Gladys West, matemática considerada ‘Mãe do GPS’
Cientista foi fundamental no desenvolvimento do GPS e trabalhou para a Marinha dos EUA.
Gladys West, matemática e pioneira do GPS — (Foto: US Air Force/Domínio Público)
Gladys Mae West, nascida Gladys Mae Brown (nasceu no Condado de Dinwiddie, em 27 de outubro de 1930 – faleceu em 17 de janeiro de 2026), matemática norte-americana, cujos complexos modelos da forma da Terra lançaram as bases fundamentais para o Sistema de Posicionamento Global (GPS), foi considerada uma das responsáveis pelo GPS, matemática.
A sua trajetória não foi apenas um triunfo do intelecto, mas um testemunho de resiliência contra as barreiras impostas pela segregação racial e de gênero nos Estados Unidos do século XX.
Nascida numa família de agricultores no Condado de Dinwiddie, Virgínia, em 1930, Gladys rejeitou o destino nos campos de tabaco e algodão, vendo na educação a sua única rota de fuga. Formou-se como primeira da turma no ensino médio e obteve bolsa para a Virginia State College, onde concluiu a graduação e o mestrado em matemática. Em 1956, ingressou no Campo de Provas Naval de Dahlgren, tornando-se a segunda mulher negra contratada pela base e uma das únicas quatro funcionárias negras no local.
Numa era em que a computação ainda engatinhava, West destacou-se pela programação de supercomputadores, como o IBM 7030 Stretch, para analisar dados de satélites. O seu trabalho mais decisivo envolveu a geodesia por satélite: a tarefa hercúlea de modelar matematicamente a forma irregular da Terra, conhecida como geoide. Como gerente do projeto Seasat, o primeiro satélite de sensoriamento remoto dos oceanos, West refinou os cálculos que permitiram medir a superfície terrestre com precisão de centímetros. Sem esse modelo matemático preciso, a tecnologia GPS que hoje guia desde operações militares até a navegação em smartphones seria impossível.
Gladys é considerada a “mãe do GPS” por criar modelo matemático por trás da tecnologia. Especificamente, ela criou um modelo da forma real da Terra, essencial para calcular órbitas precisas de satélites, considerando variações gravitacionais e outras irregularidades. Se hoje é possível se locomover, inclusive por locais desconhecidos, devemos aos cálculos de Gladys.
QUEM FOI GLADYS WEST
Gladys nasceu em outubro de 1930 no estado da Virgínia (EUA). Na época, país vivia segregação. Em entrevista ao Guardian em 2020, ela afirmou que a ciência foi seu passaporte para a liberdade. Ela foi criada em uma fazenda e trabalhava no campo, porém sempre soube que queria fazer algo diferente.
Após se formar no ensino médio, ganhou bolsa para entrar na faculdade. Ela começou a frequentar o curso de matemática na Virginia State College – faculdade historicamente negra, criada para abrigar essa população devido à segregação racial dos EUA.
Para se manter, precisou trabalhar como babá. Apesar de não pagar para estudar, era necessário dinheiro para se manter morando no campus.
Atuou como professora e depois foi trabalhar na Marinha dos EUA. Em 1956, ela foi contratada para o Campo de Provas Naval da Virgínia. Foi a segunda mulher negra contratada como programadora na base onde atuou.
Seu grande feito ocorreu em 1980. Segundo o astrofísico e pesquisador Ethan Siegel, ela programou o computador que calculava o geoide da Terra (a forma do planeta) de forma precisa.
Pioneira do GPS
Em entrevista à agência Associated Press, em 2018, a pioneira admitiu que, na época em que trabalhou com os cálculos que ajudariam a criar o sistema do GPS, não tinha ideia do tamanho da importância que a tecnologia ganharia para a sociedade.
“Quando você está trabalhando todos os dias, não fica pensando: ‘que impacto isto vai ter no mundo?’. Você pensa: ‘preciso fazer isto direito'”, disse ela à AP.
Gladys West nasceu em Sutherland, no estado da Virgínia, em 27 de outubro de 1930. A mãe dela trabalhava em uma fábrica de tabaco, e o pai, na ferrovia.
West passou grande parte da infância trabalhando na fazenda da família, mas sonhava mesmo em se tornar cientista. “”Percebi que precisava receber uma educação para sair dali”, contou ela à AP.
Com muito estudo, conseguiu uma bolsa de estudos integral para o Virginia State College (hoje University), uma universidade pública historicamente negra, onde se formou como a primeira da turma.
West se formou em matemática em 1952 e concluiu o mestrado na área em 1955, pouco antes de iniciar o trabalho na Marinha dos Estados Unidos.
A Marinha contratou West em 1956 para trabalhar com programação de computadores no Campo de Provas Navais, em Dahlgren, na Virgínia.
Segundo o governo americano, Gladys West integrou um pequeno grupo de mulheres que atuava com computação para os militares durante o início da Guerra Fria. O trabalho ajudou a desenvolver a base do Sistema de Posicionamento Global (GPS).
No início dos anos 1960, ela participou de um premiado estudo astronômico que comprovou a regularidade do movimento de Plutão em relação a Netuno.
Depois, a partir da década de 1970, a matemática usou algoritmos complexos para calcular variações nas forças gravitacionais, nas marés e em outros fatores que afetam a forma da Terra.
Ela programou o computador IBM 7030 para gerar cálculos cada vez mais precisos sobre o formato do planeta. Esse modelo serviu de base para a órbita do GPS usada por satélites.
Em 2018, aos 88, foi incluída no Hall da Fama dos Pioneiros do Espaço.
Apesar da magnitude de suas contribuições, Gladys West permaneceu uma “figura oculta” durante décadas. O reconhecimento público só chegou tardiamente, culminando na sua inclusão no Hall da Fama dos Pioneiros do Espaço e Mísseis da Força Aérea dos EUA, em 2018. A sua sede de conhecimento nunca cessou; após aposentar-se e recuperar-se de um AVC, obteve o seu doutoramento aos 70 anos.
Gladys West deixa um legado que transcende a academia. Sempre que um ponto azul pulsa num mapa digital, guiando alguém ao seu destino, é o algoritmo da sua vida que está a operar.
Gladys West morreu aos 95 anos.
A Virginia State University, onde West estudou, e o escritor M.H. Jackson, coautor de sua biografia, lamentaram a morte da matemática.
“Lamentamos profundamente o falecimento da Dra. Gladys West, ex-aluna da VSU, uma pioneira cuja genialidade ajudou a moldar a tecnologia GPS moderna. Seu legado de excelência, inovação e serviço inspirará para sempre”, escreveu a universidade.
“Meu coração está pesado”, escreveu M.H. Jackson, coautor da autobiografia de West, “It Began with a Dream” (“Começou com um sonho”, sem tradução para o português).
“Viramos grandes amigos, e a família dela se tornou a minha família. Se você não conhece essa figura, descubra seu incrível legado e história de vida. Uma mulher humilde, erudita, mãe e dedicada à família que ajudou a mudar o mundo”, completou.
(Direitos autorais reservados: https://veja.abril.com.br/ciencia – CIÊNCIA/ Por Alessandro Giannini – 20 jan 2026)
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