A primeira vez na história que duas mulheres conquistam o prêmio Nobel de Química de maneira conjunta

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Nobel de Química 2020 vai para Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna pelo desenvolvimento do Crispr, método de edição do genoma

 

É a primeira vez na história que duas mulheres ganham, juntas, o Nobel de Química.

 

 

Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna são as ganhadoras do Prêmio Nobel 2020 em Química, anunciou a Academia Real de Ciências da Suécia nesta quarta-feira (7), pelo desenvolvimento do Crispr, método de edição do genoma. — (Foto: Nobel)

 

 

Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna ganharam o Prêmio Nobel 2020 em Química, anunciou a Academia Real de Ciências da Suécia em 7 de outubro, pelo desenvolvimento do Crispr, método de edição do genomaÉ a primeira vez na história que duas mulheres ganham, juntas, o Nobel de Química. As suas pesquisas sobre as “tesouras moleculares”, capazes de modificar os genes humanos, foram consideradas revolucionárias.

Essa é a primeira vez na história que duas mulheres conquistam o prêmio de maneira conjunta. Antes delas, apenas cinco mulheres haviam ganhado a honraria, sendo a última em 2018, com Frances H. Arnold.

  • Emmanuelle Charpentier, francesa de 51 anos, é diretora do Instituto Max Planck de Biologia de Infecções em Berlim.

 

Charpentier falou com a imprensa logo após o anúncio do prêmio e respondeu a uma pergunta sobre ela e Doudna serem as primeiras mulheres a levarem, conjuntamente, o Nobel.

“Eu gostaria de passar uma mensagem positiva a meninas que gostariam de seguir o caminho da ciência. Acho que nós mostramos a elas que, em princípio, uma mulher na ciência pode ter impacto na ciência que elas estão fazendo. Espero que Jennifer Doudna e eu possamos passar uma mensagem forte às meninas”, declarou.

As vencedoras dividirão o valor de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,3 milhões).

Antes de Charpentier e Doudna, cinco mulheres já haviam ganhado o Nobel em Química: Marie Curie (1911), Irène Joliot-Curie (1935), Dorothy Crowfoot Hodgkin (1964), Ada E. Yonath (2009) e Frances H. Arnold (2018).

Para a geneticista brasileira Mayana Zatz, que usa o Crispr em seu laboratório, o Projeto Genoma da USP, a tecnologia descoberta por Charpentier e Doudna é “fantástica”.

“É uma ferramenta absolutamente fantástica para estudar doenças genéticas, e que vai ter aplicação terapêutica num futuro muito próximo – já esta tendo, em doencas hematológicas e câncer”, afirma a cientista.

Com a vitória das duas cientistas, o Prêmio Nobel já tem três laureadas mulheres neste ano. A primeira foi Andrea Ghez, que foi premiada em física com dois cientistas por sua pesquisa em buracos negros.

“Está na hora de as mulheres começarem a ganhar”, afirma Zatz. “Essa nova geração de mulheres que tiveram a possibilidade de fazer pesquisa nas mesmas condições que os homens vão mostrar pAra que vieram. Vao mostrar que têm capacidade de fazer pesquisas revolucionárias”, diz.

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O que é o Crispr?

O Crispr/Cas9 é uma espécie de “tesoura genética”, que permite à ciência mudar parte do código genético de uma célula. Com essa “tesoura”, é possível, por exemplo, “cortar” uma parte específica do DNA, fazendo com que a célula produza ou não determinadas proteínas.

A pesquisa com a descoberta da ferramenta foi publicada na revista científica “Science”, uma das mais importantes do mundo, em junho de 2012.

Usando o Crispr, cientistas podem alterar o DNA de animais, plantas e microrganismos com extrema precisão. A tecnologia “teve um impacto revolucionário nas ciências da vida”, segundo o comitê do Prêmio Nobel, e está contribuindo para novas terapias contra o câncer. A ferramenta também pode tornar realidade o sonho de curar doenças hereditárias (veja infográfico).

 

Entenda o Crispr — (Foto: Betta Jaworski/G1)

 

(Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/10/07 – CIÊNCIA E SAÚDE / NOTÍCIA / Por Lara Pinheiro, G1 – 07/10/2020)

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