Pela primeira vez mulher assume comando da Polícia Militar do Paraná

0
Powered by Rock Convert

Pela 1ª vez em 163 anos, mulher assume comando da Polícia Militar do Paraná

Em entrevista à RPC, em 11 de abril, Audilene Rocha falou sobre corrupção na polícia e sobre sensação de insegurança.

 

Em entrevista à RPC, em 11 de abril de 2018, Audilene Rocha falou sobre corrupção na polícia e sobre sensação de insegurança (Foto: Reprodução/RPC)

 

Mulher assume comando da PM do Paraná pela 1ª vez em 163 anos

Em entrevista, Audilene Rocha falou sobre corrupção na polícia e insegurança.

A coronel Audilene Rocha assumiu em 11 de abril de 2018, o comando da Polícia Militar do Paraná (PM-PR). Em 163 anos, é a primeira vez que a PM-PR é comandada por uma mulher.

Primeira mulher a ocupar a posição da força, ela substitui o coronel Maurício Tortato, que assume o cargo de Secretário Chefe da Casa Militar da Governadoria do Estado.

De infância humilde em Assis Chateaubriand, no Oeste do estado, foi mirando-se no exemplo da mãe – que colocava a comida na mesa para os cinco filhos trabalhando em uma olaria –, que aprendeu a não baixar a cabeça diante dos desafios que encontrou pelo caminho.

Ao longo da carreira, Audilene viu mudanças acontecendo gradualmente para acomodar as mulheres, que há 41 anos fazem parte da corporação. A coronel conta que quando foi para Maringá, ainda aspirante, não havia alojamento nem banheiro femininos. Em ação, também precisou pular muros usando saia e meia fina – como era o uniforme feminino à época.

Trajetória

 

A vontade de ajudar os outros, o gosto pelo estudo e o exemplo do irmão mais velho – hoje sargento da reserva – foi o que a motivou, aos 17 anos, a mudar-se para Curitiba e fazer o curso da Escola de Oficiais.

Ao longo das três décadas seguintes, fez questão de passar por todos os cargos da carreira e ocupou a chefia do 3º Comando Regional de Maringá, da Seção de Inteligência
do 4º Batalhão de Maringá e outros setores. Foi também em Maringá que Audilene conheceu a governadora Cida Borghetti, então primeira-dama da cidade.

A soma do currículo de peso aos 30 anos de amizade resultou na indicação à posição máxima da gestão da PM.

Quando ingressou na academia, em 1985, a coronel Audilene Rocha não imaginava que chegaria aonde está hoje: à frente do comando-geral da PM-PR (Polícia Militar do Paraná). Ela assumiu o cargo em 11 de abril, às 9h, na Academia Policial Militar do Guatupê.

Em entrevista à RPC, Audilene falou sobre a corrupção dentro PM, sobre a sensação de insegurança dos cidadãos e sobre um novo aplicativo em desenvolvimento que promete ao cidadão acionar a polícia com mais facilidade.

Confira abaixo a entrevista.

1. Quais são as primeiras ações no comando da PM?

Primeiro, nós temos um comando de continuidade. Eu estava trabalhando no planejamento, na chefia do Estado-Maior. Nós vamos continuar esse trabalho, visando uma melhoria cada vez mais: nivelamento de conhecimento de policiais; na sequência, nós teremos a entrega de novas viaturas; e a gente pretende continuar implementando o policiamento.

2. Em relação à estrutura dos policiais militares para que eles possam trabalhar. A gente mostrou que policiais militares entraram na Justiça para tentar conseguir coletes à prova de bala novos. Tem policial que trabalhou o ano de 2017 inteiro com coletes vencido. O que é que vai ser feito nesse caso? E essas reclamações de falta de estrutura da Polícia Militar?

A Polícia Militar não é órgão orçamentário e ela não define exatamente o momento de compra. Então, não depende dela a realização das compras. Mas o processo já está em fase de conclusão. As duas primeiras empresas não tiveram os coletes aprovados e foi chamada a terceira empresa, agora, para que possa fazer o teste antes de ser concluída a compra.

3. Tem algum prazo para isso?

Tem o prazo normal, de recurso, que consta nos editais, para que ela apresente as amostras, façamos os testes e, aí, ela tem o prazo para fazer a apresentação dos coletes para a Polícia Militar.

4. A senhora acredita que é possível fazer algum tipo de planejamento para evitar que o policial não tenha que passar por isso, trabalhar com colete vencido?

Sem dúvidas. O planejamento foi feito, na verdade, foi apresentado desde 2016, 2017. Os planejamentos foram apresentados, mas a definição – de que momento que compra e de que verba vai ser usada para comprar – não é da Polícia Militar. Nós não temos essa autonomia para essa decisão. Então, fica a cargo de outros órgãos essa decisão de compra.

5. Em relação às Unidades Paraná Seguro (UPS), um projeto de 2011, os policiais instalados em contêineres, de maneira improvisada. A população reclama, muitas vezes, que continua se sentido insegura, mesmo morando perto de uma UPS. Qual é o futuro desse projeto, coronel?

Nós estamos fazendo estudos. Eu estou assumindo agora, já estamos fazendo estudos e nós vamos reunir, na sequência, para definir o que podemos fazer para melhorar esse policiamento e para que, realmente, a comunidade se sinta mais segura tendo o policiamento na sua região. Estão sendo feitos estudos e, na sequência, nós devemos apresentar alguma coisa.

4. Sobre a corrupção na Polícia Militar. Quatorze policiais rodoviários foram presos em fevereiro em uma operação em Francisco Beltrão, suspeitos de cobrar propina nas estradas da região. Há vídeos dos flagrantes. O que a senhora achou dos vídeos divulgados e como combater essa questão da corrupção dentro da corporação?

Quando o policial militar ingressa, ele faz um juramento de servir, de proteger, faz um juramento de honra, faz um juramento de idoneidade, probidade. Esses policiais não cumpriram com esse juramento. E, durante esse inquérito, será comprovado o que eles fizeram e o que eles deixaram de fazer, embora já tenham imagens.

Concluído o inquérito, eles serão submetidos a processos administrativos para verificar se eles poderão ou não permanecer na corporação. Terão todos os direitos à defesa, ampla defesa, contraditória, como é previsto legalmente.

Mas eles serão submetidos, já estão submetidos, ao processo inicial, que é inquérito, e, na sequência, processos administrativos para ver a condição ou não da permanência na corporação.

Policiais rodoviários estaduais foram flagrados recebendo dinheiro de motoristas; eles foram presos em fevereiro deste ano (Foto: Reprodução/RPC)

 

5. Em relação à sensação de segurança que a população, muitas vezes, reclama. A gente tem a região central, onde comerciantes têm fechado as portas em várias ruas, com assaltos seguidos dia após dia. O que é que vai ser feito em relação ao policiamento nas ruas para que a população não se sinta tão insegura?

Em 2017, nós já fizemos várias operações específicas, em locais específicos. Em 2018, nós vamos implementar e ampliar um pouco mais essas operações, visando justamente o combate a esse tipo de delito.

Porque a prevenção nós vamos fazer com muita abordagem, operações, abordagens. Porque é o único jeito de você inibir a prática delituosa, identificar pessoas com armas ou com outros objetos ilícitos e retirá-los das ruas. Então, nós faríamos a implementação, na sequência, nós estaremos recebendo novas viaturas, novos equipamentos. E isso vai facilitar.

No mês que vem, nós já devemos apresentar um app que está sendo desenvolvido pela Polícia Militar para que o cidadão possa acionar a polícia pelo seu próprio equipamento. Se ele tiver internet, já será localizado onde está, e isso vai agilizar a localização dessa pessoa onde ocorreu o fato, sem que ela precise ligar para o 190 e entrar na fila de espera.

(Fonte: https://paranaportal.uol.com.br/cidades – CIDADES / Por Metro Curitiba – 

(Fonte: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia – PARANÁ – NOTÍCIA – RPC / Por RPC Curitiba 11/04/2018)

Powered by Rock Convert
Share.