Daniel Nathans, foi um pioneiro da indústria biotecnológica e dividiu o Prêmio Nobel de Medicina por sua pesquisa sobre tumores cancerígenos, trabalhou com Robert Loeb, um brilhante clínico e cientista médico, também realizou pesquisas com o eminente farmacologista Oliver Lowry

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Ganhador do Prêmio Nobel

Bioquímico mapeia vias genéticas no caminho para a cura do câncer.

Daniel Nathans (nasceu em Wilmington, em 30 de outubro de 1928 – faleceu em 23 de novembro de 1999 em Baltimore), foi bioquímico, geneticista microbiologista americano, ganhador do Prêmio Nobel.

Nathans, foi um pioneiro da indústria biotecnológica e dividiu o Prêmio Nobel de Medicina por sua pesquisa sobre tumores cancerígenos. Foi agraciado com o Nobel de Fisiologia/Medicina de 1978, por suas descobertas sobre enzimas e suas aplicações na genética molecular.

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 1978 foi atribuído conjuntamente a Werner Arber, Daniel Nathans e Hamilton O. Smith “para a descoberta de enzimas de restrição e sua aplicação a problemas de genética molecular”.

Agraciados: com o Prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina de 1978, por seus estudos a respeito da forma como os genes determinam as características hereditárias, os cientistas Werner Arber, suíço, da Universidade de Basileia, Daniel Nathans (1928-1999) e Hamilton Smith, ambos americanos, da Universidade Johns Hopkins (1795-1873).

Acredita-se que esses estudos poderão, no futuro, ajudar no tratamento de deformações, doenças hereditárias e câncer, em Estocolmo, dia 12 de outubro de 1978.

O Dr. Nathans, conhecido como o pai da biotecnologia moderna, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina de 1978, juntamente com dois colegas, pela descoberta da “tesoura bioquímica” que impulsionou os incríveis avanços da biotecnologia atual.

A aplicação de certas enzimas de restrição pelo Dr. Nathans para separar o DNA em suas partes componentes resultou em avanços como a insulina sintética e o hormônio do crescimento, além de permitir o mapeamento do genoma humano.

Nascido em Wilmington, Delaware, seguiu os passos de seus irmãos e irmãs e ingressou na Universidade de Delaware, onde se formou em química em 1950. O pai de Nathans o incentivou a seguir a carreira de medicina, pois desejava ter um médico na família. O jovem obteve seu título de doutor em medicina em 1954 pela Universidade de Washington, em St. Louis, onde também realizou pesquisas com o eminente farmacologista Oliver H. Lowry (1910 – 1996). Fez sua residência médica no Centro Médico Columbian-Presbyterian, em Nova York.

Lá, ele trabalhou com Robert Loeb, um brilhante clínico e cientista médico, no que Nathans descreveu como dois dos anos mais valiosos de sua vida. Seu fascínio pela pesquisa o levou ao Instituto Nacional do Câncer, em Bethesda, Maryland, para trabalhar nos fatores que controlam a formação de proteínas em certas células cancerígenas. Ele ficou surpreso com o quão pouco se sabia sobre a biologia básica do câncer e com a ineficácia de grande parte da quimioterapia.

Daniel Nathans, bioquímico, nascido em 30 de outubro de 1928, caçula dos oito filhos de Samuel e Sarah Levitan Nathans, o Dr. Nathans graduou-se summa cum laude com distinção em química pela Universidade. Em seguida, estudou medicina na Universidade de Washington em St. Louis, concluiu sua residência no Hospital Presbiteriano de Nova York e, posteriormente, realizou pesquisas em bioquímica na Universidade Rockefeller.

Ao se transferir para a Universidade Johns Hopkins, o Dr. Nathans lecionou no departamento de microbiologia por 37 anos, atuou como chefe do departamento e assumiu o cargo de presidente interino em 1994-95, quando o presidente da universidade renunciou inesperadamente.

Um mentor inspirador para seus inúmeros alunos de pós-graduação, além de um pesquisador talentoso, o Dr. Nathans também se dedicou à arrecadação de fundos para a presidência. De acordo com um artigo do The Baltimore Sun , durante o ano em que o Dr. Nathans atuou como presidente, a “universidade e o hospital receberam um valor recorde de US$ 125,9 milhões de doadores privados”.

Nathans retornou à prática clínica no Columbian-Presbyterian e, em 1959, foi para um dos centros de pesquisa bioquímica mais prolíficos, o laboratório de Fritz Lipmann no Instituto Rockefeller. Lá, ele identificou os fatores de elongação envolvidos na ligação entre aminoácidos, os blocos de construção das proteínas.

O estímulo de trabalhar no laboratório de Lipmann aguçou o interesse de Nathans pela pesquisa bioquímica. Em 1962, ele foi convidado a integrar o departamento de microbiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, uma transição para o ensino e a pesquisa que durou 37 anos. Seu trabalho em genética atraiu jovens pesquisadores brilhantes como Hamilton Smith, Bernard Weiss, Kenneth Berns, Thomas Kelly e John Morrow.

Ao ser convidado para dar uma palestra sobre vírus, Nathans começou a perceber o profundo efeito que vírus simples podiam ter no crescimento das células. Essa constatação influenciou sua pesquisa, primeiro sobre vírus que causavam tumores em animais e depois sobre a forma como as células respondem aos fatores de crescimento — os mecanismos que fazem com que as células se multipliquem normalmente e formem tumores.

Em 1969, seu interesse o levou ao Instituto Weizmann de Ciências em Rehovot, Israel, para trabalhar com as autoridades mundiais Leo Sachs e Ernest Winocour. Lá, ele recebeu uma carta de Hamilton Smith descrevendo uma enzima, a endonuclease de restrição, que Smith havia descoberto na bactéria Haemophilus influenzae. A enzima podia cortar o DNA em comprimentos predeterminados.

Nathans estava trabalhando com o vírus símio 40 (SV40), um pequeno vírus tumoral que causava câncer em primatas e fazia com que células em cultura de tecidos se tornassem cancerosas. Isso o levou a considerar a possibilidade de usar enzimas de restrição para dissecar o DNA de vírus tumorais a fim de localizar os genes específicos que promovem o crescimento tumoral.

De volta a Baltimore, ele explorou, com Stuart Adler, as enzimas de restrição conhecidas por sua capacidade de clivar o DNA do SV40. Eles criaram fragmentos de DNA do SV40 usando a enzima de Hamilton Smith — e enzimas semelhantes descobertas por Kathleen Danna e George Sack — para construir um mapa de clivagem do DNA. Outros colegas usaram o mapa para localizar os genes e sua atividade no DNA do vírus. Eles também usaram as enzimas para quebrar o DNA encontrado em células cancerígenas, em um esforço para descobrir o que as diferenciava das células normais.

Nathan descobriu que a enzima de restrição cortava o vírus símio em 10 locais, criando 11 fragmentos bem definidos. Em seguida, ele usou a técnica de corte para ajudar a determinar onde os genes começavam e terminavam no DNA do vírus. Isso o ajudou a localizar um gene no vírus que dá a ordem para a produção de uma proteína que causa a formação de tumores.

Em 1978, Nathans dividiu o Prêmio Nobel de Medicina com Hamilton Smith e Werner Arber, da Suíça. O comitê de seleção previu que o trabalho dos dois ajudaria na prevenção e no tratamento de malformações, doenças hereditárias e câncer. As enzimas de restrição levaram aos testes pré-natais, hoje padrão, para fibrose cística, anemia falciforme, distrofia muscular, hemofilia e muitas outras doenças genéticas.

O ganhador do Prêmio Nobel, Daniel Nathans, faleceu em 23 de novembro de 1999 em Baltimore, aos 71 anos.

O Dr. Nathans deixa esposa, Joanne, três filhos e seis netos.

(Direitos autorais reservados: https://www.theguardian.com/news/1999/nov/26 – The Guardian/ NOTÍCIAS/ por Pearce Wright – 26 de novembro de 1999)

© 1999 Guardian News & Media Limited ou suas empresas afiliadas. Todos os direitos reservados.

(Fonte: Revista Veja, 18 de outubro de 1978 – Edição 528 – DATAS – Pág: 146)

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