Julio Katinsky; arquiteto, urbanista paulista e professor emérito da FAUUSP
Arquiteto, urbanista, designer e professor, ele ajudou a moldar o pensamento arquitetônico brasileiro ao longo de sete décadas
Julio Roberto Katinsky, foi arquiteto e urbanista, designer e professor emérito, um dos nomes mais relevantes da arquitetura brasileira nas áreas do ensino, da pesquisa, do design e da prática profissional. Com uma trajetória que atravessou mais de sete décadas, deixou contribuições marcantes para a arquitetura moderna, o patrimônio cultural e a formação de gerações de arquitetos e urbanistas.
Formou-se em 1957 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), onde também desenvolveu grande parte de sua trajetória acadêmica. Professor, pesquisador e posteriormente diretor da instituição, aposentou-se como titular do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto.
Ao longo da carreira, Katinsky conciliou a atividade acadêmica com a produção arquitetônica, o desenho industrial e a preservação do patrimônio cultural. De 1956 a 1957, integrou a equipe que conquistou o quinto lugar no concurso nacional para o Plano Piloto de Brasília. No design, destacou-se pela criação da Poltrona Katinsky, lançada em 1959 e considerada uma referência do mobiliário moderno brasileiro.
Sua produção arquitetônica inclui trabalhos de relevância nacional e internacional, como a colaboração no Pavilhão do Brasil na Expo 70, em Osaka, no Japão, coordenado por Paulo Mendes da Rocha; a Central Telefônica de Campos do Jordão, desenvolvida ao lado de Ruy Ohtake; e o Teatro Municipal Brás Cubas, em Santos, projetado com Oswaldo Corrêa Gonçalves e Abrahão Sanovicz.
Katinsky também atuou em projetos de planejamento urbano e preservação do patrimônio. Na Companhia Energética de São Paulo (CESP), participou do desenvolvimento de núcleos urbanos vinculados às usinas de Xavantes e Corumbataí. Em 1986, integrou a equipe coordenada por Oscar Niemeyer responsável pelo plano de reurbanização do Parque do Tietê. Na área de conservação, coordenou as obras de estabilização estrutural do Engenho dos Erasmos, em Santos, e elaborou o projeto de restauro do edifício principal da Faculdade de Medicina da USP.
Na pós-graduação, suas pesquisas sobre perspectiva linear e sua tese de doutorado sobre as Casas Bandeiristas, defendida em 1973, tornaram-se referências para os estudos da arquitetura brasileira. Parte significativa de sua produção profissional, composta por desenhos técnicos de 72 projetos, encontra-se preservada no acervo da Biblioteca da FAUUSP.
Nascido em Salto, no interior de São Paulo, formou-se em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), em 1957. Tornou-se uma referência da arquitetura moderna brasileira, destacando-se por suas contribuições à arquitetura escolar, ao pensamento crítico sobre a disciplina e ao design de mobiliário. Com mais de 70 anos de carreira, lecionou na FAU-USP por mais de seis décadas, alcançando o título de professor titular e integrando o corpo editorial da pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da instituição.
Katinsky ficou conhecido pelos projetos de edifícios escolares e por suas pesquisas na área da arquitetura educacional. Para ele, um dos grandes desafios brasileiros era conceber escolas capazes de proporcionar aos alunos o mesmo acolhimento encontrado em casa.

Recém-formado pela FAU-USP, trabalhou no L’Atelier, escritório de Jorge Zalszupin, onde projetou a clássica mesa de centro Andorinha, em madeira laminada e dobrada, marco inicial de suas pesquisas em design de mobiliário. Entre 1956 e 1957, atuou no escritório de João Batista Vilanova Artigas, colaborando com arquitetos como Carlos Cascaldi, Mário Wagner Vieira da Cunha e Paulo de Camargo e Almeida no projeto apresentado ao concurso de Brasília, cuja proposta ficou classificada em quinto lugar.

Em 1959, projetou e produziu, sob encomenda, a Poltrona Katinsky, consolidando-se como um dos representantes do mobiliário moderno brasileiro da segunda metade do século XX.
No ano seguinte, ao lado de João Walter Toscano, Odiléa Setti e Abrahão Sanovicz, venceu o concurso nacional para o projeto da sede do Iate Clube de Londrina, no Paraná. A proposta previa uma estrutura leve, transparente e integrada à paisagem do Lago Igapó. Apesar da premiação, o projeto não foi executado devido à complexidade e à escala da obra, que previa estruturas suspensas sobre o lago.

Em 1961, em parceria com Oswaldo Corrêa Gonçalves e Abrahão Sanovicz, elaborou a primeira versão do projeto do Teatro Municipal de Santos, marco da arquitetura modernista no litoral paulista. No final da década de 1960, concebeu também a Banqueta Katinsky, com assento de madeira revestido em couro natural.
Entre suas obras mais emblemáticas está a própria residência, construída no bairro de Perdizes, em São Paulo. Concebido em 1965 e concluído em 1973, o projeto apresenta estrutura de concreto armado parcialmente aparente e pilares que emergem do piso central e desaparecem no pavimento superior. A casa foi concebida como uma expressão do avanço tecnológico e científico vivido pelo Brasil entre as décadas de 1950 e 1970.
Em 1970, integrou a equipe responsável pelo desenvolvimento do Pavilhão do Brasil na Expo 70, em Osaka, no Japão, coordenada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha.
Ao longo da década de 1970, passou a integrar a Divisão de Arquitetura e Urbanismo da Companhia Energética de São Paulo (CESP), ao lado de Hélio Pasta e Hélio Penteado, com quem desenvolveria diversos projetos. Na companhia, participou da equipe responsável pela Usina de Xavantes, incluindo a vila de operadores e o núcleo de manutenção, além da Usina de Corumbataí.

Atualmente, a biblioteca da FAU-USP abriga um conjunto de 72 desenhos do arquiteto, que reúne projetos residenciais, edifícios educacionais, culturais, comerciais, administrativos e industriais, além de peças de mobiliário.
Em 2025, recebeu o título de Professor Emérito da FAUUSP em reconhecimento à sua contribuição para o ensino e a pesquisa, que influenciaram gerações de arquitetos e urbanistas.
O arquiteto e urbanista Julio Roberto Katinsky faleceu na quinta-feira (11), aos 94 anos.
(Direitos autorais reservados: https://casavogue.globo.com/arquitetura/gente/noticia/2026/06 – Casa Vogue/ ARQUITETURA/ GENTE/ NOTÍCIA/ Por Adriana Marruffo –
(Direitos autorais reservados: https://causp.gov.br — Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo – CAU/SP/ NOTÍCIAS/ Escrito por: Redação CAU/SP — 11/06/2026)
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