Tereza Costa Rêgo, foi um dos maiores nomes da arte modernista em Pernambuco, foi contemplada com três prêmios do Museu do Estado e outro da Sociedade de Arte Moderna

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A política e o feminino marcaram a obra da artista plástica Tereza Costa Rêgo

 

Pintora revolucionária, e engajada que marcou as artes plásticas

 

Retrato da artista plástica Tereza da Costa Rêgo, em sua casa em Olinda, em 07.10.2016. – (FOTO: SÉRGIO BERNARDO/ACERVO JC IMAGEM)

 

Tereza Costa Rêgo (Recife, Pernambuco, 28 de abril de 1929 – Graças, na Zona Norte do Recife, 26 de julho de 2020), artista plástica, influenciou gerações e é um dos maiores nomes do modernismo pernambucano, foi um dos maiores nomes da arte modernista em Pernambuco.

 

Nascida na aristocracia recifense, a pintora Tereza Costa Rêgo pôde desenvolver a sua arte desde nova, quando aos 15 anos ingressou na Escola de Belas Artes, mas os seus traços autoriais só começaram a se consolidar a partir de uma série de mudanças na sua vida pessoal. O envolvimento com questões e feministas permeiam toda a sua obra e contribuíram para a criação de uma poética singular atravessada pelo desejo e pela liberdade.

 

Um dos fatos mais marcantes dessa reviravolta foi a decisão de deixar seu marido para viver o amor com Diógenes Arruda Câmara, então dirigente do Partido Comunista do Brasil, com quem se muda para São Paulo. O desquite e o seu posicionamento político à esquerda marcaram o rompimento de Tereza com a alta sociedade pernambucana.

 

Com a o golpe militar em 1964, passa a viver na ilegalidade, posteriormente exilando-se no Chile em 1972, onde também presenciou a instauração de outra ditadura com a deposição de Pinochet. Com Diógenes, se refugia na França, onde passa a usar o nome Joanna e cursa o mestrado em História na Universidade Sorbonne.

 

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História

A pintora era filha de uma família tradicional da aristocracia rural pernambucana, Tereza começou a pintar ainda criança. Aos 15 anos ingressou na Escola de Belas Artes, no Recife. Foi casada durante 14 anos.

 

Dedicada quase que exclusivamente à pintura, foi contemplada com três prêmios do Museu do Estado e outro da Sociedade de Arte Moderna. Em 1962, realizou a primeira grande exposição, na Editora Nacional.

No mesmo ano, envolveu-se com o dirigente do Partido Comunista Diógenes Arruda e deixou o Recife. Em São Paulo, por motivos políticos, viveu na clandestinidade até 1969, quando seu companheiro foi preso. Aproveitou o tempo fora para se dedicar à arte e aos estudos, formando-se em história na USP.

Ela passou a dar aulas de História para vestibulandos e a trabalhar como paisagista em um escritório de planejamento. Em 1972, quando Diógenes foi libertado, o casal seguiu exilado para o Chile, mas com o golpe militar naquele país fez com que eles voltassem a se mudar.

Tereza e seu companheiro passaram seis anos em Paris, na França. Em nenhum momento ela parou de pintar. Expôs seus quadros, assinando com o nome de Joanna. Fez doutorado em História, na Escola de Altos Estudos da Sorbone, também na França.
De volta ao Brasil, em 1979, Diógenes não resistiu e morreu de ataque cardíaco. Tereza firmou-se como artista plástica de destaque em Pernambuco. Comprou uma casa em Olinda, onde morava e pintava.

Fez mestrado em História na UFPE e trabalhou na Prefeitura de Olinda. Foi diretora do Museu Regional e, por 12 anos, do Museu do Estado de Pernambuco. São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa, Paris e Cuba, entre outros lugares, foram cenário para as exposições da artista.

Com a anistia política, Tereza retorna ao Brasil em 1979, mudando-se para Olinda após a morte precoce de seu companheiro. Na sua casa na Rua do Amparo, se dedica com afinco à sua arte e começa a dar corpo à sua obra, ensolarada, tropical, hormonal e política.

Uma das artistas visuais mais importantes de Pernambuco e do Brasil – ainda que o país lhe deva um reconhecimento na dimensão de seu trabalho -, que com suas cores vibrantes e traços inconfundíveis, ela criou uma poética singular atravessada pelo desejo e pela liberdade, desafiou convenções machistas e posicionou-se contra as injustiças sociais.

Tanto na sua vida pessoal quanto na sua arte, Tereza Costa Rêgo transgrediu todos os papéis que o patriarcado tentou lhe impor. Nascida na aristocracia recifense, foi criada sob uma educação rígida e repressora e o talento para a pintura era visto pela família mais como um “dote” que poderia agregar nos atributos por um bom matrimônio do que como uma possibilidade de carreira.

Aos 15 anos, ela entra na Escola de Belas Artes, onde estuda com mestres como Lula Cardoso Ayres e Vicente do Rêgo Monteiro, além de desenvolver amizade com contemporâneos como Francisco Brennand, Reynaldo Fonseca e Aloísio Magalhães. Mas, ao contrário de seus pares, tinha algumas restrições, como a proibição dos pais de frequentar as aulas de modelo nu.

Sua habilidade artística já era reconhecida e, em 1962, Terezinha, como assinava à época, já havia conquistado três prêmios do Museu do Estado e um da Sociedade de Arte Moderna. Mas, aquelas telas ainda estavam longe de representar o que, de fato, viria a ser a poética da pernambucana. Esses traços autorais só viriam a se consolidar anos depois, após várias reviravoltas na vida pessoal, entre elas a decisão de deixar seu marido para viver o amor com Diógenes Arruda Câmara, então dirigente do Partido Comunista do Brasil, com quem se muda para São Paulo.

O desquite e o posicionamento político à esquerda marcaram o rompimento de Tereza com a alta sociedade pernambucana. Com a o golpe militar em 1964, passa a viver na ilegalidade, posteriormente exilando-se no Chile em 1972, onde também presenciou a instauração de outra ditadura com a deposição de Salvador Allende. Com Diógenes, se refugia na França, onde passa a usar o nome Joanna e cursa o mestrado em História na Universidade Sorbonne.

Com a anistia política, Tereza retorna ao Brasil em 1979, mudando-se para Olinda após a morte precoce de seu companheiro. Na sua casa na Rua do Amparo, se dedica com afinco à sua arte e começa a dar corpo à sua obra, ensolarada, tropical, hormonal e política.

Frases de Tereza

 A artista gostava de pintar animais. Em suas entrevistas, costumava explicar essa paixão. “Sempre que eu trabalho eu boto os bichos porque eu tenho uma relação muito forte com os animais. Eu acho que eu sou mais bicho do que gente”.

Tereza também falava sobre a arte figurativa, que era expressiva na sua obra. “A minha pintura é uma pintura figurativa, mas não é acadêmica e nem é panfletária. Eu tenho trabalho sobre Guararapes, sobre Zumbi, sobre Canudos. Como sou historiadora, eu sempre que posso misturo a história com o meu trabalho.”

Sobre o seu perfil, ela dizia: “Eu sou muito realista. Eu sonho muito, mas meu pé não sai do chão. Eu sou de Touro, que é um signo muito da terra.”

Tereza Costa Rêgo faleceu, aos 91 anos, em 26 de julho de 2020, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Joana, no bairro das Graças, na Zona Norte do Recife.

 

Sobre o seu perfil, ela dizia: “Eu sou muito realista. Eu sonho muito, mas meu pé não sai do chão. Eu sou de Touro, que é um signo muito da terra.”

(Fonte: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2020/07/26 – PERNAMBUCO / NOTÍCIA / Por G1 PE – 26/07/2020)
(Fonte: https://jc.ne10.uol.com.br/cultura/2020/07 – CULTURA / MESTRE / Por Márcio Bastos – 26/07/2020)
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