Primeira central telefônica automática

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A Telefonia no Início do Século
Brasil – São Paulo
O Brasil figura entre os primeiros países do mundo a ter, em seu território, telefones em funcionamento.

A princípio, o aparelho circulava, provavelmente, mais como curiosidade científica do que com o caráter prático de hoje.

Existe alguma polêmica em torno de qual seria o primeiro telefone a chegar ao país. Uma versão dá conta de que teria sido instalado em 1877 ( um ano depois de sua apresentação na Exposição de Filadélfia ), e funcionava na casa comercial “O Grande Mágico”, no Beco do Desvio, depois rua do Ouvidor nº 86, ligando a loja ao quartel do Corpo de Bombeiros (RJ).

Outra, afirma que D. Pedro II teria recebido o primeiro aparelho como presente do próprio Graham Bell e teria começado a funcionar em janeiro de 1877, no Palácio de São Cristóvão (hoje Museu Nacional), na Quinta da Boa Vista. O aparelho utilizava uma linha até o centro da cidade e fora construído nas oficinas da “Western and Brazilian Telegraph Company”.

O número de aparelhos aumentava a cada ano, sem que fossem tomadas providências para que os serviços funcionassem em larga escala. Só em 15 de novembro de 1879 é que um decreto Imperial outorga a primeira concessão para exploração dos serviços no Brasil, concedendo a Paul Mackie, que representava os interesses da “Bell Telephone Company”, licença para construir e operar linhas telefônicas na capital do Império (RJ), e na cidade de Niterói.

Nesse período as linhas não eram cobradas dos assinantes que pagavam apenas uma taxa anual ou mensal para sua utilização. Desse ano até o final do Império, seguiram-se inúmeros decretos de regulamentação. Todos procuravam ordenar a prestação do serviço, compatibilizando-o com a infra-estrutura de telégrafos já existente, e distribuindo concessões nas várias regiões.

Em 1892, Lars Magnus Ericsson (1846-1926), o sueco que em 1876, fundou a L. M. Ericsson, iniciando seus trabalhos numa oficina modesta de consertos e reformas de telégrafos, industrializa o primeiro aparelho telefônico em que o transmissor e receptor (bocal e auricular) estão acoplados numa única peça, criado por Anton Avéns e Leonard Lundqvist, em 1884, dando origem ao monofone. São os chamados, no Brasil, de “pés de ferro”, e na Argentina, de “telefone aranha”.
No mesmo ano (1892), Almon Brown Strowger (1839-1902), empresário funerário de grande habilidade na construção de aparelhos elétricos e telegráficos, cria o embrião da primeira central telefônica automática.

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Seu objetivo era simples e claro: livrar-se da concorrência desleal de uma telefonista de La Porte, Indiana, esposa de outro proprietário de empresa funerária, que não completava as ligações de possíveis cliente para seu estabelecimento. A telefonista se “equivocava” quando alguém pedia uma ligação para a funerária de Strowger. A primeira central automática do mundo só tinha 56 telefones.

Com a chegada da República em 1889, poucas alterações foram observadas na relação entre poder público e prestadores de serviço telefônico. A alteração mais significativa foi uma maior rigidez e controle do Estado com relação ao valor cobrado pelo serviço. Os preços foram estabelecidos em decreto de 26 de março de 1890. Não obstante esse maior controle, todos os contratos anteriormente celebrados pelo governo Imperial foram honrados à risca, demostrando como Império e República mantiveram com estas empresas, a maioria de capital estrangeiro, uma relação muito parecida.

A automatização se fará gradativamente. Só nos primeiros anos deste século, as principais cidades norte-americanas instalam suas centrais automáticas. Em 1913, Paris conta com 93 mil telefones manuais. Nova York, contudo, já dispõe de uma rede de 500 mil telefones, mas a automatização total só ocorrerá a partir de 1919.

No Brasil, a cidade de Porto Alegre é a primeira a inaugurar uma nova central automática, em 1922 (a terceira das Américas, depois de Chicago e Nova York). A segunda do Brasil ainda será uma cidade gaúcha: Rio Grande, em 1925 – antes de Paris e Estocolmo.. A estação pioneira da capital paulista foi inaugurada em julho de 1928, com o prefixo “5”, na Rua Brigadeiro Galvão, na área do Centro “Palmeiras”. Eram 9 mil terminais de fabricação norte americana “Automatic Electric”, que funcionaram ininterruptamente, até meados de 1997.

O telefone tinha nos primeiros anos do século XX, pelo menos para grande parte da população, uminteresse muito reduzido. O significado do telefone em termos de mudança, não tinha sido, ainda, captado pela sociedade. Tanto é verdade, que a maioria das empresas de telefonia sofriam problemas para tornar seus negócios rentáveis. Era comum a companhia pedir a um cidadão para aceitar em sua casa, gratuitamente, a título de experiência, um aparelho telefônico. Também era comum que este fosse devolvido imediatamente após o menor “acidente” (uma chamada recebida tarde da noite, por exemplo).

No entanto, este não é um privilégio do telefone. Muitas invenções, que hoje nos parecem fundamentais, já sofreram com isso, mas como o século XX caracterizou-se pela capacidade de “criar” necessidades, e em poucos anos o telefone foi ganhando prestígio, difundido pelas várias regiões do país. Enfim, tornou-se uma necessidade, e hoje, todos sabemos, o telefone é, para muitas pessoas, realmente necessário e para instituições como bancos, empresas, etc., é um recurso sem o qual, se tornaria simplesmente impossível operar seus serviços.

Isso é muito curioso no que se refere aos primeiros anos do telefone: a forma como vai se incorporando à vida dos homens, tornando-se parte do seu mundo, mesclando-se as suas atividades e tomando seu espaço, até tornar-se o serviço imprescindível que é hoje.

(Fonte: Bibliografia:RUI, Roberto – O TELEFONE, uma das mais simples e fabulosas criações do engenho humano. CTB, 1973.
POVEY, P.J. & EARL, R.A.J. – Vintage Telephone of the World – IEE History of Tecnology Serie 8, The Alden Press, Oxford, UK, 1988)

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