Colin Chapman, dono da equipe Lotus, que venceu setes campeonatos mundiais, um dos maiores gênios da Fórmula 1

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Foi um dos maiores gênios da Fórmula 1

 

 

Colin Chapman

Anthony Colin Bruce Chapman (Londres, 9 de maio de 1928 – Norfolk, Inglaterra, 16 de dezembro de 1982), engenheiro mecânico inglês, o mais talentoso, revolucionário e imitado construtor de carros de Fórmula 1 em todos os tempos. Dono da equipe Lotus, que venceu setes campeonatos mundiais, introduziu inovações nas corridas, como o levíssimo chassi tubular, que elevaram a média de velocidade das competições para mais de 300 quilômetros por hora.

 

O Team Lotus, de Hethel, Inglaterra foi fundada pelo lendário Colin Chapman, um dos maiores gênios da história do automobilismo, ela marcou época com inovações, títulos e grandes pilotos. É dele inovações como o chassi monocoque e o efeito-solo.

 

Fundada por Chapman em 58, a Lotus viu passar por seus carros pilotos da estirpe de Stirling Moss, Jim Clark, Graham Hill, Mario Andretti, Jochen Rind, Emerson Fittipaudi, Ronnie Peterson, Mario Andretti, Carlos Reutmann, Nigel Mansell, Elio de Angelis, Ayrton Senna, Nelson Piquet e Mika Hakkinen.

 

Em 9 de maio de 1928, nascia um dos maiores nomes da história da Fórmula 1: Anthony Colin Bruce Chapman, ou simplesmente Colin Chapman. Engenheiro aeronáutico de formação, Chapman tinha paixão pelas corridas e se tornou um dos mais inventivos projetistas e um dos mais vitoriosos donos de equipe da categoria.

 

Colin Chapman fundou a Lotus Cars, quando tinha apenas 24 anos de idade. Mas naquele momento isso era apenas um passatempo no qual era apoiado por entusiastas de carros. Como curiosidade, o símbolo da empresa tinha as iniciais do nome de Colin, ACBC.

Logo em seguida, ele começou sua trajetória como piloto, em provas de turismo e na Fórmula 2. Em 1956, o ainda piloto Chapman se inscreveu para o Grande Prêmio da França de F1 e conquistou um excelente quinto lugar no grid em Reims. Mas ele não participaria da prova devido a um acidente no último treino.

Graham Hill pilota Lotus-Climax na estreia de ambos na Fórmula 1 — (Foto: Getty Images)

Dois anos depois ele fundou a equipe que se tornaria um dos ícones da Fórmula 1 clássica. Na Lotus, Chapman não era piloto, mas apenas dono e projetista. E os conceitos da aerodinâmica adquiridos como engenheiro aeronáutico mudariam a categoria para sempre:

– Adicionando potência faz você ficar mais rápido nas retas. Subtraindo o peso, você fica mais rápido em todos os lugares.

Colin Chapman conversa com Jim Clark, seu grande amigo nas pistas — (Foto: Getty Images)

 

 

As primeiras vitórias vieram já em 1960, com o inglês Stirling Moss. Desde o começo, Chapman mostrou uma de suas marcas registradas, a de jogar seu boné para o alto ao comemorar as vitórias. No ano seguinte, 1961, a Lotus já chegou ao vice-campeonato de construtores. Mas quem estava destinado dar as primeiras glórias à Lotus era um certo Jim Clark. E com a primeira grande invenção do gênio Chapman na F1: o chassis monocoque, ou seja, construído sob uma única estrutura. Com o modelo 25, Clark venceu três provas e quase foi campeão. Na última prova (África do Sul), Clark liderava quando o motor quebrou por um parafuso mal apertado… Ironicamente, Graham Hill, primeiro piloto oficial da Lotus, em 1958, se sagrou campeão.

Jim Clark pilota a Lotus 25 do título mundial de 1963 — (Foto: Getty Images)

Mas, com uma temporada extraordinária em 1963, Clark conquistou o primeiro título dele e da Lotus, com sete vitórias em dez corridas. Em 1964, o bi escapou na última corrida, mas o escocês somou mais três triunfos. Com o evoluído modelo 33, Clark recuperou o título em 1965, com mais seis vitórias. No mesmo ano, Chapman projetou um Lotus para correr as 500 Milhas de Indianápolis com Clark. E não deu outra: vitória acachapante do escocês.

 

Jim Clark venceu as 500 Milhas de Indianápolis em 1965 — (Foto: Divulgação)

Como todo gênio, Chapman sempre fez apostas ousadas e pagaria caro por isso em 1966. A Lotus usou naquela temporada o ineficiente motor BRM com 16 cilindros em H. Um fracasso retumbante, minimizado com uma escassa vitória de Clark nos Estados Unidos. Mas a reação de Chapman seria rápida: em 1967, depois de voltar aos motores Climax no modelo 33 nas duas primeiras corridas, a Lotus estreou na Holanda uma nova – e excelente – combinação: o novíssimo modelo 49 com motor Ford-Cosworth. Chapman simplesmente convenceu a montadora americana e a preparadora inglesa de motores a construir um propulsor sob medida para o carro. Um tiro brilhante.

Clark voltou a vencer com regularidade – foram quatro triunfos – e brigou pelo título com Denny Hulme e Jack Brabham. Mas alguns abandonos, sendo dois ainda com a antiga Lotus-Climax 33, custaram muito caro, e Clark foi apenas o terceiro no campeonato. Mas a Lotus-Ford 49 mostrou que o título era questão de tempo.

Carro de Jim Clark ficou destruído e escocês não resistiu aos ferimentos — (Foto: Reprodução)

De fato, em 1968, a Lotus foi campeã de pilotos e construtores. Mas não com Clark, que morreu num acidente de Fórmula 2 em Hockenheim. A fatalidade mexeu muito com Chapman, cujo nível de amizade com Clark jamais se repetiria com nenhum outro piloto. De qualquer forma, o show tinha de continuar, e Graham Hill, que voltara à Lotus, se sagrou bicampeão naquele ano.

Apesar do título de Hill, a morte de Clark dava munição aos críticos de Chapman, que o acusavam de negligenciar a segurança dos pilotos ao tirar o máximo possível de peso dos carros, o que os tornaria frágeis. O engenheiro não se importava com as críticas e continuava ousando, como por exemplo na Lotus 63, com tração nas quatro rodas, ou no modelo 56, com uma turbina de avião movida a querosene em vez de um propulsor normal a gasolina. Mas esses casos seriam equívocos monumentais.

Chapman apresentando o modelo 63, de tração nas quatro rodas — (Foto: Getty Images)

O que não foi equívoco algum – e mudaria as finanças da F1 – acabou sendo uma outra ideia genial de Chapman: a adoção das cores de um patrocinador principal na pintura dos carros, no caso dos cigarros Gold Leaf, ainda em 1968. Com o crescimento exponencial de seu orçamento, Colin conseguiu ousar ainda mais em seus projetos.

Hill acelera Lotus durante o GP da Espanha de 1968 — (Foto: Getty Images)

O modelo 49 continuaria competitivo até 1970, quando Chapman apareceu com outra revolução. O projeto da Lotus 72 implantava alguns conceitos aerodinâmicos, como a seção dianteira em formato de cunha, e apresentava soluções como os freios inboard, os radiadores montados nas laterais. Com os novos conceitos, além da maior velocidade em curva, a penetração do ar era tão superior, que era quase 30km/h mais rápido do que o 49 em reta, com o mesmo motor.

A apresentação da Lotus 72, um dos carros mais vitoriosos da história da F1 — (Foto: Getty Images)

 

 

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Com a Lotus 72, Jochen Rindt dominou o campeonato de 1970, mas morreu num acidente durante os treinos do GP da Itália depois de uma falha estrutural, o que voltou a levantar questões sobre os carros construídos por Chapman. O dono da Lotus, diga-se de passagem, foi processado pelo acidente e só seria absolvido anos mais tarde. Rindt foi campeão póstumo, e, apesar dos pesares, a Lotus seguiria competiviva por anos com o modelo 72. Emerson Fittipaldi conquistaria o título de 1972 e a equipe seria bicampeã de construtores (1972 e 1973). Apesar de as demais equipes terem alcançado a Lotus, o 72 só foi definitivamente aposentado em 1975.

 

Emerson Fittipaldi pilota Lotus em 1972 — (Foto: Divulgação/Lotus)

Nesse meio tempo, Chapman tentou mais uma jogada, mas desta vez fracassada. Em 1974, ele desenvolveu o modelo 76, com embreagem elétrica acionada no volante e quatro pedais. Mas como Chapman nunca desistia de inovar, ele voltou a revolucionar ao adotar outro conceito que rompia com os padrões: o modelo 78 tinha um fundo “oco”, com perfil de asa invertida, e minissaias nas laterais para impedir a entrada de ar pelos lados. Como resultado, a pressão aerodinâmica aumentava absurdamente, o que fazia o carro “grudar” no asfalto. Era o chamado efeito-solo.

Colin Chapman com Mario Andretti ao lado do modelo Lotus 79 — (Foto: Getty Images)

Apesar de quatro vitórias em 1977 com Mario Andretti, o título não veio naquele ano por causa de problemas de confiabilidade com o motor Ford. Isso porque, apesar da velocidade absurda em curva, a Lotus 78 tinha mais arrasto nas retas, e o fornecedor de motores tentou extrair mais potência. Mas em 1978 não teve para ninguém, e, com o evoluído modelo 79, a Lotus conquistou seu último título, com um grande domínio de Andretti e Ronnie Peterson, que, no entanto, morreu após acidente na largada do GP da Itália.

Andretti dominou a temporada de 1978 com a Lotus-Ford modelo 79 — (Foto: Getty Images)

Paralelamente à Fórmula 1, Chapman desenvolvia carros-esportes para a Lotus Cars, e isso renderia um enorme escândalo. Com o apoio de John DeLorean, Colin apresentou o Lotus Esprit, um lindo carro. Mas DeLorean se envolveu em diversos escândalos, como prisão por porte de cocaína e dívidas com o governo britânico, e a história respingou em Chapman. Durante anos, o escândalo se desenrolou, o que afetou os trabalhos da Lotus na F1.

Lotus Esprit desenvolvido por Chapman rendeu escândalo — (Foto: Getty Images)

Numa fase em que os carros-asa se desenvolviam muito rapidamente, a Lotus ficou perdida. O modelo 80, que pretendia explorar ainda mais os conceitos do ano anterior, foi mais um fragoroso naufrágio. Com isso, de uma hora para outra, a Lotus passou a ser coadjuvante. Em 1981, Chapman tentou tirar outro coelho da cartola, ao produzir um carro com chassis duplo. Mas a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), considerou o modelo 88 irregular, alegando que a estrutura do chassis era usado com fins aerodinâmicos.

Escândalo De Lorean prejudicou a Lotus nos últimos anos de vida de Chapman — (Foto: Getty Images)

Em 1982, com um novo projeto, o 91, a Lotus teve um ano mediano, mas venceu na Áustria com Elio de Angelis, numa corrida com muitos abandonos. Foi a última vez que Chapman atirou o boné para o alto. Ainda por causa do escândalo DeLorean, Chapman estava prestes a ser preso quando morreu no dia 16 de dezembro daquele mesmo ano após um infarto fulminante.

Depois da morte de Colin Chapman, Peter Warr (centro) passou a comandar a Lotus — (Foto: Getty Images)

Peter Warr assumiu o controle da Lotus, que renasceu após acertar contratos de fornecimento de motores com Renault (1983 a 1986) e Honda (1987 e 1988). No entanto, a equipe entrou em decadência e fechou as portas em 1994. Em 2010, o nome Lotus voltou como escuderia à F1 por intermédio de um grupo malaio. Mas houve uma batalha jurídica pelos direitos e, entre 2011 e 2015, o nome passou para a antiga equipe Renault, que reassumiu o controle em 2016.

 

Ayrton Senna Lotus GP de Portugal de 1985 — (Foto: Divulgação/Lotus)

 

 

Mas e qual teria sido o destino de Chapman se tivesse sobrevivido? Bem, durante anos circulou uma bizarra teoria da conspiração de que Chapman na verdade não tinha morrido, mas sim fugido para a Amazônia, onde teria vivido as décadas seguintes. Uma invenção tão incrível como as invenções de Chapman na pista.

Colin Chapman faleceu dia 16 de dezembro de 1982, aos 54 anos, de ataque cardíaco, em Norfolk, Inglaterra.

(Fonte: Veja, 22 de dezembro de 1982 – Edição 746 – DATAS – Pág; 99)
(Fonte: https://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/blogs/f1-memoria/post/2018/05/19 – MOTOR / FÓRMULA 1 / F1 MEMÓRIA / Por Fred Sabino / GloboEsporte.com — Rio de Janeiro – 19/05/2018)

 

 

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