“Toda essa raiva e ódio que tem na sociedade é a raiva contra os pobres”, disse o teólogo e escritor Leonardo Boff

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“Toda essa raiva e ódio que tem na sociedade é a raiva contra os pobres.” Leonardo Boff, teólogo e escritor

Leonardo Boff diz que pedido de impeachment é questão de luta de classes

O teólogo e escritor Leonardo Boff disse dia 14 de abril de 2016, em evento no Rio de Janeiro, que a tentativa de impedimento da presidenta Dilma Roussef simboliza a luta de classes que nunca foi superada no Brasil. Boff participou do debate Tolerância e Democracia – Este não será o país do ódio, organizado pelo coletivo À Esquerda da Praça São Salvador, que reuniu cerca de 2 mil pessoas em Laranjeiras, na zona sul da cidade.

Segundo Boff, a animosidade que ocorre hoje nas ruas ainda é reflexo da “batalha da casa grande e da senzala”.

“Toda essa raiva e ódio que tem na sociedade é a raiva contra os pobres, porque eles estavam sempre na margem e agora foram incluídos. Têm luz em casa, têm uma casinha, têm a cesta básica, podem frequentar a universidade, podem fazer seu estudo técnico, isso não havia antes. Então as classes poderosas têm medo, porque [os pobres]estão ocupando os espaços que antes eram reservados a elas. Isso é a intolerância que as classes sempre tiveram na história brasileira”, analisou.

Para Boff, “vai triunfar a razão” na votação do impeachment, marcada para domingo (17), e os deputados “vão perceber que não há motivo sério para aplicar o instituto do impeachment contra Dilma”.

Em sua fala no debate, o teólogo citou o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que costumava dizer que a democracia se fundamenta sobre quatro bases: a participação do cidadão, o reconhecimento da diferença, a tolerância e a comunicação. A esses fundamentos, Boff acrescentou “o cultivo do espírito”, citando o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe.

“Somos seres humanos que têm subjetividades, que gostam de trocar opiniões, tomar uma cervejinha e trocar ideias sobre as visões que temos do mundo. Não é um elemento das religiões, é da profundidade humana. Hoje há mais academias de ginástica do que bibliotecas e igrejas. Nós não cultivamos a vida do espírito, feita de amizade, de existência, de harmonização, de sentar junto e celebrar a vida”.

Em seu discurso contra a intolerância, Boff também citou a oração de São Francisco: “se eles usarem ódio, vamos usar o amor”.

O ator e roteirista Gregório Duvivier brincou que uma coisa boa do que chamou de golpe é a união que ocorreu entre as esquerdas para se posicionar contra o impeachment. Duvivier destacou que não apoia o governo Dilma, mas que respeita e defende os 54 milhões de votos que a presidenta recebeu.

“União não significa unificação, o fato de estarmos unidos não significa que pensamos a mesma coisa. A gente tem que pressionar para o PT ir para a esquerda, porque ela [Dilma] foi eleita por um projeto de esquerda. E depois que a gente barrar o impeachment, que a gente continue nas ruas para pressionar.”

(Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2016/04 – BRASIL – NOTÍCIA – 14/04/2016)

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