Haroldo Costa, ator, diretor e comentarista de carnaval, assinou a produção de grandes espetáculos musicais sobre o samba, atuou na minissérie ‘Chiquinha Gonzaga’, de Lauro César Muniz, no papel de Raymundo da Conceição

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Haroldo Costa, ator, intelectual, jornalista e comentarista de carnaval

Diretor e comentarista de carnaval começou a trabalhar na Globo como diretor de musicais e foi diretor e jurado de programas de auditório.

O ator, produtor e diretor Haroldo Costa — (Foto: Lene DeVictor/Divulgação)

 

Haroldo Costa (nasceu no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1930 — faleceu no Rio de Janeiro, em 13 de dezembro de 2025), ator, intelectual, jornalista, diretor e comentarista de carnaval.

Artista de múltiplas facetas, o jornalista Haroldo Costa é mais conhecido por seu trabalho como comentarista dos desfiles das escolas de samba, no carnaval. Mais recentemente, integrava o corpo de jurados da premiação Estandarte de Ouro, do Jornal O Globo.

Antes, ele fez parte do corpo de jurados da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), por ser um dos pesquisadores que valorizavam a cultura afro-brasileira no carnaval.

Nascido no Rio de Janeiro, ele começou a trabalhar na Globo como diretor de musicais e foi diretor e jurado de programas de auditório.

Estrelas como Dercy Gonçalves, Chacrinha e Moacyr Franco, foram dirigidas por ele. Haroldo Costa começou a carreira profissional como ator, no antigo Teatro Experimental do Negro, fundado por Abdias do Nascimento.

Participou da montagem de ‘O Filho Pródigo’, e teve como colegas de grupo nomes que fariam história na própria Globo, como Ruth de Souza, Grande Otelo e Milton Gonçalves. Seria no teatro, inclusive, que teria seu primeiro êxito profissional. Haroldo Costa viveu o protagonista da peça ‘Orfeu da Conceição’, e foi o primeiro ator negro a atuar no Theatro Municipal do Rio.

Em 1999, atuou na minissérie ‘Chiquinha Gonzaga’, de Lauro César Muniz, no papel de Raymundo da Conceição. Voltou a atuar em uma minissérie da emissora em 2012, quando viveu o seu Aloysio em ‘Suburbia’, de Paulo Lins e Luiz Fernando Carvalho.

Mas, foi no carnaval que deixou sua marca registrada. Em entrevista ao Memória Globo, ele disse:

“Meu pai era carnavalesco, saía no carnaval. Eu sempre gostei, já escrevi vários livros sobre o carnaval, pretendo escrever mais alguns ainda, porque acho o carnaval uma coisa essencial que define a gente como brasileiro. Acho que a definição mais correta do brasileiro é feita através do carnaval, eu acredito piamente nisso.”

Haroldo Costa integrou o corpo oficial de jurados dos desfiles organizados pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Abriu mão da função em 1963, segundo afirmou, após um desfile da agremiação Acadêmicos do Salgueiro, da qual se tornou torcedor. Era integrante do corpo de jurados do Estandarte de Ouro.

Haroldo Costa é autor de diversos livros sobre o carnaval carioca, como ‘Salgueiro: Academia de Samba’ (1984), ‘100 Anos de Carnaval no Rio de Janeiro’ (2001) e ‘Ernesto Nazareth – Pianeiro do Brasil’ (2005). Também assinou a produção de grandes espetáculos musicais sobre o samba.

Em 2023, Haroldo Costa assinou a curadoria da exposição ‘Heitor dos Prazeres é meu nome’, no CCBB-Rio, junto com Raquel Barreto e Pablo León de La Barra.

Haroldo Costa morreu aos 95 anos no sábado (13), no Rio de Janeiro. Ele enfrentava alguns problemas de saúde por conta da idade avançada e passou por internações recentes. A informação foi confirmada pela família nas redes sociais dele. O velório foi na quadra do Salgueiro, na segunda-feira (15).

Homenagens

Intelectuais, artistas e políticos lamentaram o falecimento de Haroldo Costa. A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) disse que o carioca era referência absoluta do samba, do carnaval e da intelectualidade negra. “Sua obra, sua voz e sua luta permanecem vivas entre nós”, declarou.

Outro ícone do carnaval carioca e griot, o jornalista e radialista Rubem Confete se solidarizou com familiares e destacou Haroldo como um “grande pensador, pesquisador, ator e roteirista que deixa um legado e enorme trabalho em prol da cultura afro brasileira”.

A historiadora Lilia Schwarcz disse que o comunicador foi uma figura central na intelectualidade negra e brasileira.

(Direitos autorais reservados: https://istoe.com.br – ISTOÉ/ NOTÍCIAS/ por Agência Brasil – 14/12/25)

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(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/12/13 – Globo Notícias/ RIO DE JANEIRO/ NOTÍCIA/ Por g1 Rio – 13/12/2025)

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