DR. SIMON FLEXNER; LÍDER MÉDICO.
Ex-Diretor do Instituto Rockefeller de pesquisa, renomado em doenças virais.
OCUPOU O CARGO POR 31 ANOS.
Membro de família notável, era especialista em paralisia infantil.
Fez muitas descobertas
Simon Flexner (nasceu em Louisville, em 25 de março de 1863 — faleceu em Nova Iorque, em 2 de maio de 1946), foi um médico que alcançou renome mundial por suas investigações sobre doenças infecciosas, notadamente disenteria, meningite, paralisia infantil e encefalite letárgica.
O Dr. Flexner foi o organizador e primeiro diretor do Instituto Rockefeller de Pesquisa Médica, que chefiou desde o início de suas atividades em 1904 até 1935, quando se tornou diretor emérito. Ele permaneceu ativo, no entanto, por vários anos, dando palestras, escrevendo e realizando pesquisas.
Passei a vida inteira lutando contra germes.
A vida do Dr. Flexner foi dedicada inabalavelmente à luta contra os inimigos microscópicos e submicroscópicos da humanidade. Ele recebeu seu diploma de medicina pela Universidade de Louisville em 1889, aos 26 anos, e por quase meio século depois disso continuou ininterruptamente seus estudos e pesquisas nas áreas de bacteriologia e patologia.
Sob a liderança do Dr. Flexner, o Instituto Rockefeller tornou-se uma das maiores instituições de pesquisa do mundo nas áreas de medicina, biologia e fisiologia, e se desenvolveu em um centro de pesquisa de destaque no campo das doenças virais.
Quando ele assumiu a direção do instituto, o mundo médico já conhecia a existência de microrganismos que escapavam aos microscópios mais potentes e atravessavam os filtros mais finos criados para reter todas as bactérias visíveis ao microscópio. Presumia-se que esses microrganismos, conhecidos como vírus filtráveis e causadores de uma grande variedade de doenças graves em homens, animais e plantas (incluindo febre amarela, caxumba, sarampo, varíola, gripe epidêmica, diversos tipos de resfriado comum, encefalite e paraplegia), eram bactérias vivas pequenas demais para serem vistas ao microscópio.
Longa Busca Frutífera
Cercado por um grupo de investigadores brilhantes, o Dr. Flexner lançou-se num ataque implacável contra esses inimigos invisíveis da humanidade. A busca foi longa e árdua, e ainda está longe de terminar, mas quando o Dr. Flexner deixou a direção em 1935, as técnicas desenvolvidas sob sua orientação haviam levado a resultados surpreendentes, que abriram caminhos completamente novos não só no campo da pesquisa de vírus, mas também nas abordagens aos problemas da natureza da substância viva.
O Dr. Flexner era considerado por muitos a maior autoridade mundial em paralisia infantil. Foi sob sua direção que a série clássica de experimentos sobre essa doença foi realizada no Instituto Rockefeller, o que levou primeiro à identificação de sua causa como sendo um vírus, depois ao seu método de transmissão de pessoa para pessoa e, finalmente, ao método pelo qual ele entra no corpo.
Foi a última descoberta, anunciada perante a Academia Nacional de Ciências em 1933, que abriu uma abordagem completamente nova para a possível prevenção da doença. Descobriu-se, anunciou o Dr. Flexner, que o nervo olfatório, órgão do olfato, era a porta de entrada para o corpo humano e animal através da qual o vírus da paralisia infantil, e possivelmente agentes de outras doenças infecciosas e inflamatórias do cérebro e da medula espinhal, entravam para causar destruição.
Procure por spray nasal
Essa descoberta levou diretamente à busca por um spray nasal para ser aplicado em crianças durante epidemias, a fim de impedir que o vírus atravessasse o nervo olfativo. Vários sprays desse tipo foram desenvolvidos, muitos deles com resultados promissores.
Nascido em Louisville, Kentucky, em 25 de março de 1863, filho de Morris e Esther Abraham Flexner, ele estudou nas escolas públicas da cidade e frequentou a Universidade de Louisville.
A formação médica do Dr. Flexner foi completa e sem pressa. Após receber seu diploma de médico em 1889, ele estudou por vários anos como estudante de pós-graduação em medicina na Johns Hopkins, na Universidade de Estrasburgo, na Universidade de Berlim, na Universidade de Praga e no Instituto Pasteur. Em 1895, após retornar de seus estudos no exterior, tornou-se membro do corpo docente da Johns Hopkins como Professor Associado de Patologia até 1898 e como Professor de Anatomia Patológica neste último ano e em 1899.
Ele foi membro de uma comissão enviada pela Universidade Johns Hopkins em 1899 às Ilhas Filipinas, onde descobriu o bacilo responsável por uma forma de disenteria disseminada pelo mundo. Ao retornar, tornou-se professor de Patologia na Universidade da Pensilvânia e diretor do Laboratório Clínico Ayer, onde as notáveis habilidades que demonstrou em pesquisa e como executivo o levaram a ser escolhido para organizar o Instituto Rockefeller de Pesquisa Médica, que iniciou suas atividades em 15 de outubro de 1904.
Tratamento com soro desenvolvido
Uma grave epidemia de meningite cerebroespinhal atingiu Nova York naquele mesmo ano, e o Dr. Flexner foi nomeado para uma comissão que a estudava. Ele desenvolveu um tratamento com soro para combatê-la, que em 1907 já estava salvando muitas vidas. Novamente, quando uma epidemia de poliomielite assolou Nova York em 1908, o Dr. Flexner voltou-se para o estudo dessa doença.
Em seus últimos anos, ele se voltou cada vez mais do estudo de doenças individuais para o problema mais amplo das epidemias. Para entender como elas se espalham pelas comunidades, ele organizou aldeias de ratos — um método que, nas mãos de pesquisadores posteriores, levou a importantes descobertas.
O Dr. Flexner foi homenageado por muitas instituições educacionais e científicas. Recebeu títulos honorários de dezoito universidades; foi membro da Academia Nacional de Ciências e da Sociedade Filosófica Americana; membro estrangeiro da Royal Society de Londres, associado estrangeiro do Instituto da França, Comendador da Legião de Honra francesa e membro honorário, membro ou associado de muitas entidades científicas em outros países.
Lecionou na Universidade de Oxford
Logo após se aposentar do Instituto Rockefeller, o Dr. Flexner atuou como Professor Eastman na Universidade de Oxford, em 1937 e 1938. Mais tarde, ele e seu filho, James Thomas Flexner, escreveram em conjunto “William Henry Welch and the Heroic Age of American Medicine” (William Henry Welch e a Era Heroica da Medicina Americana), que não era apenas uma biografia de seu amigo e professor, mas também narrava o crescimento do conhecimento médico nos Estados Unidos.
Por ocasião do octogésimo aniversário do Dr. Flexner, em 25 de março de 1943, o jornal THE NEW YORK TIMES publicou o seguinte editorial:
“Junto com o falecido Dr. William H. Welch, o gênio orientador do Instituto Rockefeller em seus primeiros anos, o Dr. Flexner compartilha o mérito de ter elevado a ciência médica americana ao seu nível atual. É praticamente impossível traçar a história das doenças infecciosas sem consultar seus numerosos escritos. A China o considera seu pai da medicina, pois ele a despertou para a necessidade de cultivar a ciência ocidental — um despertar que se expressou na fundação do Peiping Union Medical College. O Conselho de Pesquisa Médica da Grã-Bretanha reconhece o valor de seus conselhos. Oxford o recorda como um de seus professores Eastman. Um homem deste calibre científico pertence ao mundo, e é com o mundo que o Instituto Rockefeller sempre o compartilhou.”
Simon Flexner faleceu às 00h05 de 2 de maio de 1946 no Hospital Presbiteriano, em decorrência de uma oclusão coronária após uma cirurgia. Ele tinha 83 anos.
Ele pertencia a uma família de excepcional distinção intelectual. Seu irmão, Abraham (1866 – 1959), foi diretor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, em Nova Jersey, até 1940. Outro irmão, Bernard Flexner, era um advogado renomado, falecido no ano passado. Outros dois irmãos eram o Dr. Jacob Flexner, de Louisville, falecido em 1934, e Washington Flexner, de Chicago, falecido em 1943. Duas irmãs, a Srta. Mary Flexner, desta cidade, e a Sra. Julius L. Baldauf, de Chicago, ainda estão vivas.
O Dr. Flexner deixa também uma viúva, Helen Whitall Thomas, de Bryn Mawr, Pensilvânia, com quem se casou em 1903, e dois filhos: William Welch Flexner, professor de matemática na Universidade Cornell, atualmente em licença para servir ao governo em Londres, e James Thomas Flexner, escritor.
O funeral foi privado.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1946/05/03/archives – New York Times/ Arquivos/ Arquivos do The New York Times –

