Bernardo Bertolucci, cineasta italiano, diretor do polêmico ‘O Último Tango em Paris’ (1972), ‘O Último Imperador’ (1897) e ‘Os Sonhadores’ (2003)

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O cineasta italiano Bernardo Bertolucci era diretor de “Último Tango em Paris”

 

 

O diretor italiano Bernardo Bertolucci é entrevistado quando ele chega para uma exibição de gala de seu filme “The Last Emperor” em 3D no AFI Fest 2013. (Foto: REUTERS/Fred Prouser/File photo)

 

 

 

 

 

O cineasta italiano Bernardo Bertolucci, presidente do júri da competição oficial, chega ao tapete vermelho do 70º Festival de Veneza, em 2013 — (Foto: Tiziana Fabi/AFP Photo)

 

 

 

 

Bernardo Bertolucci (Parma, Itália, 16 de março de 1941 – Roma, 26 de novembro de 2018), diretor de cinema italiano. Vencedor do Oscar, o cineasta levou a estatueta de “Melhor Diretor” com o longa “O Último Imperador”, de 1988, que trinfou em outras oito categorias naquele ano.

 

 

Com “O Último Imperador” (1987), levou o Oscar de melhor diretor (é o único italiano a ter levado o prêmio), melhor filme e melhor roteiro. O longa faturou, ao todo, nove estatuetas. Em maio de 2011, ele recebeu uma Palma de Honra, no Festival de Cannes, pelo conjunto de sua obra.

 

Considerado o último grande mestre do cinema italiano, Bertolucci fez ainda obras-primas como “Antes da Revolução” (1964), “1900” (1976), “O Conformista” (1970).

Poeta, documentarista e produtor, Bertolucci também assinou grandes sucessos como “Novecento”, de 1976, “O Pequeno Buda”, de 1993 e “Último Tango em Paris”, de 1972, com o qual foi recentemente alvo de críticas por ter declarado rodar uma cena de sexo não consentido no longa.

 

No vídeo, o diretor conta que a atriz Maria Schneider (Jeannie), que na época tinha 19 anos, não sabia o que aconteceria na cena em que Marlon Brando (Paul) usa manteiga como lubrificante na garota. A cena é uma das mais polêmicas da história e intensificou a censura nas telonas. Segundo o cineasta, sua intenção era que Schneider reagisse “como uma menina, e não como atriz”. O italiano ainda afirmou que não a viu mais depois das gravações do filme, porque ela “o odiava”.

 

Originário de Parma, o cineasta estava doente há muitos anos. Ele foi assistente de Pier Paolo Pasolini e estreou sua carreira em 1962, com “A Morte”. Filho do poeta Attilio e de Ninetta Giovanardi, cresceu com ares do cinema dentro de casa, o que ajudou Bertolucci e seu irmão Giuseppe a trilharem caminho nessa área. Mas quem deu o ponta-pé inicial foi o amigo de família Pier Paolo Pasolini, que convidou Bertolucci a ser assistente de produção.

 

Com o incentivo do pai na poesia, Bertolucci cursou a Faculdade de Literatura Moderna da Universidade La Sapienza, de Roma, antes de abandonar as letras e se dedicar ao cinema. O seu primeiro filme de sucesso foi “O confirmista”, de 1970, inspirado no romance homônimo de Alberto Moravia, que rendeu a sua primeira indicação ao Oscar.

 

Então, o italiano abraçou o universo da sétima arte e trilhou uma carreira em que dirigiu mais de 30 filmes. Em 2007, ele venceu o “Leão de Ouro” pela carreira na 64ª Mostra de Veneza, e em 2011 foi honrado com a “Palma de Ouro”, no Festival de Cannes, pelo conjunto da obra.

 

O último filme que produziu foi “Eu e Você”, em 2012, em que o introvertido Lorenzo tenta se esconder no porão para fugir dos problemas do mundo.

 

 

Além de filmes de ficção, Bertolucci dirigiu documentários. Iniciou a carreira artística como poeta e também se destacou como roteirista. Assinou, por exemplo, “Era Uma Vez no Oeste” (1968), de Sergio Leone.

Nos últimos anos, Bernardo Bertolucci vinha sendo alvo de críticas após ter vindo à tona um vídeo no qual ele admitiu ter filmado uma cena de sexo não consentida em “O último tango em Paris”.

No vídeo, gravado originalmente em 2013 mas republicado por uma ONG espanhola no final de 2016, Bertolucci conta que a atriz Maria Schneider (1952-2011), na época com 19 anos, não sabia de antemão o que aconteceria numa cena na qual Marlon Brando (1924-2004) usa manteiga como lubrificante.

A sequência é uma das mais famosas e polêmicas da história do cinema e intensificou a censura ao longa ao redor do mundo.

“A sequência da manteiga foi uma ideia que tive com Marlon na manhã anterior à filmagem”, lembrou o diretor. “Fui horrível com Maria, porque não lhe disse o que iria acontecer”. De acordo com ele, a intenção era fazer Schneider reagir “como uma menina, não como um atriz”.

No vídeo, Bertolucci conta ainda que não voltou a ver a atriz depois das gravações do filme, porque “ela o odiava”. Na época, o diretor afirmou sentir-se culpado pelo episódio, mas não arrependido. “Para fazer filmes e obter algo, às vezes precisamos ser completamente frios.”

Em uma entrevista de 2007 ao tabloide britânico “Daily Mail”, Schneider afirmou que se sentiu humilhada e “um pouco estuprada” durante as filmagens. A atriz contou que a cena não estava no roteiro original e que foi informada sobre o conteúdo pouco antes da filmagem, mas disse que não houve sexo real.

“Marlon me disse: ‘Maria, não se preocupe, é só um filme’. Mas, durante a cena, mesmo que o que Marlon estava fazendo não fosse real, eu estava chorando lágrimas de verdade”, disse.

“Eu estava com tanta raiva. Eu deveria ter ligado para o meu agente ou ter pedido que meu advogado fosse ao set porque você não pode forçar alguém a fazer algo que não está no roteiro, mas na época eu não sabia disso.”

“O último tango em Paris” teve duas indicações ao Oscar: melhor diretor e melhor ator (para Brando).

Poeta

Bernardo Bertolucci nasceu em 16 março de 1941, em Parma. Seu pai, Attilio, era professor de história da arte, poeta, escritor e crítico de cinema.

Influenciado por Attilio, Bernardo começou a carreira artística também como poeta (chegou a ganhar prêmios literários). Cursou Literatura Moderna na Universidade de Roma, mas depois optou por se dedicar ao cinema.

Inicialmente, trabalhou como assistente de direção em “Accatone – Desajuste social” (1961), do cineasta e escritor Pier Paolo Pasolini (1922-1975), amigo de Attilio.

Foi também por influência de Pasolini que Bertolucci dirigiu seu primeiro longa , “A morte” (1962). Com 21 anos, fez uma estreia com críticas negativas. O segundo filme, porém, “Antes da revolução” (1964), teve recepção mais favorável.

Da produção inicial, outros destaques foram “O conformista” (1970), que rendeu indicação ao Oscar de melhor roteiro adaptado, e “A estratégia da aranha” (1970).

Nos anos 1970, além de “O último tango…”, dirigiu “1900”( 1976), que tem no elenco grandes nomes, como Robert De Niro, Burt Lancaster, Gérard Depardieu e Donald Sutherland.

Ao longo das décadas seguintes, Bertolucci lançou filmes que aumentaram sua popularidade e novamente com elencos estrelados, caso de “O Céu Que Nos Protege” (1990), com John Malkovich e Debra Winger, e “O Pequeno Buda” (1993), protagonizado por Keanu Reeves. Em “Beleza Roubada” (1996), dirigiu Jeremy Irons e a então novata Liv Tyler.

Já neste século, uma de suas obras mais conhecidas é “Os Sonhadores” (2003), com Eva Green, Louis Garrel e Michael Pitt vivendo três jovens em Paris durante o maio de 1968.

Bernardo Bertolucci faleceu em 26 de novembro de 2018, em Roma, aos 77 anos.

(Fonte: https://www.terra.com.br/diversao/arte-e-cultura – DIVERSÃO / ARTE E CULTURA – 26 nov 2018)

(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2018/11/26 – POP & ARTE – CINEMA / NOTÍCIA – Por G1 – 26/11/2018)

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