Uri Avnery, fundador do movimento pacifista Gush Shalom, militante pacifista foi criticado na década de 1980 por ter entrevistado o líder palestino Yasser Arafat

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Pacifista israelense que entrevistou Arafat

 

Uri Avneri participa de marcha com outros militantes da ONG pacifista Gush Shalom em direção à sede do movimento do líder palestino Yasser Arafat em Ramallah, em 22 de abril de 2002 – (AFP/Arquivos)

 

Uri Avnery, veterano ativista pela paz e um dos primeiros israelenses a encontrar Arafat

 

 

Uri Avnery (Beckum, Alemanha, 10 de setembro de 1923 – Tel Aviv, 20 de agosto de 2018), jornalista e militante pacifista israelense, criticado na década de 1980 por ter entrevistado o líder palestino Yasser Arafat.

 

Fundador do movimento pacifista Gush Shalom, Avnery também foi um dos primeiros israelenses a defender ativamente o estabelecimento de um Estado palestino.

 

Figura central do movimento pacifista israelense, Uri Avnery causou um grande choque em julho de 1982 ao entrevistar Arafat para o jornal Haolam Haze.

 

Avnery foi um dos primeiros israelenses a entrevistar Arafat, considerado na época o maior inimigo de Israel.

A entrevista aconteceu em Beirute, cercada pelo exército israelense.

Partidário da criação de um Estado Palestino, Avnery integrou o exército israelense e atuou em uma milícia de direita antes de virar um grande defensor da paz no Oriente Médio.

 

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Uri Avnery, cujo primeiro nome foi Helmut Ostermann, nasceu na Alemanha em setembro de 1923 e emigrou para a Palestina em 1933, após a chegada de Adolf Hitler ao poder.

 

Depois de fazer parte do Irgun, um grupo militar clandestino judeu que era contrário às autoridades britânicas presentes na Palestina, Avnery se alistou no exército israelense após a fundação do Estado de Israel em 1948 e foi ferido durante primeira guerra árabe-israelense.

Apesar de ter sido na juventude um ferrenho defensor do exército israelense, Avnery acabou decepcionado com o fato do “exército do povo” ter sido “corrompido com a ocupação” dos territórios palestinos.

 

Depois de abandonar o exército, Avnery fundou a Haolam Haze (Este Mundo) em 1950, um revista crítica das instituições israelenses.

 

À frente da Haolam Haze, Avnery foi vítima da censura do governo de Israel e de ataques pessoais. Em 1955, uma bomba foi colocada na redação da revista, a única publicação da época em Israel que não estava sob o amparo de um partido.

 

Avnery dirigiu durante 40 anos a revista, caracterizada por reportagens investigativas, além de sua defesa da criação de um Estado palestino e da convivência entre judeus e árabes.

Foi eleito deputado para o Parlamento de Israel em 1965 e ocupou uma cadeira na Assembleia durante 10 anos.

Fundou em 1994 a ONG pacifista Gush Shalom (Bloco da paz), que se diferenciou de outros movimentos pacifistas israelenses ao exigir o retorno dos palestinos expulsos durante a criação de Israel em 1948.

Escritor prolífico, Avnery publicou diversos livros, incluindo a autobiografa “Otimista”.

 

Em 2011, já se mostrava preocupado com a guinada nacionalista da sociedade israelense, mas destacou que permanecia “otimista”. “Acredito na capacidade deste povo para mudar de rumo”.

Também recebeu muitos prêmios internacionais, como o Prêmio da Paz Erich Maria Remarque em 1995.

Uri Avnery faleceu em Tel Aviv em 20 de agosto de 2018, aos 94 anos.

Depois de sofrer um AVC, passou vários dias internados no hospital Ichilov de Tel Aviv.

Após o anúncio de sua morte, o presidente israelense, Reuven Rivlin, do partido conservador Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmou que “as rivalidades ideológicas desaparecem diante de sua vontade de construir uma sociedade livre e forte”.

Ayman Odeh, líder do partido opositor Lista Árabe Unida, homenageou a memória de “um homem que dedicou sua vida à paz e à criação de um Estado palestino”.

(Fonte: https://istoe.com.br – EDIÇÃO Nº 2651 – COMPORTAMENTO / por AFP – 20/08/18)
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