Martin Arnold, ex-jornalista do Times
O Sr. Arnold entrevistou o senador Robert F. Kennedy no Monte Kennedy, no território de Yukon, no Canadá, em 1965.
Martin Arnold (nasceu em 14 de maio de 1929, em Manhattan, Nova Iorque — faleceu em 4 de junho de 2013 em Manhattan), foi ex-repórter, editor e colunista do The New York Times, cujas reportagens o levaram à invasão da República Dominicana, às montanhas do Yukon, à capital da cultura hippie dos anos 1960 e aos corredores do mundo editorial.
Em uma carreira de 40 anos no jornal, o Sr. Arnold foi editor da revista The New York Times Magazine, supervisionou a cobertura da imprensa pelo The Times e, a partir de outubro de 1997, escreveu “Making Books”, uma coluna sobre a indústria editorial. Sua última coluna — “Nº 212”, como ele mesmo escreveu — foi publicada em março de 2003.
Como repórter, o Sr. Arnold era o generalista por excelência numa época anterior às editorias especializadas. Numa dessas reportagens, viajou com o circo; noutra, investigou a corrupção municipal na cidade de Nova Iorque, tendo ganho o Prêmio George Polk em 1968 pelo seu trabalho. Escreveu sobre a agitação racial no Brooklyn, as guerras da máfia e a ascensão de Malcolm X.
Após o assassinato do presidente John F. Kennedy em 1963, ele localizou os agentes de liberdade condicional que tentaram ajudar Lee Harvey Oswald quando este era um adolescente problemático que morava com a mãe no Bronx.
Em 1965, o Sr. Arnold cobriu a ascensão do senador Robert F. Kennedy ao Monte Kennedy, um pico de 4.237 metros no Yukon, nomeado em homenagem ao presidente. Em 1967, o Sr. Arnold passou um tempo morando em Haight-Ashbury, o bairro de São Francisco que era o coração da cultura hippie nos Estados Unidos.
Quando os fuzileiros navais desembarcaram na República Dominicana em 1965, durante um período de instabilidade política, o Sr. Arnold foi enviado para uma zona de guerra pela primeira vez, e seus relatos transmitiram a cena através dos olhos de um nova-iorquino sereno:
“Os fuzileiros navais dos Estados Unidos têm obuses no gramado da frente e um heliporto no campo de polo”, escreveu ele em frente a um hotel de luxo, “e centenas de refugiados dormem todas as noites entre as colunas espelhadas do saguão, onde Ginger Rogers poderia dançar à meia-noite se alguém se desse ao trabalho de limpar a bagunça.”
Ele nasceu Martin Katske em 14 de maio de 1929, em Manhattan, filho de Arnold e Evelyn Katske, e foi criado em Long Island. Após a morte de seu pai, sua mãe mudou o sobrenome da família para Arnold. Martin e um irmão mais novo, William, adotaram o nome.
Ainda no ensino médio, Marty, como era conhecido, trabalhava como auxiliar de redação no The Times antes de abandonar os estudos para se alistar no Exército em 1945. Ele concluiu o ensino médio no serviço militar e obteve o diploma de bacharel na então Adelphi College, em Garden City, Long Island. Trabalhou como repórter para o Newsday e o The New York Herald Tribune antes de ingressar na equipe de reportagem do The Times em 1959.
Após se aposentar, o Sr. Arnold escreveu uma série de ensaios, “Tradições do The Times”, para a página da web dos funcionários do jornal, na qual descreveu os tempos das máquinas de escrever, camisas brancas e gravatas, e cinzeiros transbordando, e como a redação havia mudado, tornando-se mais diversificada racialmente, mais feminina e mais eletrônica.
Sua última coluna “Fazendo Livros” foi um hino à relação entre escritores e leitores. “O que deve ser lembrado é que os livros são a aventura”, escreveu ele, “não a criação de livros”, citando então a observação de Emerson: “É o bom leitor que faz o bom livro”.
“Esta coluna não foi escrita para as poucas centenas de pessoas da indústria editorial — que muitas vezes não gostaram dela — mas sim para o bom leitor”, escreveu o Sr. Arnold. “Conheço uma mulher, que por acaso é escritora, que sempre carrega um livro consigo aonde quer que vá. Esta coluna foi escrita para leitores como ela.”
Martin Arnold morreu na terça-feira 4 de junho de 2013 em sua casa em Manhattan. Ele tinha 84 anos.
A causa foram complicações da doença de Parkinson, disse seu filho, o Dr. Mark Arnold.
Além de seu filho Mark, o Sr. Arnold deixa outro filho, Christopher; seu irmão, William; e dois netos. Seu casamento com Irmgard Arnold terminou em divórcio no início da década de 1980.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/2013/06/06/nyregion – New York Times/ NOVA IORQUE/ por Paul Vitello – 5 de junho de 2013)

