Cecil Beaton, fotógrafo oficial da família real inglesa, autor de quase vinte volumes de crônicas.

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Cecil Beaton (Hampstead, Londres, 14 de janeiro de 1904 – Wiltshire, 18 de janeiro de 1980), fotógrafo oficial da família real inglesa, autor de quase vinte volumes de crônicas e fotos, premiado com três Oscar pelos cenários e figurinos de “Gigi” e “My Fair Lady”.

Irônico, elegante, irreverente, falando sempre em voz alta e dicção perfeita, ele conseguiu fotografar e conviver com quase todas as figuras que fizeram as artes e a vida mundana dos últimos cinquenta anos. Em suas memórias, no entanto, preferiu contar os detalhes da vida de seus amigos deixando sua própria para as entrelinhas.

Alguns de seus retratos são clássicos, como os duques de Windsor no dia do casamento, e ele gostava de retratar gente das artes ou pessoas especiais. Seu único assessório era um obsessivo cuidados com os efeitos de luz, tratada à maneira de antigos pintores.

Seu estilo foi manter-se fiel à Renascença Italiana, aos pré-rafaelitas e às imagens dos balés russos. Mas, além disso, realizou 40 000 fotografias da II Guerra Mundial, doadas para o Imperial War Museum. “Creio que é a maior coleção já feita por uma única pessoa, num único museu”, ele escreveu em seu diário.

CHAMPANHA COM LARANJA – As fotos de guerra são diretas, dramáticas, o oposto de suas memórias, em que, além de Picasso, Vivien Leigh, Marlene Dietrich ou Noel Coward, a figura mais famosa é Greta Garbo. Ele fotografou-a para o Vogue nos anos 40, quando começou o mistério de sua retirada do cinema e conta no volume de suas memórias dedicado aos “Happy Years” (1944/1948) como a conheceu e o que aconteceu em seu tumultuado romance com vários intervalos, até 1947. Beaton foi o único romance conhecido de Garbo e ela teve uma frase famosa sobre Cecil: “Foi o único homem a quem permiti que tocasse em minhas vértebras.”

“Na Califórnia” – ele escreveu, nos anos 30 – “tomávamos Bellinis”, um coquetel de champanha com suco de laranja, e foi então que nos torna-mos muito íntimos.” Em 1947, tornou-se famosa a história de Beaton tentando ficar a sós com Garbo e esta sempre escoltada por um homenzinho desconhecido e implacável que a acompanhou até no rompimento final do romance, na Califórnia.

A primeira máquina fotográfica de Cecil foi presente de sua governanta e, aos 12 anos, ele ganhou uma Folding Pocket Kodak. Graças a um trio de atores, a família Sitwell (Osbert, Edith e Sacheverell), começou a fotografar gente famosa e da nobreza.

Em 1928, contratado pela Vogue, viajou para Hollywood e Nova York. De sua primeira musa, Edith Sitwell (1887-1964), fez fotos célebres e em 1930 lançou o primeiro livro, “The Book of Beauty”. A partir dessa época, foram quase vinte volumes, incluindo teatro, cinema, dança, as memórias e ainda um livro de moda, “The Glass of Fashion” e “Persona Grata”, em parceria com Kenneth Tynan (1927-1980).

Em um endereço fácil, um portão baixo no jardim, mas só pessoas muito especiais entravam em Broad Chalke, o casarão de tijolos vermelhos perto de Salisbury onde Sir Cecil Beaton hospedou Greta Garbo numa rápida temporada romântica e de onde escreveu suas reveladoras memórias. Neste mesmo casarão, o fotógrafo morreu de um ataque cardíaco, em 18 de janeiro de 1980, dias depois de completar 76 anos.

(Fonte: Veja, 30 de janeiro de 1980 – Edição 595 – FOTOGRAFIA/ Por CASIMIRO XAVIER DE MENDONÇA – Pág: 46)

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