John Craig Venter, cientista pioneiro do genoma humano liderou corrida pela decodificação do DNA e revolucionou a genômica que ajudou a decodificar o genoma humano
Nos anos 1990, ele criticou a lentidão do Projeto Genoma Humano e foi um dos responsáveis por acelerar a decodificação do genoma humano
John Craig Venter: cientista liderou avanços na decodificação do genoma humano (Crédito da fotografia: cortesia Getty Images/ REPRODUÇÃO)
John Craig Venter (nasceu em 14 de outubro de 1946, em Salt Lake City, Utah – faleceu em 29 de abril de 2026, em San Diego, Califórnia), cientista e empresário, foi um dos protagonistas da corrida para decodificar o genoma humano, foi um dos nomes centrais da genômica moderna e teve papel decisivo na transformação da área em uma ciência baseada em dados e de grande escala.
O cientista ganhou projeção global ao desafiar o Projeto Genoma Humano, iniciativa pública voltada à decodificação do DNA humano. À frente da Celera Genomics, apostou em métodos mais rápidos de sequenciamento, acelerando a corrida científica.
Corrida pelo genoma humano
Em 2000, a Celera e o consórcio público anunciaram conjuntamente as primeiras versões do genoma humano, marco que abriu caminho para avanços no estudo de doenças e da evolução humana.
A disputa ficou marcada pela competição entre o setor público e o privado, além do debate sobre o acesso às informações genéticas.
Antes disso, em 1995, Venter já havia sequenciado o genoma da bactéria Haemophilus influenzae, o primeiro organismo de vida livre a ter seu DNA completamente decodificado.
Ao longo da carreira, também ajudou a desenvolver técnicas que permitiram acelerar a identificação de genes humanos e liderou projetos que resultaram nos primeiros rascunhos do genoma humano.
Avanços em biologia sintética
Além da genômica, Venter teve atuação relevante na criação da biologia sintética. Sua equipe desenvolveu uma célula bacteriana capaz de se replicar controlada por um genoma sintetizado em laboratório, demonstrando que o DNA pode ser projetado digitalmente e aplicado a sistemas vivos.
Ele também liderou projetos de exploração científica em larga escala, incluindo uma expedição global que identificou milhões de novos genes em microrganismos marinhos.
Reconhecimento e legado
Fundador de diversas empresas e instituições científicas, Venter também defendeu a colaboração entre governos, universidades e setor privado como forma de acelerar o avanço da ciência.
Segundo o instituto que leva seu nome, seu trabalho ajudou a redefinir os rumos da genômica e abriu caminho para aplicações práticas na saúde e na biotecnologia.
Antes de se tornar pesquisador, Venter foi paramédico da Marinha dos Estados Unidos no Vietnã, de 1967 a 1968. Depois, tornou-se bacharel em Bioquímica e doutor em Fisiologia e Farmacologia pela Universidade da Califórnia.
Em 1984, Venter começou a trabalhar em um campus dos Institutos Nacionais de Saúde, onde desenvolveu as Expressed Sequence Tags, uma estratégia que consistia em sequenciar apenas partes de genes que já estavam sendo expressos, em vez de sequenciar todo o genoma de uma só vez – o que acelerou a identificação de genes humanos.
Já em 1992, Venter fundou o Instituto de Pesquisa Genômica. Três anos depois, ele e sua equipe decodificaram o genoma do primeiro organismo de vida livre, a bactéria Haemophilus influenzae, utilizando uma técnica de sequenciamento de genoma completo. Em 1998, ele fundou a Celera Genomics para sequenciar o genoma humano por meio de ferramentas e métodos desenvolvidos por sua equipe.
Segundo o jornal The New York Times, na época, o cientista criticou a lentidão do Projeto Genoma Humano, que custava US$ 3 bilhões, e afirmou que poderia entrar tardiamente na disputa e ainda assim vencer, por utilizar um método mais rápido.
As pesquisas da Celera Genomics resultaram na publicação do genoma humano na revista científica Science, em fevereiro de 2001. Ele e sua equipe também sequenciaram os genomas da mosca-da-fruta, do camundongo e do rato.
“Craig acreditava que a ciência avança quando as pessoas estão dispostas a pensar diferente, agir com decisão e construir o que ainda não existe”, afirmou Anders Dale, presidente do instituto. “Sua liderança e visão remodelaram a genômica e ajudaram a impulsionar a biologia sintética.”
John Craig Venter morreu na quarta-feira, 29, aos 79 anos, nos Estados Unidos.
A morte foi confirmada pelo J. Craig Venter Institute (JCVI), instituição fundada por ele. Segundo o comunicado, Venter faleceu em San Diego após uma breve hospitalização causada por efeitos colaterais do tratamento contra um câncer.
“Honraremos seu legado dando continuidade à missão que ele construiu: promover a ciência genômica, defender os investimentos públicos que tornam as descobertas possíveis e estabelecer parcerias amplas para transformar conhecimento em impacto”, disse o presidente da JCVI, Anders Dale, em nota.
(Créditos autorais reservados: https://exame.com/ciencia – CIÊNCIA/ por Vanessa Loiola/ Redatora – 30 de abril de 2026)
(Créditos autorais reservados: https://www.terra.com.br/byte/ciencia – Estadão conteúdo/ BYTE/ CIÊNCIA/ Por: Geovanna Hora – 30 abr 2026)

