Foi a primeira brasileira e sul-americana a ser finalista no Nobel da Educação para professores

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“Educação sem propósito vira distração”: conheça Débora Garofalo, a professora mais influente do mundo

 

Débora Garofalo foi reconhecida como uma das 10 melhores professoras do mundo em 2019. Crédito: Reprodução | Instagram @garofalodebora.

Débora Garofalo foi reconhecida como uma das 10 melhores professoras do mundo em 2019.
Crédito: Reprodução | Instagram @garofalodebora.

Educadora que desenvolveu projeto de robótica com sucata na periferia foi a primeira brasileira e sul-americana a ser finalista no Nobel da Educação para professores

A professora paulista Débora Garofalo foi eleita a educadora mais influente do mundo em 2026.Crédito da Imagem: (Foto – cortesia Aline Ramos/ REPRODUÇÃO)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como fazer educação com qualidade em meio às constantes mudanças e transformações que desafiam cada vez mais as e os profissionais do setor educacional? Como engajar os alunos e fortalecer o protagonismo estudantil nesse processo?

A professora Débora Garofalo, eleita a educadora mais influente do mundo pela The Varkey Fundation, destaca que “educação sem propósito vira distração”.

O estudante precisa ver sentido nesse processo e entender o seu propósito para que ele possa se engajar nas atividades, considera a educadora que ficou reconhecida por desenvolver um projeto de robótica com sucata na periferia de São Paulo.

Com experiência em gestão de políticas públicas em grandes centros urbanos do país como São Paulo e Rio de Janeiro, hoje Débora atua como líder da fundação que leva seu próprio nome. Uma instituição que desenvolve uma série de projetos e ações para criar soluções, transformar a aprendizagem e preparar para o futuro.

Intencionalidade no educar 

Débora Garofalo participou neste mês do Arco Day, em São Paulo (SP), evento da maior empresa de educação básica da América Latina. Para uma plateia com cerca de dois mil gestores e profissionais do setor, a professora defendeu uma educação feita com intencionalidade, que possibilite engajamento e pertencimento entre os alunos.

Os estudantes de hoje nasceram em um tempo em que a tecnologia passa a fazer parte de suas interações e dos processos de aprendizagem, lembra a educadora.

Em entrevista ao Brasil Escola, Garofalo destaca que a escola precisa deixar de ser apenas o lado da informação para ter um lado reflexão.

“O professor precisa poder exercer esse cenário que eu chamo de ‘designer de experiências’: aquele que vai proporcionar caminhos viáveis para fazer essa educação chegar na ponta.”

Débora Garofalo

 

 

Débora Garofalo foi reconhecida a professora mais influente do mundo em 2026. Crédito: Reprodução | Instagram @garofalodebora.

Débora Garofalo foi reconhecida a professora mais influente do mundo em 2026. Crédito: Reprodução | Instagram @garofalodebora.

Nesse sentido, ocorre um problema geracional em que as e os educadores não nasceram e foram preparados para essa época, para lidar com as novas tecnologias.

É preciso construir na escola o projeto de vida dos estudantes, afirma a educadora. Desenvolver uma educação midiática para trabalhar habilidades e competências com a intenção de tornar os jovens mais críticos quanto aos consumos de conteúdos.

É papel do educador colocar intencionalidade no processo de ensino, pois isso vira protagonismo.

A especialista cita o dado de uma pesquisa de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em que 18% dos jovens não veem sentido na vida. Em sua perspectiva, a escola tem o papel de para além de transmitir conhecimento e conteúdo, trabalhar mecanismos e formas de resoluções de problemas, desenvolvimento de criatividade, de senso crítico, de ética e respeito nas crianças e jovens estudantes.

Quanto ao uso da Inteligência Artificial (IA) e o movimento de isolamento de alguns jovens que passam a adotar cada vez mais os relacionamentos digitais, Débora enaltece a importância de fortalecer as relações humanas e a socialização entre os alunos.

Em uma realidade marcada pela disponibilidade exacerbada das informações, a escola assume um papel estratégico de desenvolver uma cultura digital, educação midiática para transformar conhecimento em ação.

Para Débora, a inovação na educação inicia quando a aprendizagem se conecta com os desafios reais do presente. As e os educadores devem oportunizar experiências que façam sentido com o novo tempo, com as novas tecnologias e que se relacionem com às demandas dos estudantes.

Em recado para os gestores escolares, a professora evidencia que é preciso ter escuta ativa de toda a comunidade escolar para construir um caminho possível de transformação e evolução.

Robótica com sucata

A professora Débora Garofalo desenvolveu um projeto intitulado “Robótica com sucata” que afetou diretamente a vida de 2 mil jovens e crianças da comunidade escolar da rede pública.

Nessa iniciativa, a educadora mobilizou uma prática pedagógica formatica que fomentou a aprendizagem dos estudantes a partir da criatividade, experimentação de ideias, bem como, exploração de pesquisas para propor soluções locais à comunidade em que vivem.

Com isso, realizaram a reciclagem de lixos coletadas pelas ruas da cidade de São Paulo e construíram robôs e materiais de eletrônica.

 

 

 

Débora Garofalo e estudantes do projeto Robótica com Sucata. Crédito: Reprodução | Instagram @garofalodebora.

Débora Garofalo e estudantes do projeto Robótica com Sucata.
Crédito: Reprodução | Instagram @garofalodebora.

 

 

Os alunos construíram carrinhos motorizados, robôs com placas programáveis, máquinas de refrigerante, aspiradores de pó e sensores de enchente.

Sem laboratório, sem orçamento, o trabalho se expandiu e impactou de forma positiva na redução da evasão escolar e melhora no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).

Essa atividade levou Débora a ser reconhecida em 2019 como uma das 10 melhores professoras do mundo, entre mais de 10 mil candidatos de 179 países. Tornando-se a primeira brasileira e sul-americana a ser finalista no Global Teacher Prize.

“Participar de um prêmio desse porte é poder dar voz, realmente, à nossa educação brasileira. No meu caso, é mostrar que, em contexto de escassez, a gente pode inovar. E a gente pode, realmente, trazer caminhos diferenciados. Acho que a alegria do trabalho de robótica com sucata é que ele trouxe uma perspectiva mundial de democratização de acesso à tecnologia e à inovação.”

Débora Garofalo

 

Ela conta que sofreu muitos preconceitos por ser mulher e lidar com tecnologia, além de ouvir dos próprios colegas de profissão que o que estava fazendo era “artesanato”.

Mesmo diante dos desafios, Débora acreditou no seu fazer educação e mostrou que é possível trabalhar com materiais não estruturados, ressignificar a questão do lixo e que a educação maker, metodologia em que o estudante se torna protagonista ativo do aprendizado, faz sentido.

O projeto se tornou uma política pública na rede municipal da maior cidade do país, São Paulo. Neste ano, ele impacta cerca de 3,7 milhões de estudantes em mais de 5.400 escolas de países como Argentina, Estados Unidos, Inglaterra e França, além do Brasil.

(Direitos autorais reservados: https://brasilescola.uol.com.br/noticias – BRASIL ESCOLA/ NOTÍCIAS/ Por Lucas Afonso – 09/06/2026)

Por Lucas Afonso
Jornalista 

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