Orlando Senna, cineasta, escritor, roteirista e gestor cultural baiano, foi um dos nomes ligados ao movimento do Cinema Novo e conviveu com importantes figuras da cultura, como Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Glauber Rocha, Chico Buarque, Hector Babenco, Geraldo Sarno e Ruy Guerra

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Orlando Senna, referência do Cinema Novo, diretor de ‘Iracema – Uma transa amazônica’ e ex-secretário do Audiovisual

Baiano diretor de “Iracema – Uma Transa Amazônica”, teve trajetória marcante no cinema brasileiro e ocupou cargos importantes na política cultural do país.

 

Orlando Senna (nasceu em 1940, em Afrânio Peixoto, distrito de Lençóis, na Chapada Diamantina — faleceu em 9 de junho de 2026), cineasta, escritor, roteirista e gestor cultural baiano e um dos mais importantes pensadores do audiovisual no país.

Sua trajetória foi marcada pelo compromisso com a democratização da cultura, pela defesa do cinema nacional e pela valorização das identidades e narrativas brasileiras, sendo um dos nomes fundamentais do Cinema Novo.

O cineasta, gestor cultural e realizador baiano Orlando Senna dedicou sua vida à arte, à cultura, à liberdade e à construção de um mundo mais humano e sensível.

Ao longo de décadas, Orlando Senna participou de mais de 30 produções e contribuiu de forma decisiva para o fortalecimento das políticas públicas do setor e para a formação de novas gerações de cineastas.

Nome de destaque do cinema brasileiro, Orlando Senna ganhou reconhecimento nacional e internacional ao codirigir, ao lado de Jorge Bodanzky, o filme “Iracema – Uma Transa Amazônica” (1975), considerado um clássico e uma das obras mais importantes do audiovisual no país. O longa, que mistura ficção e documentário, retrata a realidade da região amazônica durante a construção da Transamazônica e chegou a sofrer censura durante o regime militar.

Baiano de Afrânio Peixoto, Orlando Senna dirigiu ao lado de Jorge Bodansky o clássico do cinema nacional “Iracema – Uma transa amazônica” (1975). O longa acompanha um caminhoneiro (Paulo César Peréio) que trafega pela Transamazônica, a grande rodovia do Brasil que atravessa a floresta amazônica, conhece uma prostituta (Edna de Cássia) e aos poucos percebe os problemas daquela região.

Senna estreou no cinema como assistente de Roberto Pires em “Tocaia no asfalto” (1962). Ainda na Bahia, dirigiu seus primeiros curtas e peças de teatro. Ele atuou na Escola de Teatro de Salvador e no Centro Popular de Cultura até se mudar para o Rio de Janeiro no final dos anos 1960.

A estreia em longas metragens acontece com “A construção da morte” (1969), mas seria com “Iracema”, misto de ficção e documentário que foi perseguido pelo governo militar, que o cineasta escreveu seu nome no audiovisual nacional. Nos anos seguintes, dirigiu “Gitirana” (1976) e “Diamante bruto” (1977), além de escrever roteiros para renomados cineastas, como Hector Babenco (“O rei da noite”, de 1975), Geraldo Sarno (“Coronel Delmiro Gouveia”, de 1977) e Ruy Guerra (“Ópera do malandro”, de 1985).

Nascido em 1940, em Afrânio Peixoto, distrito de Lençóis, na Chapada Diamantina, Senna construiu uma trajetória marcante no cinema e na cultura brasileira. Ele foi um dos nomes ligados ao movimento do Cinema Novo e conviveu com importantes figuras da cultura, como Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Glauber Rocha, Chico Buarque, Hector Babenco, Geraldo Sarno e Ruy Guerra.

Carreira

Orlando Senna iniciou a carreira no audiovisual como assistente de direção de Roberto Pires no filme “Tocaia no Asfalto” (1962). Ainda na Bahia, dirigiu curtas-metragens e peças de teatro, com atuação na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia e no Centro Popular de Cultura.

No fim dos anos 1960, se mudou para o Rio de Janeiro, onde dirigiu seu primeiro longa-metragem, “A Construção da Morte” (1969). Além da produção cinematográfica, também teve atuação internacional, passando uma temporada em Cuba nos anos 1990, onde foi professor e diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños.

Em 1987, Senna codirigiu com o cubano Santiago Alvarez o documentário “BrasCuba”. Ele intensificaria sua relação com o país nos anos seguintes ao trabalhar como professor e diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños.

Ao longo da carreira, também ocupou cargos públicos importantes. Foi subsecretário do Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro durante o governo de Benedita da Silva, além de ter atuado como consultor de roteiro em diferentes projetos, como o documentário “Glauber, o filme – Labirinto do Brasil” (2004), de Silvio Tendler.

Em 2003, assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e, em 2007, passou a dirigir a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde participou da criação da TV Brasil. Ele deixou o cargo em 2008.

Além dos trabalhos como diretor, Senna foi importante nome nas políticas públicas para o audiovisual no Brasil. Em 2002, foi subsecretário de Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, no governo Benedita da Silva.

No ano seguinte, assumiu a função de secretário do Audiovisual no Ministério da Cultura comandando por Gilberto Gil no primeiro mandato do presidente Lula. Entre 2007 e 2008, foi diretor geral da Empresa Brasil de Comunicação, coordenando o desenvolvimento da TV Brasil.

Com uma trajetória marcada pela produção artística e pela atuação na gestão pública, Orlando Senna deixa uma contribuição importante para o desenvolvimento do cinema e da cultura no Brasil.

Orlando Senna foi casado com a atriz e documentarista Conceição Senna, falecida em 2020.

No último domingo (7), Senna acompanhou sessão de cinema no CCBB/RJ, onde tirou uma foto ao lado do amigo Antônio Pitanga.

Orlando Senna morreu na tarde da terça-feira (9), aos 86 anos. A informação foi confirmada por uma sobrinha do diretor, Indra Rocha, por meio das redes sociais.

“É com imensa tristeza que comunico o falecimento do meu querido tio, Orlando Senna. Um homem que dedicou sua vida à arte, à cultura, à liberdade e à construção de um mundo mais humano e sensível. Um homem que com sua imensa generosidade, abriu portas para mim e para tantas outras pessoas, sempre incentivando, acolhendo e criando conexões com nossos sonhos. Quem teve a oportunidade de conhecê-lo sabe da sua doçura, do seu humor, da sua inventividade e da forma positiva com que enxergava a vida e as pessoas”, destacou post de Rocha.

Em nota, a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) lamentou a morte do cineasta e destacou que sua atuação foi marcada pelo compromisso com a democratização da cultura, pela defesa do cinema nacional e pela valorização das narrativas brasileiras.

Leia nota da Nota da Funceb:

“Hoje nos despedimos de Orlando Senna, cineasta, escritor, gestor cultural baiano e um dos mais importantes pensadores do audiovisual no país. Seu legado permanece vivo em suas obras, em seu pensamento e na inspiração que deixa para a cultura do Brasil. Por meio da Diretoria do Audiovisual, a Fundação Cultural do Estado da Bahia manifesta profundo pesar por sua partida e solidariza-se com familiares, amigos, colegas e admiradores neste momento de despedida.”

(Direitos autorais reservados: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/06/09 – O Globo/ CULTURA/ NOTÍCIA/ Por O GLOBO — Rio de Janeiro — 09/06/2026)

(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/06/09 — Globo Notícias/ BAHIA/ NOTÍCIA/ Por g1 BA —

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