José Vicente Faria Lima, ex-prefeito de São Paulo

0
Powered by Rock Convert

José Vicente Faria Lima (Rio de Janeiro, 7 de outubro de 1909 — Rio de Janeiro, 4 de setembro de 1969), ex-brigadeiro e ex-prefeito de São Paulo

José Vicente Faria Lima (1965-69) O Brigadeiro José Vicente Faria Lima foi certamente o maior realizador de obras que a cidade de São Paulo teve. Pode-se discutir a sua escala de prioridades ou a pouca atenção dada ao verde, mas existe um consenso quanto ao reconhecimento de seu insuperado dinamismo. Uma vez disse : “A cada ano crescemos uma nova Brasília, a cada dois uma nova Curitiba e a cada três uma nova Porto Alegre. É preciso construir e trabalhar muito”. E ele não fez outra coisa durante os quatro anos em que ficou responsável pela Prefeitura.

Acordava às 5 da manhã e lia os principais jornais. Às 7 ligava para a casa dos secretários e assessores comentando as notícias e a agenda do dia. Às oito horas já estava no gabinete despachando, quando não estava no helicóptero amarelo que o transportava para os canteiros de obras. Das empreiteiras cobrava ao pé da letra o respeito aos prazos contratados. Sua autoridade era sentida em todos os níveis da administração municipal.

Todas as terças-feiras havia um clima especial de expectativa na burocracia. Era o dia dos “despachos das vilas”, quando recebia as SABs (Sociedades de Amigos de Bairros) em rodízio e escutava suas reivindicações, acompanhado pelos secretários e administradores regionais. Através destas audiências Faria Lima avaliava o desempenho da máquina administrativa através do relato direto da comunidade e tomava as medidas necessárias imediatamente. Quando se constatava negligência ou mau comportamento de funcionários, estes eram prontamente alertados ou punidos, se assim fosse o caso.

Sua fama de bom administrador foi revelada inicialmente como diretor do Parque da Aeronáutica de São Paulo, quando ainda era militar da ativa, chamando a atenção do então governador Jânio Quadros que o convidou para presidir a VASP, na época pertencente ao estado. A companhia aérea, que estava combalida pela administração de Adhemar de Barros, foi transformada rapidamente em uma empresa eficiente. Diante desta façanha, Jânio não demorou a convidar o Brigadeiro apara ser Secretário de Viação e Obras Públicas. Foi confirmado no cargo por Carvalho Pinto quando este sucedeu a Jânio, repetindo uma gestão exemplar.

A Prefeitura foi portanto o coroamento de sua carreira, uma das mais marcantes da administração pública brasileira. Foi ele quem terminou a estruturação de São Paulo como metrópole industrial, um ciclo iniciado com o prefeito Pires do Rio (1926-30), e preparou a transição para a metrópole dos serviços, seja deixando um plano diretor, o Plano Urbanístico Básico, seja iniciando o Metrô, duas antigas aspirações da cidade sempre adiadas.

A maior característica de sua gestão foi a preocupação viária, com destaque para os 45 km das marginais do Tietê, a interligação das avenidas 23 de maio e Rubem Berta, 51 viadutos e pontes, além do alargamento de diversas ruas e avenidas, entre elas a Faria Lima (na época rua Iguatemi) e a Rebouças. Atuou também em projetos sociais : foi o primeiro prefeito a atender a população de 0 a 4 anos, criando as primeiras creches municipais e subsidiando algumas particulares já existentes. Construiu também escolas, hospitais e postos de saude. Na área cultural deixou sua marca ao concluir o prédio do Museu de Arte de São Paulo na avenida Paulista, inaugurado pela Rainha Elizabeth II da Inglaterra durante visita oficial.

Em 1968 ajudou a conduzir o último bonde de São Paulo no trajeto Centro-Perdizes. A erradicação total dos bondes valeu-lhe muitas críticas, assim como a opção pela linha inicial do metrô. Quanto aos bondes, seu erro foi não ter preservado certas linhas consideradas como um metrô a céu-aberto, como era o caso da linha para Santo Amaro, no leito das atuais avenidas Ibirapuera e Vereador José Diniz. Com relação ao metrô, a maior demanda potencial era a da linha Leste-Oeste, mas acabou optando pela Norte-Sul que atendia uma população significativamente menor e mais bem servida por ônibus.

Chegou ao final de seu mandato no início de 1969 com uma popularidade jamais igualada : uma pesquisa apontou uma avaliação em que 97% dos paulistanos o consideravam bom ou ótimo prefeito. A Constituição de 1967, imposta pela ditadura militar ao Congresso, havia criado um mandato tampão de mais dois anos para os prefeitos, com o intuito de fazer coincidir os mandatos estaduais e municipais, além de repor nas mãos dos governadores a indicação dos prefeitos das capitais. O governador Abreu Sodré estava inclinado a indicar Faria Lima, mas cedeu às pressões do presidente Costa e Silva e nomeou Paulo Salim Maluf (1969-71), um ex-diretor da Associação Comercial de São Paulo a quem Costa devia alguns favores.
(Fonte: www.sampa.art.br- Biografias/farialima)
(Fonte: Zero Hora – Memória – 11/07/11)
(Fonte: http://www.estadao.com.br – Priscila Trindade, da Central de Notícias)

José Vicente de Faria Lima nasceu em 7 de outubro de 1909 no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal.

Filho de João Soares Lima, imigrante português que trabalhava no Arsenal de Marinha, e de Castorina Faria Lima, foi engenheiro e casado com Iolanda Faria Lima, com quem teve três filhos.

Carreira

Com brilhante biografia militar, Faria Lima participou da criação da Aeronáutica com o brigadeiro Eduardo Gomes e foi um dos pioneiros do famoso Correio Aéreo Nacional (CAN), fator decisivo da integração nacional.

Na Força Aérea Brasileira (FAB), fez cursos de aviador militar, de observador e de engenharia aeronáutica, especializando-se em engenharia na Escola Superior de Aeronáutica da França.

Enquanto coronel, acabou transferido, em janeiro de 1948, para o Parque da Aeronáutica, no Campo de Marte, em São Paulo. Destacou-se como administrador e ficou conhecido pelo apoio, oferecido pela unidade militar que comandava, à nascente indústria automobilista.

Seu trabalho à frente do Parque de Aeronáutica chamou a atenção de Jânio Quadros que, empossado no governo de São Paulo em janeiro de 1955, designou-o presidente da Viação Aérea São Paulo (Vasp), então empresa aérea do governo paulista. Esse foi seu primeiro cargo fora da carreira militar.

Saindo da Vasp, foi nomeado secretário de Viação e Obras Públicas do Estado e realizou o asfaltamento de dois mil quilômetros de estradas no interior do Estado de São Paulo, obra considerada uma das mais importantes da administração de Quadros.

Em 1958, ainda secretário de Viação e Obras Públicas, foi promovido a brigadeiro-do-ar. Em setembro de 1959, foi promovido a coronel-aviador.

Em janeiro de 1961, com a eleição de Jânio para a Presidência da República, seguiu para Brasília para presidir o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE), permanecendo até setembro, após a renúncia de Quadros e posse do vice-presidente João Goulart. Em 1962, candidatou-se a vice-governador na chapa com Jânio Quadros para governador, mas perdeu a eleição.

O prefeito

Concorreu à Prefeitura de São Paulo nas eleições de 22 de março de 1965 cujo slogan foi a frase Vote em Faria Lima e Ganhe uma Cidade Nova.

Com o apoio de Jânio Quadros e de Carvalho Pinto, o brigadeiro José Vicente Faria Lima foi eleito prefeito da cidade de São Paulo, com 462.162 votos, para o período de 8 de abril de 1965 a 7 de abril de 1969, substituindo Francisco Prestes Maia.
Lançado pela legenda da União Democrática Nacional (UDN), disputou as eleições com o vice-governador Laudo Natel, do Partido Republicano (PR), o senador Auro de Moura Andrade, do Partido Social Democrático (PSD), o deputado federal Franco Montoro, do Partido Democrata Cristão (PDC), o senador e o engenheiro Paulo Egídio Martins Lino de Matos, do Partido Trabalhista Nacional.

Ganhou decisiva batalha por mais verbas para as capitais e com isso assegurou os recursos para seu plano de obras. Sua administração foi a mais fecunda da história da cidade até então, revolucionando a fisionomia da metrópole.
Notabilizou-se pelo volume de obras e pela profunda alteração que promoveu na paisagem urbana da cidade. Uma vez disse: “A cada ano crescemos uma nova Brasília, a cada dois uma nova Curitiba e a cada três uma nova Porto Alegre. É preciso construir e trabalhar muito”. Essas obras valeram-se do saneamento financeiro encetado por Prestes Maia a partir da alteração da Constituição Federal, realizada no governo de Castelo Branco, que permitiu à municipalidade absorver maior parcela dos impostos gerados na capital paulista.

Realizações

Faria Lima destacou-se pelas diversas obras e contribuiu de maneira significativa para soluções viárias da metrópole paulistana. Foi ele quem terminou a estruturação de São Paulo como metrópole industrial, deixando um Plano Diretor, o Plano Urbanístico Básico de São Paulo, considerado o primeiro estudo de vulto para o planejamento urbano da cidade, um marco no fim dos anos 1960, o qual sugere, entre outras decisões, a criação de uma extensa rede de vias expressas.

Durante sua gestão foram concluídas as obras da Avenida 23 de Maio, projetada mais de 40 anos antes, e foram abertas grandes avenidas, entre as quais a Radial Leste (projetada por Prestes Maia), a Avenida Rubem Berta, as Marginais dos Rios Tietê e Pinheiros e logradouros públicos, como a Praça Roosevelt. Alargou e duplicou a Avenida Rebouças, a Rua da Consolação, a Avenida Sumaré, a Avenida Pacaembu, a Avenida Cruzeiro do Sul, a Avenida Faria Lima (na época Rua Iguatemi), a Avenida Rio Branco, entre outras, executando também as obras do complexo viário do Parque D. Pedro II.

Retomou a proposta do prefeito Toledo Piza (1956-57) que propunha a criação de subprefeituras, descentralizando assim a ação municipal. A cidade foi dividida em 12 regiões, contando cada uma delas com uma espécie de subprefeito e funcionários encarregados de acompanhar as obras e levantar as necessidades da região.

Criou a Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), edificou o Hospital da Lapa e ampliou o serviço básico de saúde, construindo mais 14 postos de atendimento.

No setor educacional, Faria Lima construiu mais de duas mil salas de aula, privilegiando o ensino profissionalizante. Foi o primeiro prefeito a atender a população de zero a quatro anos, criando as 13 primeiras creches municipais e subsidiando algumas particulares já existentes.
Em 1968, ajudou a conduzir o último bonde de São Paulo. Na última viagem, em 27 de março, o comboio de 12 bondes, todos lotados, deixou o Instituto Biológico, na Vila Mariana, por volta das 20 horas em direção ao Largo Treze, em Santo Amaro. Dentro do carro número 1.543, seguiram o prefeito e o governador Abreu Sodré.

Para o prefeito Faria Lima, a implantação do sistema metroviário era uma das principais metas do seu governo. Para iniciar os estudos, foi criado, em 1966, o Grupo Executivo Metropolitano (GEM), antecessor do Metrô de São Paulo, que surgiria em 24 de abril de 1968.

No dia 14 de dezembro do mesmo ano, foram iniciadas as obras da primeira linha — a Norte-Sul, hoje denominada Linha Azul. Na área cultural, deixou sua marca ao concluir o prédio da atual sede do Museu de Arte de São Paulo (Masp), projeto de Lina Bo, arquiteta modernista italiana.

O terreno na Avenida Paulista havia sido doado à municipalidade, anteriormente ocupado pelo Belvedere Trianon. Construída de 1956 a 1968, a nova sede do Masp foi inaugurada em 7 de novembro de 1968 com a presença da rainha Elizabeth II, da Inglaterra. Faria Lima criou ainda o corpo de baile do Teatro Municipal, a Orquestra Jovem Sinfônica e a primeira Casa de Cultura, no bairro da Penha.

Em 1968, oficializou o carnaval de São Paulo. Carioca, nascido em Vila Isabel e apreciador de samba, importou os regulamentos do concurso de escolas de samba do Rio de Janeiro e os implantou na folia paulistana.

O marco definitivo das implicações jurídico-administrativas do carnaval é a sanção da Lei 7.100/67, destinada a regular a promoção do evento pela Prefeitura de São Paulo.
Essa lei, juntamente com a criação da Secretaria de Turismo e Fomento e as atividades por esta promovidas, encontrava-se num contexto que ampliava a atuação cultural da municipalidade. Ainda como consequência dessa política, foi idealizada, no ano de 1968, e só criada no ano de 1970 a Anhembi Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo S.A.

Em decorrência disso, em 1968, ocorreu o primeiro desfile oficial das escolas de samba, realizado na Avenida São João, em que se sagrado campeã a Escola de Samba Nenê de Vila Matilde, com o enredo Vendaval Maravilhoso, que falava sobre Castro Alves.

Durante sua gestão, foi construído o Terraço Itália, projetado por A. Franz Heep, no início da década de 1960 e inaugurado em 1965, considerado durante algumas décadas o edifício mais alto do Brasil. Em 1966, foi inaugurado o primeiro shopping center da cidade e do País, o Shopping Iguatemi.
Em 1966 o prefeito Faria Lima lançou um concurso para escolher um padrão de piso para a cidade. O piso ganhou as calçadas paulistanas e, por iniciativa do poder público, as avenidas passaram a ser ladeadas pelo desenho geometrizado do estado de São Paulo. Em uma década, ele já era onipresente na paisagem urbana. Havia se tornado um ícone paulista.

A eficiência administrativa de Faria Lima na Prefeitura de São Paulo conferiu-lhe grande prestígio político, até mesmo em nível nacional.

Uma pesquisa realizada no final do seu mandato, em 1969, apontou uma popularidade jamais igualada: 97% dos paulistanos o consideraram bom ou ótimo prefeito.

Apesar de identificado com as diretrizes do governo do presidente Artur da Costa e Silva (1967-69), não se filiou imediatamente à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime da época, criado em abril de 1966, em consequência do AI-2, que, editado em outubro de 1965, extinguiu os partidos políticos existentes e abriu caminho para o bipartidarismo no País. Considerado, ao lado do senador Carvalho Pinto e do governador Abreu Sodré, uma das três maiores forças políticas do Estado, só filiou-se à Arena em maio de 1968.

Deixou a prefeitura no dia 8 de abril de 1969 e foi substituído pelo empresário e ex-diretor da Associação Comercial de São Paulo, Paulo Salim Maluf, nomeado pelo governador Abreu Sodré.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 4 de setembro de 1969, quase um ano antes das eleições a que pretendia concorrer.
(Fonte: www.cepam.sp.gov.br)

Fontes e sites consultados
FARIA LIMA, José Roberto. O eterno prefeito de São Paulo. (Texto).
LIMA, Faria. In: FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Dicionário histórico-biográfico brasileiro: 1930-1983. Rio de Janeiro, Forense-Universitária; FGV/CPDOC; Finep, 1984. v.3, p.1.840-1.841.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Vicente_de_Faria_Lima

Centro de Estudos de Desigualdades Sócio-Territoriais – Cedest
www.cedest.info/Desejos.pdf

Cidade de São Paulo. Evolução do Sistema Viário
http://zrak7.ifrance.com/sp-sv.pdf

Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô)
www.metro.sp.gov.br/empresa/historia/azul/historia.shtml

Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação (Prodam)
www.prodam.sp.gov.br/sitio/prefeit.htm

Museu de Arte de são Paulo (Masp)
http://masp.uol.com.br/sobreomasp/historico.php

Prefeitura da Cidade de São Paulo
http://ww1.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/organogramas/index.php?p=574

SampaArt
www.sampa.art.br/SAOPAULO/Faria%20Lima.htm

São Paulo Minha Cidade. Mário Lopomo
www.saopaulominhacidade.com.br/list.asp?ID=463

VivaSP.com
www.vivasp.com/texto.asp?tid=1021&sid=11

Powered by Rock Convert
Share.