Werner Schröter, foi o primeiro cineasta alemão a conquistar o maior prêmio do festival, o Urso de Ouro

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Diretor pioneiro do cinema gay

Cineasta realizou filmes vencedores nos festivais de Berlim e Veneza.

 

 

Imagem do diretor alemão Werner Schroeter (Foto: AFP)

 

 

Werner Schröter (Turíngia, Alemanha, em 7 de abril de 1945 – Kassel, Alemanha, em 12 de abril de 2010), cineasta, diretor de cinema e teatro alemão cujo talento para visuais suntuosos e emoções intensas injetou uma dose de ópera no novo cinema alemão dos anos 70.

Um dos pioneiros do cinema gay, o diretor Schroeter teve seu filme “Malina” (1991) indicado a Palma de Ouro de Cannes. O cineasta também ganhou o Urso de Ouro do Festival de Berlim em 1980, por “Palermo oder Wolfsburg”.

Em 2008, ele recebeu um prêmio especial em Veneza pelos 40 anos de carreira. No começo de 2010, o diretor ganhou o prêmio Teddy no Festival de Berlim, também pelo conjunto de sua obra.

Schroeter, que tinha 65 anos, escreveu mais de 80 peças de teatro e rodou mais de 30 filmes, entre eles “Palermo ou Wolfsburg”, de 1980, e “Malina”, de 1991. Sua última obra, “Esta Noite”, estreou em 2009 no Festival de Veneza, onde também foi premiada.

Schröter havia sido homenageado durante o festival de cinema de Berlim, em fevereiro de 2010, recebendo um prêmio pelas realizações de sua carreira. Em 1980, foi o primeiro cineasta alemão a conquistar o maior prêmio do festival, o Urso de Ouro, por seu estilizado longa Palermo ou Wolfsberg, sobre um operário siciliano e sua frustrada tentativa de entrar na Alemanha como “trabalhador convidado”.

Estava entre os competidores do Festival de Veneza de 2008, com o filme Nuit de Chien (Noite de Cão), baseado em Juan Carlos Onetti (1909-1994), tendo o francês Pascal Greggory como protagonista.

Nascido na Turíngia, centro da Alemanha, em 7 de abril de 1945, Schröter estudou psicologia por algum tempo na Universidade de Mannheim, e também passou por algumas semanas de curso na Escola de Cinema e Televisão de Munique, antes de abandonar os estudos. Começou a realizar filmes experimentais em oito milímetros em 1967, inspirado pelo cinema underground de Nova York. Um de seus temas frequentes era a cantora de ópera Maria Callas, que dominava sua imaginação.

Em 1969, o longa Eika Katappa, de Schröter, conquistou o prêmio Josef von Sternberg, no Festival Internacional de Cinema de Mannheim, e deu início a uma nova fase em sua obra, na qual fragmentos de narrativa começam a surgir em meio a densos aglomerados de sons enigmáticos e imagens alegóricas.

Trabalhando frequentemente com a atriz Magdalena Montezuma (1942-1984), cuja beleza morena e angulosa lembrava Callas, Schröter criou uma série de longas filmados em 16 milímetros, entre os quais Salome (1971), A Morte de Maria Malibran (1971) e Willow Springs (1973), que consideravam gênero e identidade como uma forma de performance ¿um conceito que àquela altura vinha ganhando força na filosofia pós-moderna.

Com Reino de Nápoles (19878), Schröter começou a trabalhar em 35 milímetros, um suporte que permitia maior controle de cor e textura. Visualmente, seus filmes adquiriram uma qualidade madura, quase sobrecarregada, com cores profundamente saturadas explodindo contra fundos escuros.

Palermo ou Wolfsburg, o filme que o revelou, era um épico de 175 minutos que envolvia três estilos distintos -neo-realismo italiano, melodrama hollywoodiano e teatro do absurdo-, para acompanhar o itinerário do desafortunado protagonista do sul ao norte, da pobreza à prosperidade e da liberdade ao aprisionamento.

A colaboração final entre Schröter e Montezuma, O Rei das Rosas, foi a primeira na qual ele tratou abertamente da homossexualidade. Filmado em Portugal e pontuado por imagens alucinatórias, música em estilo de ópera e exageros de interpretação, o filme narra a história de um horticultor cujo amor pela mãe só é superado por sua obsessão com relação a um belo trabalhador, cuja beleza o jardineiro tenta ampliar por meio de um enxerto de rosas no corpo do jovem. O filme parece a um só tempo uma paródia do romantismo alemão e sua lógica e mórbida culminação.

Depois da morte de Montezuma, em 1984, Schröter trabalhou com a atriz francesa Isabelle Huppert em dois filmes de ficção, Malina (1990) e Deux (2001), mas passou a dedicar seu tempo cada vez mais ao teatro e documentários. Seu Poussières d’amour (1996) uniu as divas Martha Mödl (1912-2001), Rita Gorr (1926-2012) e Anita Cerquetti (1931-2014) em uma abadia do século 13 para um debate sobre arte, vida e velhice. Em A Rainha (1999), Schröter entrevista a atriz Marianne Hoppe (1909-2002), cuja carreira começou com Max Reinhardt (1873-1943), floresceu na era nazista e se encerrou em 1997 com uma última temporada no Berliner Ensemble.

O último filme de Schröter foi Esta Noite, uma fantasia sombria passada em um futuro totalitário que recebeu críticas desfavoráveis e foi pouco visto fora da Europa.

Werner Schröter faleceu em Kassel, Alemanha, em 12 de abril de 2010, em decorrência de um câncer. Ele tinha 65 anos.

(Fonte: http://m.terra.com.br/noticia – NOTÍCIA/ GENTE/ por: The New York Times/ Dave Kehr – 22 de abril de 2010)

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada – FOLHA DE S.PAULO/ ILUSTRADA/ CINEMA – 14 de abril de 2010)

(Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Cinema – CINEMA – CINEMA EUROPEU / Do G1, em São Paulo – 13/04/10)

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