Foi a primeira linguagem instrumental desenvolvida aqui no Brasil

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PRIMEIRA LINGUAGEM INSTRUMENTAL DESENVOLVIDA NO BRASIL

Para historiadores, tudo começou com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808. Junto com a corte vieram da Europa instrumentos como piano, clarinete, violão, saxofone, bandolim. E ritmos como valsa, mazurca, modinha, xote e polca. A mistura deu em choro.
Primeira música popular urbana típica do Brasil, com história contada em discos, filmes e rodas musicais, o choro não pára de ganhar adeptos. Em clubes, bares e praças onde é personagem, não falta público.
Com a reforma urbana e o fim do tráfico de escravos surgiu, nos subúrbios da então capital federal, o Rio de Janeiro, uma nova classe social formada por funcionários públicos, instrumentistas de bandas militares e pequenos comerciantes.
É nesse segmento que nasceriam conjuntos dados a improvisar os novos ritmos, músicos logo apelidados de chorões. Foi a primeira linguagem instrumental desenvolvida aqui no Brasil. O choro foi a primeira linguagem instrumental desenvolvida no Brasil. Os músicos populares ‘amoleciam’ as polcas. Daí serem chamados de chorões. O nome vem da maneira chorada de tocar: a forma como os músicos populares ‘amoleciam’ as polcas européias. Daí serem chamados de chorões. Outra hipótese é o termo derivar de um tipo de baile que reunia escravos das fazendas, o “xolo”, que aos poucos teve a pronúncia variada para “xoro”. Pode ser originário, ainda, da sensação de melancolia que era transmitida pelo som do violão. Um dos precursores foi o flautista Joaquim Antônio da Silva Calado. Por volta de 1870, o músico passou a ser acompanhado de seu conjunto, formado por dois violões e um cavaquinho improvisando em torno do som da flauta. Surgia o conjunto regional, geralmente composto por instrumentos de solo, como flauta, bandolim e cavaquinho, responsáveis pela execução da melodia, e outros de improviso e acompanhamento, como o violão de sete cordas.
De lá para cá, despontaram outros grandes talentos do choro, como Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali e Chiquinha Gonzaga. Depois da maestrina e compositora, outras mulheres também brilharam e brilham no ritmo, caso de Tia Amélia, Ludovina Villas Boas, Maria Teresa Madureira, Simone Guimarães, Maria do Céu, Zélia Duncan, Sueli Costa, Lucinha Lins e Luciana Rabello.
A música brasileira tem clássicos e obras-primas do estilo, como Tico-Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu, Brasileirinho, de Waldir Azevedo, Noites Cariocas, de Jacob do Bandolim, Carinhoso de Pixinguinha, Choro Bandido, de Chico Buarque, Choro Chorado para Paulinho Nogueira, de Toquinho, e Choro Negro, de Paulinho da Viola.
Henrique Lima Santos Filho era Jimi Reco, integrante da banda de rock Carência Afetiva até 1976, quando ouviu Moraes Moreira tocar Noites Cariocas. “Jamais tinha escutado um choro, que está na base da música brasileira, é anterior ao samba e faz o nosso perfil como povo rico e criativo. Encontrei LPs e arrumei um bandolim. Aprendi ouvindo os discos de Jacob. Diante das dificuldades com a afinação e as harmonias complexas, meti na cabeça que um dia abriria uma escola”, lembra Henrique Lima. E tornou-se o Reco do Bandolim, desde 1993 presidente do Clube do Choro de Brasília, um dos primeiros do país, ao lado dos de Recife, São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e Porto Alegre, que, em sua maioria, não existe mais.
O clube foi fundado em 1977 pelo flautista Bide, o percussionista Pernambuco do Pandeiro, o violonista Hamilton Costa e o saxofonista Nilo Costa. Iniciou a luta para criar a primeira escola de choro. Lembrou seu início, perdido com um bandolim nas mãos. Comparado à forma como nos Estados Unidos escolas e universidades cultivam e ensinam blues, country, rock e jazz, atraindo talentos de todo o mundo e gerando prestígio, o choro continuava anônimo em sua terra natal.
A Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello (violonista carioca e “militante” do Clube do Choro falecido em 1995) foi inaugurada em 1998. Em 2007, o Clube do Choro assinou um Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica com a Universidade de Brasília (UnB) para criar, no nível de graduação do Departamento de Música, o curso de extensão de choro. A iniciativa abre as portas da academia, normalmente restrita à música erudita, para a música popular.
Por sugestão do bandolinista Hamilton de Holanda, o 23 de abril, data de nascimento de Pixinguinha, foi reconhecido como o Dia do Choro.

MESTRES:

Chiquinha Gonzaga (1847-1935) Pioneira no reconhecimento dos direitos autorais e na afirmação das lutas das mulheres. Alegria, simplicidade e beleza são as marcas de seu ritmo e de suas construções harmônicas.

Joaquim Antônio da Silva Calado (1848-1880) Flautista virtuoso, compositor e pioneiro em apresentar uma visão particular dos gêneros europeus, sobretudo valsas e maxixes, abrindo uma janela fecunda para outras possibilidades.

Ernesto Nazareth (1863-1934) Abiu o lado erudito ao choro. Foi compositor de obra extensa e de qualidade. Vinicius de Moraes pôs letra em seu clássico Odeon.

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Anacleto de Medeiros (1866-1907) Foi ótimo compositor e ajudou a espalhar a musicalidade “chorística” através de bandas de música. Dirigiu, entre outras bandas, a do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

Pixinguinha (1897-1973) O gênio do choro. Deu vida e calor a tudo que escreveu. Espalhou a arte do choro. Colaborou com a consolidação do choro como gênero musical. Seu aniversário, 23 de abril, foi reconhecido como Dia do Choro.

Radamés Gnattali (1906-1988) Foi o “modernizador” do choro, na segunda metade do século 20. Abriu possibilidades harmônicas, a partir de seu conhecimento e sua enorme experiência de arranjador.

Jacob do Bandolim (1918-1969) Lançou o estilo brasileiro de tocar bandolim, pois, até então, as escolas anteriores eram as italianas.

Waldir Azevedo (1923-1980) Possibilitou a introdução do cavaquinho como instrumento solista. Seu Brasileirinho é um dos hinos nacionais da cultura brasileira.

(Fonte: Revista do Brasil – N° 21 – Fevereiro de 2008 – Música – Por Guilherme Bryan – Reco do Bandolim e Henrique Cazes – Pág; 42/43/44 e 45)

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