Redes sociais e vídeos superam mídia tradicional como fonte de informação em 2026
Só 17% dos entrevistados afirmam pagar por informação online, e grande parcela do mercado publicitário é captada por gigantes da internet, em detrimento de veículos tradicionais
O público em escala mundial se informa mais por meio do Facebook, YouTube e TikTok do que pelos veículos de comunicação tradicionais, cujo modelo econômico está em risco, aponta um estudo divulgado nesta terça-feira. O ano de 2026 “marca uma etapa importante”. “Pela primeira vez, as redes sociais e plataformas de vídeo superam as demais fontes de informação e se tornam a principal forma de se informar em nível mundial”, destacou Jim Egan, autor principal do relatório do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, vinculado à Universidade de Oxford.
Divulgado anualmente pelo instituto, o estudo sobre informação digital é considerado uma referência para a análise das transformações da mídia e teve como base pesquisas on-line realizadas no começo do ano pela empresa YouGov, que ouviram quase 100 mil pessoas, em 48 países.
Segundo os entrevistados, na semana anterior à pesquisa, 54% deles usaram as redes sociais e plataformas de vídeo para se informar, uma proporção que chega a 56% se incluídos agentes de inteligência artificial como o ChatGPT. Esses números caem a 52% para a TV, 51% para sites e aplicativos de jornais e 21% para o rádio.
‘Evolução gradual’
Essa tendência não é nova, uma vez que as redes e plataformas já ocupavam o primeiro lugar em alguns países analisados individualmente em anos anteriores. Mas esta é a primeira vez que essa forma de consumir informação é majoritária na média do conjunto de mercados estudados, levando em conta que quase todos os países onde os sites e aplicativos da imprensa tradicional ainda lideram ficam na Europa.
“Isso deve ser visto como uma evolução gradual, mais do que como uma mudança brusca”, ressaltou Egan.
Em escala mundial, as redes sociais e plataformas de vídeo são a principal fonte de informação de três em cada dez entrevistados, e de mais de um em cada dois no grupo de 18 a 24 anos. O uso varia de acordo com a rede. A maioria dos entrevistados acessa o X e o YouTube especificamente para se informar, mas, no Facebook, Instagram e TikTok, as notícias são consumidas quando os usuários estão conectados por outros motivos.
(Créditos autorais reservados: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/06/15 — O Globo/ ECONOMIA/ TECNOLOGIA/ Por AFP — Paris — 15/06/2026)

