Norman Hunter, foi ídolo do Leeds United e integrante da seleção da Inglaterra, campeã da Copa do Mundo de 1966

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Norman Hunter, campeão mundial em 1966 com a Inglaterra

 

Zagueiro e guardião da essência do maior Leeds de todos os tempos

 

Norman Hunter (de amarelo) em ação pelo Leeds na década de 70 — (Foto: Reuters)

 

 

 

Norman Hunter (Gateshead, 29 de outubro de 1943 – Leeds, 17 de abril de 2020), campeão da Copa do Mundo com a Inglaterra em 1966.

 

Apelidado do Norman ‘Bites Yer Legs’ Hunter (Norman “morde pernas” Hunter) por causa dos seus carrinhos, o ex-defensor do Leeds foi, em 1974, o primeiro a levar o prêmio de jogador do ano da Associação de Jogadores Profissionais da Inglaterra.

O inglês foi ídolo do Leeds United e integrante da seleção da Inglaterra, campeã da Copa do Mundo de 1966, conhecido como o “Mordedor de Pernas”, conquistou dois títulos do Campeonato Inglês e um da Copa da Inglaterra, além de disputar a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, diante do Bayern de Munique, em 1975.

 

Além de ter a carreira marcada por ter ajudado a seleção inglesa a conquistar seu único título mundial, o ex-zagueiro também fez história no Leeds United, time pelo qual atuou em mais de 700 jogos e se tornou ídolo.

 

Em 15 temporadas e 756 jogos na equipe do Leeds, Hunter venceu 28 partidas com a seleção inglesa. Foi reserva na final da Copa de 1966, quando os ingleses derrotaram a Alemanha, e entrou na equipe nas quartas de final do Mundial de 1970, na derrota por 3 a 2 para os alemães.

 

Era comum no futebol inglês do passado haver um jogador que todo time queria ter. O defensor que entra para a história como tough tackler, ou seja, o cara que entra duro para roubar a bola, que joga um futebol sem frescura, eficiente, sem necessariamente deixar de ser técnico ou virtuoso. Norman Hunter foi isso para o Leeds em seu período mais áureo, quando empilhou taças, elogios e críticas na mesma proporção sob o comando de Don Revie. Mas também foi muito mais.

 

Aquele Leeds foi um time extremamente vitorioso. Ganhou duas vezes o Campeonato Inglês, com outros cinco segundos lugares. Conquistou a Copa da Inglaterra e foi vice três vezes. Chegou à final da Copa dos Campeões e da Recopa Europeia. Foi bicampeão da Taça das Cidades com Feiras. Tudo isso com Norman Hunter no coração da defesa. Para o bem e para o mal, ele representava a filosofia de Revie e a essência daquele Leeds.

 

Ninguém, time ou jogador, coleciona tantas glórias sem ser talentoso, mas a abordagem extremamente física rendeu ao Leeds daquela época a alcunha de “sujo”, e a Hunter, o apelido que servia de letra escarlate alertando os desavisados que suas pernas seriam machucadas. Saiu de um cartaz durante a final da Copa da Inglaterra de 1972, televisionada para todo o país, o termo “Norman morde suas pernas”, identificado e comentado pelo analista de estúdio Brian Clough, que dois anos depois teria aquele famoso período como treinador do Leeds.

 

Essa era a visão de fora. De dentro, Hunter era o jogador que todo treinador sonhava ter, nas palavras de Don Revie. Escrevendo para o programa do jogo em homenagem ao zagueiro, o treinador mencionou que Hunter havia perdido apenas cinco jogos por lesão desde a sua estreia, em 1962 até aquela temporada, 1974/75, apesar de frequentemente ter pequenos problemas físicos. Não importava: ele superava a dor para defender o Leeds.

“Ele jogou com tornozelos inchados, estiramentos, com as pernas pretas ou azuis. Ele aparecia com pancadas, com distensões, com cortes. Ele teve mais ou menos todas as lesões normais de jogo que um jogador poderia ter. Mas Norman era tão determinado que nunca disse que não podia jogar. Como treinador do Leeds, eu sabia que toda temporada teria 55 ótimas partidas de Norman Hunter e apenas umas cinco em que ele seria soberbo”, contou.

 

Em uma passagem, Revie destacou a sorte de ter tido “Norman Hunter’s lutando pelo clube no coração de disputas domésticas e europeias”, mais uma evidência de que ele era o exemplo a ser seguido pelo restante do vestiário, e não economizou nos elogios. Para ele, tratava-se do melhor líbero que já existiu – nota do editor: Beckenbauer já era enorme, e vivo, mas naquela época era ainda mais acentuada a dificuldade de olhar além da ilha.

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“E se você acha que isso é uma superestimá-lo, cite outro jogador que venceu tanto e jogou tão bem no passado. Muitas pessoas provavelmente pensam que tudo que você precisa para ser um bom número seis é a habilidade de desarmar muito bem e ter bom senso de posicionamento. Não é verdade. Grandes jogadores têm mais do que isso, e Norman Hunter é um grande jogador”.

 

“A leitura de jogo de Norman, sua habilidade de avaliar as situações e os ataques perigosos, o separam do resto. Ele faz a cobertura dos colegas com absoluta autoridade. Ele patrulha a área sem erros porque ele parece ser capaz de sentir quando situações perigosas se desenvolverão. Nós costumávamos pensar que ele havia nascido com um sexto sentido. Ele matava situações potencialmente perigosas na raiz com tanta frequência que elas nunca se desenvolviam. O desarme na hora certa e uma brilhante interceptação são parte do jogo de Norman Hunter”, disse.
Hunter chegou ao Leeds aos 15 anos, um pouco antes de Revie fazer a transição de jogador para treinador, começando pelas categorias de base. Segundo ele, de cara identificou dois jovens que estavam milhas à frente dos outros: Billy Bremner e Hunter.

 

“Tínhamos este jovem de 17 anos, obviamente disposto a aprender e até ansioso demais para tentar subir ao time principal. Ele costumava voltar todas as tardes para treinos extras e melhorar seus pontos negativos. Eu lembro que ele nunca foi muito forte pelo ar, mas trabalhava muito duro para tentar compensar”, disse. “Eu assumi como treinador em uma sexta-feira. Na manhã da segunda seguinte, chamei o jovem Norman Hunter no meu escritório. Ele provavelmente esperava receber a mais triste das notícias – que não iríamos mantê-lo. Mas a disposição e a dedicação de Norman haviam nos impressionado. Em vez de dispensá-los, assinamos contrato profissional com ele”.

 

A melhor coisa que já fizeram. Hunter desenvolveu-se para atuar 726 vezes pelo Leeds, o quarto na lista histórica de aparições, e formou uma defesa lendária ao lado de Jack Charlton. Embora sempre confiável, foi expulso nos minutos finais da decisão da Recopa contra o Milan, quando explodiu a frustração pelo que considerou ser uma arbitragem desfavorável ao Leeds na derrota por 1 a 0 – o apitador, o grego Christos Michas, foi posteriormente banido do futebol europeu pela Uefa.

 

A concorrência o impediu de defender a seleção inglesa tantas vezes quanto poderia. A dupla preferida de Alf Ramsey era Bobby Moore e Jack Charlton, tanto que Hunter foi campeão mundial em 1966 sem nunca ter entrado em campo. A medalha chegou apenas em 2009, quando os jogadores que não atuaram foram tardiamente premiados por aquele título.

Quatro anos depois, Moore continuou como capitão e titular do time nacional. Charlton, veterano de 35 anos, foi relegado à reserva, mas Brian Labone, do Everton, furou a fila e começou jogando no México. Hunter, pelo menos, teve o gostinho de um jogo de Copa do Mundo, embora tenha sido amargo: entrou a nove minutos do fim do tempo normal das quartas de final contra a Alemanha, quando a Inglaterra abriu 2 a 0 e foi derrotada na prorrogação.

 

Ele talvez fosse titular em 1974, caso a Inglaterra tivesse se classificado. Começou jogando a partida decisiva da eliminatória contra a Polônia em Wembley e foi um tão raro erro de desarme seu que permitiu a Lato arrancar antes de construir a jogada do gol de Jan Domarski que decretou o empate por 1 a 1. Os ingleses precisavam vencer para jogar o Mundial da Alemanha. Sua última partida, em outubro daquele ano, foi também a primeira de Don Revie pela seleção.

 

A carreira de Hunter não terminou no Leeds. Em 1976, foi vendido por £ 40 mil, valor alto para um jogador de 33 anos naquela época, e atuou mais de 100 vezes pelo Bristol City antes de pendurar as chuteiras pelo Barnsley, do qual foi treinador logo na sequência.

 

“Norman Hunter é um dos melhores jogadores do mundo, talvez um dos melhores de todos os tempos”, determinou Don Revie. “Eu usei essa frase na temporada passada quando falava de Billy Bremner, outro desses maravilhosos jogadores do Leeds sem os quais o clube não teria sido capaz de alcançar tanto sucesso na última década. Eu penso igual em relação a Norman. É muito difícil saber por onde começar quando me sento para escrever sobre um jogador e uma personalidade como ele”.

“É uma coisa, no futebol, ter a qualidade que lhe permite ser maior do que o resto. É outra ter o magnetismo pessoal e a liderança que são qualidades inestimáveis em todos os grandes jogadores do esporte”, encerrou.

 

Norman Hunter faleceu em 17 de abril de 2020, aos 76 anos, vítima da covid-19.

(Fonte: https://esporte.ig.com.br/maisesportes/2020-05-02 – MAIS ESPORTES / Por iG Esporte | 02/05/2020)

(Fonte: https://trivela.com.br – INGLATERRA / por Bruno Bonsanti –  17 de abril de 2020)

(Fonte: https://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-ingles/noticia – FUTEBOL / FUTEBOL INTERNACIONAL / FUTEBOL INGLÊS / Por GloboEsporte.com e agências de notícias — Londres – 17/04/2020)

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