Raphael Martinelli, líder ferroviário, dirigente sindical, militante pela preservação da memória da ditadura militar, e criador da Ação Libertadora Nacional (ALN)

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Raphael Martinelli, militante pela memória dos atos da ditadura

Ex-sindicalista representante dos ferroviários, foi cassado pelo AI-1 e torturado pelo DOI

 

Raphael Martinelli: uma vida dedicada à luta dos trabalhadores

 

 

Raphael Martinelli (São Paulo, no bairro da Lapa, em 16 de outubro de 1924 – 16 de fevereiro de 2020), líder sindical e militante pela preservação da memória da ditadura militar, foi um dos fundadores do Núcleo de Preservação da Memória Política.

 

 

Martinelli nasceu em São Paulo, no bairro da Lapa, em 16 de outubro de 1924. De mãe italiana e pai brasileiro, começou a trabalhar aos 12 anos de idade, como ocorria com as famílias operárias à época, numa indústria química, passando depois por fábricas de vidro e metalúrgica até ingressar em 1941 na rede ferroviária (na então São Paulo Railway), onde iniciou sua trajetória de sindicalista em 1950.

 

 

Desde jovem entrou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), então clandestino, tendo sido candidato a deputado federal em 1958 pelo PTB. Foi eleito presidente da Federação Nacional dos Ferroviários em 1959 e era membro do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) no governo de Jango Goulart, quando sobreveio o golpe militar de 1º de abril de 1964.

 

 

Em desacordo com a falta de resistência do PCB ao golpe militar, Martinelli sai do “partidão” e participou da fundação da Ação Libertadora Nacional (ALN), ao lado de Carlos Mariguella, em 1967, entrando na clandestinidade. Ele, que já havia sido preso por sua militância sindical nos ferroviários em 1955, é novamente preso em 1970 pela Operação Bandeirantes (OBAN) em São Paulo, ficando detido por quatro anos sofrendo tortura e pressão permanente.

 

 

Martinelli ingressou na vida sindical a partir da década de 1950, enquanto empregado da São Paulo Railway. Chegou a presidir a Federação Nacional dos Ferroviários entre 1959 e 1961 e foi membro também do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Na entidade, dialogava com o presidente João Goulart.

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Em 1964, ano do golpe militar, entrou na lista dos primeiros 100 políticos, sindicalistas e militares cassados pelo Ato Institucional 1 (AI-1). Seu nome ocupava a trigésima sexta posição na lista. Filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), pelo qual foi candidato a deputado federal em 1958, militava no clandestino Partido Comunista Brasileiro (PCB).

 

Em 1967, ele deixou o PCB para fundar, com Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, a Aliança Libertadora Nacional (ALN), grupo que combateu a ditadura por meio da luta armada. Foi preso pelo Destacamento de Operações de Informações (DOI), do II Exército, órgão encarregado da repressão política. Ele ficou preso por três anos e sofreu tortura.

Na década de 80, Martinelli participou da criação do PT e da fundação da CUT, estando sempre presente em ações do movimento sindical, inspirando as novas gerações de sindicalistas com sua energia e experiência de luta.

Já nos anos 1980, com o processo de redemocratização, Martinelli participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Nos anos seguintes, passou a atuar pela preservação da memória sobre os fatos ocorridos durante a ditadura. Presidiu o Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, entidade que ajudou a fundar em 2001. Já em 2009, também participou da fundação do Núcleo de Preservação da Memória Política.

 

 

Em 2001, Martinelli foi um dos fundadores do Fórum dos Ex-presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo e em 2009 do Núcleo de Preservação da Memória Política. Até onde seu estado de saúde permitiu, foi advogado do sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil.

 

Em inúmeras ocasiões esteve na CUT, organizou atividades e eventos em defesa da democracia e da classe trabalhadora. Em 9 de julho de 2017, Dia da Luta Operária em homenagem à Greve Geral de 1917 em São Paulo que, assim como a Revolução Russa, completava 100 anos, Martinelli foi um dos homenageados pela CUT.

 

Seu trabalho ajudou na criação do Memorial da Resistência, museu que preserva a história daquele período do País, que está instalado na antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), de São Paulo, na Luz.

 

Raphael Martinelli faleceu em 16 de fevereiro de 2020, aos 95 anos. Ele tinha câncer.

(Fonte: https://www.terra.com.br/noticias – NOTÍCIAS / Por Estadão conteúdo – 16 fev 2020)

(Fonte: https://www.cut.org.br/noticias – CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES / NOTÍCIAS – 17 Fevereiro, 2020)

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