Amos Oz, romancista israelense, era autor de ‘Uma história de Amor e Trevas’, foi ativista pela paz em Israel

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Amos Oz, escritor israelense, era autor de ‘Uma história de Amor e Trevas’

 

Um dos intelectuais mais reconhecidos de seu país, ele publicou 35 livros e foi ativista pela paz em Israel.

 

Amos Oz (Jerusalém, 4 de maio de 1939 – Tel-Aviv, 28 de dezembro de 2018), escritor israelense e cofundador do movimento pacifista Paz Agora. Autor de “Como Curar um Fanático” defendia solução de dois Estados para pôr fim ao conflito entre israelenses e palestinos.

 

O premiado escritor e pacifista israelense foi um dos escritores israelenses mais lidos do mundo e traduzido para 45 idiomas, Oz recebeu dezenas de prêmios ao longo da carreira, mas, apesar de considerado em várias oportunidades, nunca foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura.

 

Oz é considerado um dos autores mais prestigiados da história do país, além de ter sido um importante ativista em defesa da paz e defensor da solução de dois Estados para pôr fim ao conflito entre israelenses e palestinos.

 

Ele nasceu em Jerusalém, quando a cidade ainda era palestina sob o mandato do Reino Unido, e começou a publicar livros aos 22 anos. Sua família era de origem russa e polonesa. O escritor foi batizado com o nome Amós Klausner, mas escolheu como pseudônimo Oz, que significa “força” ou “coragem”.

 

Desde os anos 60, o autor publicou 35 livros, entre romances, histórias infantis e coleções de artigos, críticas e ensaios, além de outros textos. Como escritor e ativista político, foi um dos intelectuais mais reconhecidos de seu país. Suas obras foram traduzidas para 42 idiomas em 43 países.

Ainda jovem, entrou para um kibutz e estudou literatura e filosofia na Universidade Hebraica de Jerusalém, tendo publicado os seus primeiros contos entre 1960 e 1963. Ele também participou como militar da Guerra dos Seis Dias e da Guerra do Yom-Kippur e fundou, na década de 1970, juntamente com outros, o movimento pacifista Paz Agora (Shalom Akhshav), do qual se tornou o principal representante.

 

 

Ao longo da carreira, além dos livros, Oz publicou coleções de ensaios e cerca de 500 artigos de opinião. Aclamado desde o início como o “Camus israelense”, o escritor denunciou, nos últimos anos, a política do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, protestando contra o que qualificou como “um extremismo crescente” do governo.

 

 

Em uma entrevista concedida em abril deste ano para um canal alemão, Oz disse: “Não sei o que o futuro reserva para Jerusalém, mas sei o que deve acontecer. Todos os países do mundo devem seguir o presidente Trump e transferir suas embaixadas em Israel para Jerusalém. Ao mesmo tempo, cada um desses países deve abrir sua própria embaixada em Jerusalém Oriental como a capital do povo palestino”.

 

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Entre os livros mais conhecidos do escritor estão A Caixa Preta, De Amor e TrevasComo Curar um Fanático e Rimas da Vida e da Morte. Suas obras foram traduzidas em mais de 45 idiomas. De amor e trevas, em que abordou o suicídio da sua mãe, obteve grande sucesso mundial e foi adaptado ao cinema, com a atriz Natalie Portman como diretora e protagonista.

 

O escritor israelense Amos Oz, o principal convidado da feira anual de livros de Budapeste, posa entre seus livros no salão do Centro Cultural Millenaris. Foto de abril de 2010 — (Foto: Gergely Botar/AFP/Arquivo)

 

 

Seu livro mais conhecido é o romance autobiográfico “Uma História de Amor e Trevas” (2002), considerado uma obra-prima da literatura mundial.

Entre seus trabalhos, estão ainda “Meu Michael” (1968), “A Caixa Preta” (1988), “Conhecer uma Mulher” (1991), “Pantera no Porão” (1997), “O Mesmo Mar” (2002) e “Rimas da Vida e da Morte” (2007).

Biografia

Nascido em 4 de maio de 1939 em Jerusalém, de uma família de origem russa e polonesa, Amos mudou seu sobrenome em 1954, de Klausner para Oz, uma palavra hebraica que significa “força, coragem”. No mesmo ano, deixou sua cidade natal para trabalhar no kibutz Hulda.

Ele publicou seus primeiros contos com pouco mais de 20 anos, em um periódico local. De volta a Jerusalém, estudou filosofia e literatura na Universidade Hebraica antes de retornar ao kibutz, onde por 25 anos dividiu seu tempo entre escrever e dar aulas.

Como soldado de reserva, Amos lutou no Sinai durante a Guerra dos Seis Dias de 1967 e nas Colinas de Golã na Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973.

Desde então, o autor publicou vários artigos e ensaios sobre o conflito árabe-israelense, nos quais fazia campanha por um compromisso israelense e palestino baseado no reconhecimento mútuo e na coexistência entre Israel e um Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza. Seus trabalhos sobre o tema foram traduzidos no mundo todo.
Em 2013, o autor foi reconhecido com o prestigiado prêmio literário Franz Kafka, em Praga. Ele também venceu o Prêmio Goethe em 2005, o prêmio Príncipe das Astúrias em 2007, o Prêmio da Paz dos livreiros alemães em 1992 e o Prêmio Israel de Literatura de 1998.

Ativismo

Nos anos 60, o escritor também foi ativo no grupo social-democrata Min Hayesod, que se opunha ao culto à personalidade em torno do então primeiro-ministro israelense David Ben-Gurion.

Tornou-se o principal porta-voz do movimento Paz Agora (também conhecido como Peace Now), fundado em 1977 com sua participação. A organização foi criada com o propósito de alcançar a paz interna e externa para Israel.

O escritor israelense Amos Oz, em foto de 2016 — (Foto: Leonardo Cendamo/Leemage/AFP/Arquivo)

 

 

Em entrevista à GloboNews, em julho de 2017, Amos contou que, por seu ativismo, foi chamado de traidor por alguns grupos extremistas israelenses. Ele considerava o título uma honra:

Acho que ‘traidor’ pode ser um título honorário. Muitos grandes homens e mulheres da História foram chamados de traidores simplesmente por estarem um pouco à frente de seu tempo.”

Para o escritor, havia uma “radicalização no mundo todo da extrema direita”, assim como uma “certa radicalização da extrema esquerda”. “Muita gente se esquece de que o extremismo produz desastres colossais.”

Na entrevista, o autor também falou sobre o papel político do escritor. “Quais são as qualificações que um escritor tem para discutir política? Eu não sou especialista em nada. Às vezes gosto de pensar que sou especialista em especialistas, mas eu tenho ouvido para palavras, para a linguagem, porque a linguagem é a minha ferramenta”. Ele acrescentou:

Sinto que é meu dever ser bombeiro da linguagem ou pelo menos o detector de fumaça. Eu ergo minha voz e grito sempre para combater uma linguagem corrompida.

 

 

 

Amos Oz faleceu em Tel-Aviv, aos 79 anos, em 28 de dezembro de 2018. Ele sofria de câncer.

 

Repercussão

 

Autoridades e artistas usaram as redes sociais para lamentar a morte do escritor. Emmanuel Nahshon, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, disse que Amos foi “uma das vozes literárias mais proeminentes” do país.

“Uma perda para todos nós e para o mundo. Que a sua memória seja abençoada”, escreveu.

“Muitas vezes, em momentos trágicos, quando a certeza parecia vacilar e o chão se esquivar, eu me perguntava: ‘O que pensa Amos Oz? O que diz Amos Oz?'”, disse o escritor francês Bernard-Henri Lévy.

 

(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2018/12/28 – POP & ARTE / NOTÍCIA / LITERATURA / Por G1 – 28/12/2018)

(Fonte: Deutsche Welle – NOTÍCIAS / CULTURA – 28.12.2018)

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