimidade e empatia.

Suas fotos da América do Sul, México e da fronteira EUA-México são ricas em cores e humanidade. Zehbrauskas retratou a pobreza dos migrantes da América Central em trânsito para a fronteira com os Estados Unidos, assim como faz com as mães de bebês com zika no Brasil e as famílias dos 43 alunos assassinados em Ayotzinapa, no México.

Após uma missão de um ano fotografando a família de uma das vítimas de Ayotzinapa, Zehbrauskas lançou um projeto mais amplo chamado “Family Matters”. Ela tira fotos para iPhone de famílias na zona rural do estado de Guerrero e faz cópias para os moradores que as desejam.

O foco é preservar a memória e a cultura em uma região empobrecida, continuamente atacada por traficantes de drogas e prejudicada pela violência sancionada pelo Estado.

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Jornalistas dos EUA e México também são premiadas

Adela Navarro Bello é repórter e editora da revista semanal ZETA. Seu trabalho de reportagem investigativa busca responsabilizar as autoridades e expor a corrupção e cumplicidade com os cartéis de drogas na fronteira EUA-México.

Mary Beth Sheridan tem uma carreira de quase três décadas, passando pela agência Associated Press, os jornais The Miami Herald, Los Angeles Times e The Washington Post.

Menções especiais

Regina Martínez Pérez and The Cartel Project – Há mais de 30 anos, incluindo os últimos 12 com o semanário Proceso, Regina Martínez Pérez vem investigando políticos e interesses do crime organizado em Veracruz, no México, um dos lugares mais perigosos do mundo para ser jornalista.

Contracorriente, Honduras – Num país centroamericano devastado pela narcocorrupção, Covid-19 e furacões consecutivos, surgiu uma publicação digital para relatar o impacto desses desastres nas pessoas comuns. A Contracorriente foi fundada em 2017 por Jennifer Ávila, sua editora, e Catherine Calderón, diretora de desenvolvimento, e se transformou em um site dinâmico de multimídia que fornece uma cobertura lúcida e factual dos problemas do país.

Rosental Alves, presidente do conselho da Cabot falou sobre as ganhadoras:

“Desde a investigação destemida de corrupção governamental e cartéis de drogas até a documentação dos sub-representados e responsabilização dos líderes, todos os nossos homenageados em 2021 aumentam nosso entendimento entre as Américas por meio de notícias e imagens. Esses jornalistas fornecem novos modelos de excelência na respeitável tradição dos prêmios Maria Moors Cabot.”

(Fonte: https://mediatalks.uol.com.br/2021/07/22 – MEDIATALKS – 22.07.2021)
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