John Saxon, ator que enfrentou Bruce Lee em “Operação Dragão” e Freddy Krueger em três filmes de “A Hora do Pesadelo”, ganhou um Globo de Ouro por sua atuação em “Sangue em Sonora”

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O ator que atuou com Bruce Lee e em ‘A Hora do Pesadelo’

 

 

John Saxon ator que enfrentou Bruce Lee em “Operação Dragão” e Freddy Krueger em três filmes de “A Hora do Pesadelo”. (© Divulgação/C.B. Films)

 

 

John Saxon (Nova York, 5 de outubro de 1935 – Murfreesboro, em Nova York, 25 de julho de 2020), ator conhecido por seus papéis interpretando personagens durões nas telas.

 

Saxon ficou muito conhecido como o tenente Donald Thompson, no filme “A Hora do Pesadelo”, e também é o veterano de guerra Roper, que aparecia com Bruce Lee em um torneio de artes marciais de “Operação Dragão”.

 

John Saxon (à esquerda) com Jim Kelly em 'Enter the Dragon'.

Entre no Dragão (1973, Hong Kong). Dirigido por Robert Clouse. John Saxon (Esq.), e Jim Kelly. (Foto: Cortesia de Photofest / DIREITOS RESERVADOS)

 

Bruce Lee me levava a sério. Eu podia dizer a ele ‘prefiro fazer desse jeito’ e ele me ouvia e falava: ‘Ok, vamos tentar’

 

Saxon também ficou conhecido por interpretar diversas etnias, variando de personagens italianos a mexicanos, apesar de ter crescido no Brooklyn. Ele nasceu em 1936, o mais velho de três filhos de um pintor italiano, que se mudou para os Estados Unidos.

 

Saxon ganhou um Globo de Ouro por sua atuação em “Sangue em Sonora”, de 1966.

 

O ator que enfrentou Bruce Lee em “Operação Dragão” e Freddy Krueger em três filmes de “A Hora do Pesadelo”, interpretou personagens de várias etnias durante sua longa carreira, iniciada em 1954 com figurações nos clássicos “Demônio de Mulher” e “Nasce uma Estrela”, ambos dirigidos por George Cukor. Mas seu nome verdadeiro não era John, muito menos Saxon.

 

Ítalo-americano do Brooklyn, o ator nasceu Carmine Orrico em 5 de agosto de 1936. Filho mais velho de um imigrante italiano, teve seu destino decidido num dia em que decidiu faltar à aula e ir ao cinema. Na saída da sessão, foi parado por um agente de modelos que lhe deixou um cartão e convite para testes. E começou a fazer fotonovelas.

 

Aos 17 anos, já tinha agente – o mesmo que lançou as carreiras de Rock Hudson e Tab Hunter – e pseudônimo. Decidido a fazer cinema, estudou atuação e voou para Hollywood, onde participou de um workshop da Universal e foi contratado para aparecer nos filmes do estúdio.

 

Depois das primeiras figurações, conseguiu seu primeiro papel de coadjuvante no drama de delinquentes “Running Wild” (1955), com Mamie Van Doren – a Marilyn Monroe dos filmes B. A estreia como protagonista aconteceu logo em seguida, em “Curvas e Requebros” (1956), em que tinha uma banda de rock com Sal Mineo (“Juventude Transviada”). Ele também foi roqueiro em “Estação do Amor” (1957) e namorou Sandra Dee no drama “Corações em Suplício” (1958), enquanto estrelava comédias de diretores famosos, como “Tudo Pelo Teu Amor” (1958), de Blake Edwards, e “Brotinho Indócil” (1958), de Vincente Minnelli.

 

Os papéis de adolescente chegaram ao fim no começo dos anos 1960, mas Saxon se reinventou. Ele integrou o elenco dos westerns “O Passado Não Perdoa” (1960), de John Huston, “Os Destruidores” (1960), com Jeff Chandler, e “Quadrilha do Inferno” (1961), com Audie Murphy, e protagonizou o drama de guerra “Obsessão de Matar” (1962), como um dos psicopatas mais realistas de Hollywood, até o fim de seu contrato com a Universal o levar a filmar na Itália.

 

Entre títulos de spaghetti western e guerra, Saxon acabou descobrindo o terror no cinema italiano, ao estrelar “Olhos Diabólicos” (1963), do mestre Mario Bava (1914-1980), primeiro filme de um gênero em que acabou se especializando. A lista de terrores de sua filmografia inclui vários títulos cultuados, como “Queen of Blood” (1966), produção de Roger Corman sobre uma vampira espacial que inspirou o primeiro “Alien” (1979), e “Noite do Terror” (1974), que já ganhou dois remakes – o mais recente em 2019.

 

Mas houve uma fase, ao voltar da Europa, que ele viu sua carreira restrita a trabalhos televisivos. Saxon apareceu em vários episódios de séries clássicas, como “Cimarron”, “Bonanza”, “Winchester 73”, “O Rei dos Ladrões”, “Os Audaciosos”, “Têmpera de Aço”, “O Homem de Virgínia”, “Gunsmoke”, “Arquivo Confidencial”, “Galeria do Terror”, “Kung Fu” e chegou até a viver Marco Polo em “Túnel do Tempo”.

 

Felizmente, Saxon conseguiu encaixar papéis de cinema entre os capítulos da semana. E alguns dos filmes que estrelou a seguir acabaram entrando para a história do cinema.

 

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Ele começou sua volta por cima ao aparecer como bandido mexicano caçado por Clint Eastwood no western “Joe Kidd” (1972), de John Sturges. E, principalmente, ao enfrentar e se aliar a Bruce Lee no cultuadíssimo “Operação Dragão” (1973), um dos mais influentes filmes de artes marciais de todos os tempos.

 

O sucesso internacional de “Operação Dragão” lhe rendeu um segundo ciclo italiano, desta vez praticamente restrito ao gênero policial, trabalhando com os especialistas Alberto De Martino e Humberto Lenzi (1931–2017). Mas o retorno aos EUA não foi diferente da primeira vez. Saxon retornou ao universo das séries, mas por estar mais conhecido, foi escalado como o vilão do crossover de 1976 entre “O Homem de Seis Milhões de Dólares” e a “Mulher Biônica”, lutou contra Linda Carter em um episódio duplo de “Mulher-Maravilha” – como nazista! -, viveu um poderoso magnata do Oriente Médio que namorou Alexis Colby (Joan Collins) num arco de “Dinastia” e ainda apareceu em 32 episódios como pai de Lorenzo Lamas em “Falcon Crest”.

 

Saxon fez mais uma tentativa de retornar a Hollywood com “O Cavaleiro Elétrico” (1979), estrelado por Robert Redford, e na “Guerra nas Estrelas” barata de Roger Corman, chamada “Mercenários das Galáxias” (1980). Mas acabou retornando mesmo foi ao cinema italiano, desta vez ao mondo bizarro de “Canibais do Apocalipse” (1980), de Antonio Margheriti (1930–2002), e ao célebre giallo “Tenebre” (1982), de Dario Argento.

 

Esta fase de terror culminou em sua escalação na obra-prima do gênero “A Hora do Pesadelo” (1984), de Wes Craven, em que viveu o pai policial da protagonista Nancy Thompson (Heather Lagenkamp). Saxon voltou em mais duas continuações: na única sequência escrita por Craven, “A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos” (1987), e na versão metalinguística da saga, “O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger” (1994), em que viveu a si mesmo, o ator John Saxon, que interpretava o Tenente Thompson. Este também foi o terceiro e último filme de Craven na franquia.

 

O renascimento como astro de terror o inspirou até a virar diretor. Ele comandou um único filme na carreira, “Corredor da Morte” (1988), similar às produções baratas que estrelou na Itália. Foi um fracasso tão grande que nunca mais se arriscou.

 

Após uma fase de muitos filmes ruins lançados direto em vídeo, Saxon reapareceu como vilão de blockbuster em “Um Tira da Pesada III” (1994) e como policial num terror cultuado, “Um Drink no Inferno” (1996), dirigido por Robert Rodriguez e escrito e estrelado por Quentin Tarantino.

 

Ele também coestrelou “Genghis Khan: The Story of a Lifetime” (2010), último trabalho do mestre britânico Ken Anakin, codirigido por Antonio Margheriti. E continuava ativo, com dois projetos em desenvolvimento no momento de sua morte.

 

John Saxon foi casado três vezes, com a roteirista Mary Ann Murphy, a comissária de bordo que virou atriz Elizabeth Saxon e, desde 2008, com cosmetóloga Gloria Martel.

 

 

 

Relembre a trajetória de John Saxon, ator de ‘Operação Dragão’

 

Pode ser um sinal dos tempos que John Saxon esteja sendo lembrado somente como o ator que dividiu a cena com Bruce Lee Jim Kelly em Operação Dragão, de Robert Clouse, e participou do cult – clássico é meio exagerado – de horror A Hora do Pesadelo, de Wes Craven. Sim, ele fez um e outro, mas Saxon tem uma história mais interessante, que vale lembrar. Nasceu em 5 de outubro de 1935, em Nova York.

 

Aos 18 anos ele era um good looking guy. Bonitão, atlético, tentou fazer carreira como ator na Universal. Virou contratado do estúdio, que lhe pagava o salário, em troca de pequenos papeis. Só como curiosidade vale destacar que tinha um buddy – amigão. Ambos disputavam as garotas. Saxon até que teve certo sucesso antes, em Rocky Pretty Baby, de Richard Bartlett, e Estação do Amor, de Charles Haas. Seu concorrente era um tal de Clint Eastwood, que virou protagonista de uma série de TV de faroeste, Rawhide. O diferencial de Clint foi ter ido para a Europa, onde fez a trilogia do Estranho sem Nome com um diretor que virou famoso, Sergio Leone.

 

Saxon também foi para a Itália, mas um pouco mais tarde, e perdeu o bonde da história. Fez um terror de Mario Bava, mas a essa altura a etiqueta de delinquente juvenil já havia colado e ele só era chamado para esse tipo de papel. Filmou com grandes diretores – John Huston, O Passado não Perdoa, Otto Preminger, O Cardeal. O ano de 1966 poderia ter sido decisivo – Saxon fez o clássico de horror e ficção científica de Curtis Harrington, Queen of Blood, e o western Sangue em Sonora, de Sidney J. Furie. Marlon Brando, completamente desinteressado pelo papel, confessou-lhe que precisava do dinheiro para quitar dívidas. Deixou Saxon brilhar como o vilão da história, e ele foi indicado para o Globo de Ouro. A essa altura já estava fazendo artes marciais e terror. O jovem tão promissor dos anos 1950 virou um ator característico. Como a dele, existem muitas carreiras na história do cinema. Seria fácil dizer que não teve sorte, que lhe faltaram ligações importantes.

 

Nada ilustra isso melhor que a seguinte história – em 1962 teve seu maior papel como protagonista de Obsessão de Matar. Ganhou elogios da crítica pelo papel do serial killer que encontra na guerra o campo fecundo para sua compulsão de matar. Ganha medalhas, vira herói. Entre os atores, coadjuvantes, estavam o jovem Robert Redford e o futuro diretor Sydney Pollack. Iniciaram amizade que prosseguiu através de uma série memorável de filmes. John Saxon nunca teve essa sorte.

 

John Saxon faleceu aos 83 anos. Ele contraiu uma pneumonia e morreu em 25 de julho de 2020, em Murfreesboro, em Nova York, nos Estados Unidos.

(Fonte: https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/07/26 – ENTRETENIMENTO / ENTRETÊ / FILMES E SÉRIES / Do UOL, em São Paulo – 26/07/2020)

(Fonte: https://www.msn.com/pt-br/cinema/noticias – ENTRETENIMENTO / CINEMA / NOTÍCIAS / Por Luiz Carlos Merten / Estadão Conteúdo – 25/07/2020)

(Fonte: https://www.msn.com/pt-br/cinema/noticias – ENTRETENIMENTO / CINEMA / NOTÍCIAS / Por  Marcel Plasse – (PIPOCA MODERNA) 0 26/07/2020)

(Fonte: Zero Hora – ANO 57 – N° 19.774 – 28 JULHO 2020 – TRIBUTO / MEMÓRIA – Pág: 25)

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