Omar Cardoso (1921-1978), astrólogo paulista, o mais célebre horoscopista brasileiro.

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Omar Cardoso: bom humor e intimidade com os ouvintes

Omar Cardoso (1921-1978), astrólogo paulista, o mais célebre horoscopista brasileiro. Por influência de seu pai, Sadi Nunes, começou a dedicar-se à astrologia ainda na adolescência e seu interesse pelas previsões aumentou com a leitura das profecias de Nostradamus; assim, nascia o futuro astrólogo, que provavelmente jamais teria chegado a se tornar o mais célebre horoscopista brasileiro não fosse o pendor que igualmente revelou muito cedo para entreter pessoas, primeiro como locutor da Rádio Espírita, aos 19 anos, e pouco mais tarde como animador, na Rádio São Paulo, do programa “Caipiradas”; logo estava cuidando dos horóscopos em programas de rádio; otimista, brincalhão, imprimiria essas características às previsões astrais sobre o destino alheio – tom que provou ser do agrado geral, pois sua ascensão como astrólogo se baseou em crescentes índices de audiência radiofônica, sustentados por uma legião de ouvintes; o programa “Bom dia, Mesmo”, que manteve até as vésperas de sua morte Rádio Bandeirantes, de São Paulo, era retransmitido por uma centena de outras emissoras; uma média mensal de 1 300 cartas, enviadas de todos os cantos do país, indagava ao célebre Omar Cardoso sobre o que esperar do destino; antes de responder, ele brindava os ouvintes com um tonificante cumprimento: “Bom dia, mas bom dia mesmo”; a seguir, vinham as orientações para as aflições do amor, da saúde ou dos negócios; como os ouvintes, que geralmente se ocultavam sob pseudônimos, o astrólogo também preferira o mais sonoro Omar Cardoso a seu verdadeiro nome – Homar Henrique Nunes; mantinha colunas em 140 jornais, publicava um horóscopo anual com tiragem de 300 000 exemplares;

liderava um grupo empresarial que, utilizando a astrologia como alavanca para vendas, derramava por todo o país chaveiros, brindes, adesivos e até “horóscopos computadorizados”; aureolado pela fama no rádio, ascendeu à televisão, passando por todos os canais importantes, da Globo à Tupi, e sempre atuando como uma espécie de dublê de horoscopista e animador de programa – o sorriso e a cuidadosa e lenta pronúncia das palavras, sílaba por sílaba, eram também marcas que cultivava com sucesso; de hábito, evitava previsões categóricas; faz parte das histórias que se contam a seu respeito algumas gafes supostamente cometidas por ele ao desobedecer essa precaução: em 1967, teria previsto a morte de Paulo VI para o ano seguinte – e, caso o papa não morresse em 1968, afirmara, poderia muito bem viver até 1975; o ano de 1973 assistiria à eclosão da III Guerra Mundial, no Oriente Médio; em 1977, a Ponte Preta, de Campinas, seria campeã paulista de futebol; também não chegaria a prever com rigor o ano de sua própria morte, mas não nutria ilusões de viver muito mais – até os 63 anos, no máximo, conforme dizia a amigos; na verdade, sua saúde não andava bem nos últimos tempos; por precaução, abandonara a televisão, ante aviso de médicos de que poderia sofrer enfarte, e montara um estúdio em sua chácara, nos arredores da cidade paulista de Campinas, onde gravava os programas de rádio depois enviados à Bandeirantes; nascido em Ribeirão Preto, a 30 de junho de 1921, pertencia ao signo de Câncer; ele preferiria, segundo confessou, ter nascido em Escorpião – casa astrológica que favorece a popularidade, confere firmeza de caráter e propicia o sucesso. Omar Cardoso morreu no dia 22 de novembro de 1978, aos 57 anos, de aneurisma cerebral, em Campinas, São Paulo.

(Fonte: Veja, 29 de novembro, 1978 – Edição n.° 534 – DATAS – Pág; 146)

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