A primeira mulher que a Igreja Católica inclui na categoria de profeta

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É a primeira mulher que a Igreja Católica inclui na categoria de profeta

Alemã ícone do feminismo é reconhecida como santa pelo papa

Freira Hildegard von Bingen, que viveu no século 12, é admirada por feministas por ter se imposto como intelectual em plena Idade Média e por quebrar padrões da época

Apesar da fama de conservador, o Papa Bento XVI acabou de reconhecer a santidade de uma freira alemã que foge completamente do padrões femininos da sua época e cujo caráter polêmico tornou-a fonte de inspiração para as mais modernas feministas. Hildegard von Bingen, que viveu no século 12, já era reverenciada como santa e venerada por muitos católicos, principalmente na Alemanha, mas sua canonização só foi oficializada no dia 10 de maio de 2012.

Bento XVI já vinha dando sinais do seu apreço pela figura de Hildegard há algum tempo. Foi a descrição de uma das visões da freira alemã que o sumo pontífice escolheu para condenar a conduta dos padres acusados de abuso sexual, na sua mensagem de Natal* para os religiosos do mundo todo, em 2010.

Para Bento XVI, “Na visão de Santa Hildegarda, o rosto da Igreja está coberto de pó, e foi assim que nós o vimos. O seu vestido está rasgado, por culpa dos sacerdotes”.

Hildegard von Bingen não é só mais uma santa da Igreja Católica. É a primeira mulher que a Igreja Católica inclui na categoria de “profeta”, o que vai colocá-la na lista dos santos que devem ser cultuados pelos católicos em todo o mundo.

De acordo com a agência de notícias Religion News Service, Bento XVI deve elevar ainda mais o status da sua compatriota, que morreu em 1179. O papa estuda incluir Hildergard no seleto grupo de “doutores da igreja”, que congrega os santos que, além da santidade, contribuíram com textos e pregações para a formação e o enaltecimento do cristianismo. São Tomás de Aquino e Santo Antônio de Pádua, por exemplo, fazem parte desta categoria. Apenas outras três mulheres mereceram a honraria: Santa Teresa de Ávila, Santa Catarina de Siena e Santa Teresa de Lisieux.

A decisão do Vaticano joga luz sobre a trajetória de uma mulher que viveu à frente de seu tempo e que teve uma atividade intelectual extraordinária, em plena Idade Média. A lista de suas ocupações já é admirável. Hildegard foi pintora, dramaturga, compositora, teóloga, escritora, pregadora e monja beneditina.
Além disso, Hildegard ainda atuava informalmente como médica. Textos dela sobre ciências naturais e medicina até hoje são citados em trabalhos acadêmicos que tratam destes temas. A freira ainda foi pioneira na sistematização do uso de algumas ervas medicinais.

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A Santa feminista
Hildegard é admirada pelas feministas por ter conseguido se impor intelectualmente num período em que as opiniões das mulheres não eram pedidas e nem sequer consideradas, tanto dentro quanto fora da igreja. A alemã aproveitava o isolamento das celas (quartos) dos conventos em que viveu, para estudar e escrever. Muitos dos seus escritos eram ilustrados por ela própria.

Impressionado com os textos religiosos da alemã, o papa Eugenius III foi responsável por dar visibilidade às ideias da freira, que também provocava polêmica ao combater os privilégios dos clérigos. Eugenius também reconheceu como verdadeiras as visões que Hildegard tinha e permitiu que ela pregasse em público. Hildegard tornava-se assim uma mulher com uma estatura absolutamente incomum na sua época.

Nessa posição inédita, ela ousou ao criticar publicamente governos e autoridades religiosas. Sua postura atuante chamou a atenção de muitas estudiosas modernas do feminismo, como a teóloga americana Rosemary Radford Ruether, que chamava Hildegard de “feminista cristã”.

Freira, visionária, clarividente

Os historiadores não chegaram a um consenso para descobrir em que circunstâncias Hildegard foi para o convento.

Mas uma das versões mais conhecidas conta que, aos oito anos de idade, ela foi “doada como dízimo” à igreja por ser a décima filha do casal Hildebert e Mechtild, que eram membros da pequena nobreza da cidade alemã de Bermershein.

Também é possível que ela tenha sido mandada para o convento por causa das visões que tinha desde a infância e que ela tentava esconder com medo da reação dos familiares.

Aos 16 anos, segundo relatos, Hildegard teria feito seus votos definitivos como freira. Até a sua morte, aos 81, ela foi ativa nas pregações religiosas e na sua atividade intelectual.
Entre todas atividades da freira, o lado compositora dela é o que mais se destaca nos dias atuais. Seu trabalho na área ainda é muito respeitado entre os admiradores da música clássica e sacra.

O álbum “Vision: The Music of Hildegard von Bingen”, lançado em 1994, como versões das canções da alemã, chegou ficar dezesseis semanas no topo parada da categoria de música clássica crossover da revista Billboard.
Em 2009, a produção alem㠓Visão: Da Vida de Hildegarda de Bingen” retratou toda essa intensa vida da religiosa, com a atriz alemã Barbara Sukowa representando-a no filme.

(Fonte: www.delas.ig.com.br – Comportamento/ Por Ricardo Donisete (iG São Paulo) – 16 de maio de 2012)

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