Foi o primeiro a registrar em fotos a grandeza épica da paisagem americana

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Ansel Adams (São Francisco, 20 de fevereiro de 1902 – Carmel Highlands, Califórnia, 23 de abril de 1984), foi um dos maiores fotógrafos do mundo. Chegou a ser chamado de “o John Wayne da fotografia”, e com razão: foi o primeiro a registrar, em fotos, a grandeza épica da paisagem americana que antes só era usada como fundo nos filmes de cowboy. Ansel Adms, além de um grande ícone da fotografia, foi além – alguém que começou como um pioneiro da nova técnica e acabou elevando-a a níveis artísticos poucas vezes atingidos. Ao merecer, em 1979, uma ampla e consagradora retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York, Adams já havia percorrido um longo caminho desde que, aos 14 anos, em 1916, ensaiou suas primeiras fotos, com uma máquina de caixote, a popular Kodak Brownie.

Já nessa época ele se dedicava a registrar as imagens do Parque Nacional do Vale de Yosemite, na Califórnia – uma reserva de vida natural que ele voltaria a fotografar muitas vezes, ao longo da vida. As imagens dos penhascos, árvores e cascatas que flagrara no parque tornaram-se a marca registrada de Adams. Na verdade, ele não foi apenas um fotógrafo, mas um mestre da paisagem, o que ficou definitivamente claro depois da exposição no Museu de Arte Moderna. Adams está para a fotografia assim como Canaletto para a pintura, na forma como valoriza a escala da paisagem a ponto de torná-la algo de grandioso e fundamental.

 

Paralelamente à sua incansável peregrinação por Yosemite e outros parques nacionais americanos, Adams também fotografou sua São Francisco natal, que ele também captara a distância, como se fosse mais um acidente natural inscrito na paisagem. Curioso é que esse homem que elevou uma arte nova a altura insuspeitadas, e que no fim de sua vida tinha fotos assinadas vendidas a 8 000 dólares, tinha uma formação original de músico. Adams chegou mesmo a trabalhar como pianista profissional até 1930, e até então considerava a fotografia apenas um hobby. É por essa época que as coisas se invertem, e a fotografia passa a ser a ocupação principal, e a música, o hobby. Com outros fotógrafos de alta qualidade, como Edward Weston e Imogen Cunningham, Adams formou o grupo F/64.

Desde então, passou a trabalhar não só com fotos mas também ensinando, fazendo crítica e livros didáticos. Finalmente, começou a organizar, em 1940, o departamento de fotografia do Museu de Arte Moderna de Nova York – ainda que trabalhando a distância. Na verdade, Adams, por toda a sua vida, nunca deixou a Califórnia. Chegou a morar no Yosemite, e nos últimos anos estabeleceu-se em Carmel, mais ao norte, sempre conciliando a fotografia e a atividade didática. Ele gostava de associar a foto à música: o negativo seria a partitura; a foto, a execução do artista. Quando lhe pediam porém a definição de uma boa foto, era sintético: “O que é necessário é precisão e foco nítido”.

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Adams morreu no dia 23 de abril de 1984, aos 82 anos, de insuficiência cardíaca, em Carmel Highlands, Califórnia, Estados Unidos.

 

(Fonte: Veja, 2 de maio de 1984 –- Edição 817 -– Fotografia -– Pág; 82 – DATAS – Pág; 75)

 

 

 

 

 

 

 

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