Giulio Carlo Argan (1909-1992), um dos maiores historiadores e críticos de arte contemporâneos.

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Giulio Carlo Argan (Turim, 17 de maio de 1909 – Roma, 12 de novembro de 1992), um dos maiores historiadores e críticos de arte contemporâneos, sobre a produção artística do Renascimento, período assim chamado “mais por habito do que convicção”, como ele fazia questão de salientar.
Ele relata que as obras renascentistas significam muito mais do que uma simples volta aos valores estéticos da Antigüidade.

De formação marxista, Argan analisa os trabalhos dos principais mestres da pintura, escultura e arquitetura da Renascença, tais como Michelangelo, Rafael e Botticelli, a partir dos métodos empregados no processo de criação, mostrando que o objetivo desses artistas era a construção do modelo por meio da lição dos antigos.

“Todo ato artístico vale enquanto interrompe a tradição, e não enquanto a continua”. Mesmo na obra desses expoentes Argan vê sinais anticlássicos.

Mas é nas considerações sobre o arquiteto Filippo Brunelleschi (1377-1446), autor da imensa cúpula da igreja de Santa Maria Del Fiore, em Florença, construída sem o auxílio de armações de madeira, que o historiador comprova sua tese.

Ele vê na figura revolucionária do arquiteto renascentista um divisor de águas para todas as artes, o que acabou levando a uma redefinição radical da cultura humanista.
(Fonte: Galileu – Junho de 1999 – CULTURA/LIVROS – Por Cláudio Fragata Lopes – Pág; 86)

Um dos maiores críticos de arte do século 20, em “Arte Moderna – Do Iluminismo aos Movimentos Contemporâneos”, toma o atalho que só as melhores inteligências conhecem: elucida os mistérios da arte com clareza. O livro de Argan, um professor de História da Arte adepto do marxismo e que foi senador e prefeito de Roma entre 1976 e 1979, é uma obra definitiva. Lançado originalmente em 1970, ele mapeia a trajetória da arte no mundo desde a Revolução Francesa até o surgimento dos artistas pop. Por arte entenda-se também a arquitetura e o urbanismo. É uma obra especial por muitos motivos. Primeiro, pelo próprio conceito de arte do autor. Argan, embora marxista, via a criação artística não apenas como um reflexo direto da vida sócio econômica de determinada cultura mas como um fenômeno em si próprio, gerador de conhecimento. Desse modo, ao historiar cada corrente ou artista com relação à época em que surgiu, não transforma seu texto numa sucessão previsível de causa e efeito. Ao contrário, conta uma história da cultura através da arte.

O severo marxista não enxerga qualquer traço revolucionário em expoentes da arte pop como Andy Warhol (1928-1987) ou Roy Lichtenstein (1923-1997). A crítica de Argan à arte pop serve para concluir – em sua teoria mais ousada – que talvez a própria arte esteja com seus dias contados, e que talvez venha a ser substituída por outro tipo de expressão. “As mitologias pagãs morreram e veio o cristianismo, a alquimia deu lugar à ciência, o feudalismo foi substituído pelas monarquias e depois pelo Estado burguês, o mesmo pode acontecer à arte”, sustenta Argan. Para um pensador que dedicou a vida a estudar mais de vinte séculos de arte, é uma opinião corajosa.
(Fonte: Veja, 6 de janeiro de 1993 – ANO 26 – N° 1 – Edição n° 1269 – ARTE – Pág; 76/77)

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