Berta Loran, atriz consagrada em programas de humor
Artista tinha uma carreira de mais de 70 anos no teatro, cinema e na TV.
Ícone do humor brasileiro, artista marcou gerações com irreverência e pioneirismo na TV e no teatro
Berta Loran (nasceu em Varsóvia, na Polônia, em 1926 — faleceu em 28 de setembro de 2025 em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro), atriz e comediante que marcou gerações na televisão brasileira, foi um dos nomes mais icônicos do humor brasileiro.
Com seu estilo irreverente, a artista fez história ao se tornar uma das primeiras mulheres a trabalhar com humor em um período dominado por homens. Fora as esquetes de comédia, se destacou pela atuação em outros formatos, como novela e minissérie.
A artista nascida em Varsóvia, na Polônia, em 1926, veio para o Brasil com 9 anos e se consagrou em programas de humor na TV Globo. A intérprete tinha 99 anos e uma carreira de mais de 70 anos.
Berta imigrou ainda criança para o Brasil com a família, fugindo da perseguição contra judeus na Europa. Eles se estabeleceram no Rio de Janeiro, onde despertou sua vocação para as artes. Foi no teatro de revista que conquistou o público com sua irreverência e talento cômico.
Estreou na televisão no programa Espetáculos Tonelux, da TV Tupi. Em 1963, foi contratada pela TV Record Paulista, mas rapidamente retornou aos palcos com o musical Como Vencer na Vida sem Fazer Força, de Shepherd Mead, dirigido por Augusto César Vannuci.
Em 1966, foi convidada por Boni para trabalhar na TV Globo e integrar o elenco fixo do humorístico Bairro Feliz. A partir daí, participou de mais de quinze programas de humor, oito novelas e diversas peças de teatro.
Na dramaturgia, estreou ao lado de Ary Fontoura em “Amor com Amor se Paga” (1984), de Ivani Ribeiro. Fez participações em grandes obras como “Cambalacho” (1986), “Cama de Gato” (2010), a segunda versão de “Ti-Ti-Ti” (2011), “Cordel Encantado” (2011) e “A Dona do Pedaço” (2019).
A atriz entrou para a TV Globo em 1966 e participou dos principais programas humorísticos da emissora: Riso Sinal Aberto (1966), Balança Mas Não Cai (1968), Faça Humor, Não Faça Guerra (1970), Satiricom (1973), Planeta dos Homens (1976), Escolinha do Professor Raimundo (1990), Zorra Total (1999) e A Grande Família (2012).
Berta também esteve em novelas, como Amor com Amor se Paga (1984), Cambalacho (1986), Cama de Gato (2010), a segunda versão de Ti-Ti-Ti (2011), Cordel Encantado (2011) e A Dona do Pedaço (2019).
Loran também se destacou no cinema e no teatro.
A atriz considerava que a habilidade de atuar com humor era um dom especial dos intérpretes.
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Berta Loran como Frosina na novela ‘Amor com amor se paga’, ao lado do ator Ary Fontoura — Foto: Acervo TV Globo
“Você pode perder apartamento, joia, dinheiro, e até um grande amor – 30 anos depois, quando você o reencontra, dará graças a Deus que o perdeu. Agora, o humor não pode ser perdido. Humor é tudo na vida”, disse Berta Loran em entrevista ao Memória Globo.
O dom da atuação veio da família. Batizada como Basza Ajs, ela nasceu em Varsóvia no dia 23 de março de 1926 e adotou o nome de Berta quando chegou ao Brasil.
No ‘Conversa com Bial’, Berta Loran relembrou papel de destaque no início da carreira
O pai era alfaiate e ator, acostumado a se apresentar para a comunidade judaica no Brasil. Berta frequentava os espetáculos desde pequena e, aos 14 anos, atuou nos palcos pela primeira vez.
“Eu sempre fui trapalhona, traquina, sapeca, danada. Com 14 anos, botei o salto alto da minha mãe e subi no palco. Quebrei o salto e saí mancando. O povo começou a rir. E eu gostei! Pensei comigo: ‘o bom é fazer rir’”, contou Berta.
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Berta Loran na Escolinha do Professor Raimundo — Foto: TV GLOBO / CEDOC
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Berta Loran e Rogério Cardoso atuaram no programa ‘Balança mas não cai’ — Foto: Acervo TV Globo
Em 2016, ao completar 90 anos, foi homenageada com o livro Berta Loran: 90 Anos de Humor, escrito pelo produtor João Luiz Azevedo.
Nos últimos anos, Berta viveu de forma mais reclusa, afastada da imprensa e com um perfil mais reservado. Com quase 80 anos de carreira, testemunhou todas as fases da televisão brasileira e as transformações do audiovisual no país.
Berta Loran morreu na noite do domingo (28) em um hospital particular em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
A artista estava internada em uma unidade de saúde particular em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Ela completaria 100 anos em março de 2026.
(Direitos autorais reservados: https://gente.ig.com.br/celebridades/2025-09-29 – GENTE/ CELEBRIDADES/ Por Mateus Siqueiras | 29/09/2025)
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