Henri-Georges Clouzot, foi um dos mais célebres diretores do cinema europeu nos anos 40 e 50, mestre francês do cinema de suspense, era frequentemente comparado a Alfred Hitchcock

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Henri-Georges Clouzot, escreveu ou reescreveu os roteiros da maioria de seus filmes; Mestre francês do filme de suspense

 

 

Henri-Georges Clouzot (nasceu em Poitou-Charentes, Niort, em 20 de novembro de 1907 — faleceu em Paris, em 12 de janeiro de 1977), cineasta francês, foi um dos mais célebres diretores do cinema europeu nos anos 40 e 50.

Nascido em Niort, em novembro de 1907, Clouzot teve os primeiros contatos com o cinema como crítico do jornal Paris Midi.

Em 1931, começou a trabalhar como assistente de direção, mas seu precário estado de saúde (esteve internado de 1934 a 1938 num sanatório suíço) limitou suas funções à de roteirista.

Depois de receber alta e de ter escrito ótimos scripts, rodados por outros cineastas, estreou na direção de longas-metragens, como “L’Assassin Habite au 21”, em 1942, e no ano seguinte, com “O Corvo”, apresentou um retrato tão virulento da vida na província francesa que valeu ao filme críticas de “antinacional” – reforçadas pelo fato de ter sido produzido por uma companhia controlada por nazistas.

Boicotado pelos estúdios franceses após o fim da guerra, só em 1947 Clouzot conseguiria realizar “Quai des Orfèvres”, um filme policial. Seu êxito maior, porém, viria com a Palma de Ouro em 1953 pelo filme “O Salário do Medo”, estrelado por Yves Montand.

Com o “Mistério Picasso” (1956), um documentário sobre os trabalhos e a personalidade do consagrado pintor, Clouzot mostraria seu talento em outras modalidades cinematográficas.

Problemas cardíacos e pulmonares sempre o acompanharam e depois da morte de sua segunda esposa, a brasileira Vera Amado Clouzot, em dezembro de 1960, ele foi acometido também de violentas depressões nervosas que o levaram a tentar o suicídio várias vezes.

Em 1950 visitou o Brasil, onde pretendia fazer um documentário, “Brasil” que ficou inacabado, transformando-se no livro “Le Cheval des Dieux”. Apesar de ser considerado um dos diretores de maior prestígio e popularidade dos anos 50, Clouzot não realizou mais que uma dúzia de filmes em seus trinta anos de carreira.

Henri-Georges Clouzot, o mestre francês do cinema de suspense, era frequentemente comparado a Alfred Hitchcock e, de fato, acreditava-se que o Sr. Hitchcock buscava um rival quando fez um filme, “Vertigo”, baseado no tema de “Diabolique” — sobre um plano para destruir uma mulher fazendo-a acreditar que está louca.

A palavra autor, usada para designar o criador de um filme, descrevia Clouzot melhor do que a maioria dos diretores, pois ele escreveu ou reescreveu os roteiros da maioria de seus filmes. Entre eles, estavam triunfos do gênero suspense como “Diabolique” (1954) e “O Salário do Medo” (1952).

Acúmulo de tensão

Um tipo diferente de tensão marcou o inesquecível “O Salário do Medo”, que acompanha dois andarilhos dirigindo caminhões carregados de nitroglicerina por terrenos montanhosos na América do Sul. Quando o filme, que ganhou o grande prêmio em Cannes em 1953, foi exibido aqui, Bosley Crowther escreveu: “Raramente experimentamos uma jornada como essa e um acúmulo de tensão nervosa tão brilhantemente desenvolvido neste filme.”

Com um olho, talvez, nas bilheterias, o Sr. Clouzot proibiu o acesso do público aos seus estúdios durante as filmagens de alguns de seus filmes de suspense, explicando que não queria revelar o final.

Ao explicar o tom comum da maioria de seus filmes, ele disse: “O diretor é sempre seu próprio espectador em primeiro lugar, e quando sou espectador, preciso sentir suspense.”

Fragmentos da Vida

Um homem baixo, atarracado e moreno, com um olhar tenso sob sobrancelhas espessas, o Sr. Clouzot disse que muitos de seus recursos narrativos eram fragmentos lembrados da vida: um andarilho pelo Brasil, a imagem de papéis caindo em uma sepultura (em “O Corvo”), o clique de uma máquina de escrever em uma delegacia de polícia (“Jenny Lamour”).

O filme “Manon”, disse ele, foi inspirado pela visão de um trem superlotado logo após a Libertação da França, e pela ideia de uma cena de amor encenada silenciosamente ao som do apito do trem. Há uma diferença em relação a Hitchcock, no entanto, no fato de que os filmes de Clouzot tendiam a ser um pouco mais conscientes da sociedade.

Não há filmes policiais felizes

“O Corvo” aborda os estragos causados ​​por um escritor de cartas maldosas em uma vila francesa, e “Jenny Lamour” e outras histórias policiais de Clouzot são mais fortes na construção dos personagens do que na violência.

“Eu sei que preciso mostrar o lado negro dos homens, assim como o lado bom”, explicou ele. “Não gosto de filmes policiais com tom alegre. Brincar com a morte é trapacear, e isso é indecente.”

Seus filmes ajudaram a trazer fama a Brigitte Bardot (em “A Verdade”) e novos tipos de papéis para Yves Montand (como o caminhoneiro em “O Salário do Medo”) e Louis Jouvet (como o detetive em vários filmes).

O Sr. Clouzot, que nasceu em Niort, no oeste da França, estudou direito, depois tornou-se jornalista em Paris, antes de se dedicar ao cinema. Isso aconteceu quando conheceu Anatole Litvak, o diretor, e se tornou seu assistente.

Ganhou importantes prêmios

Seu estilo próprio e a ênfase nos detalhes rapidamente deixaram sua marca. Ele observou certa vez que uma única cena justificava todo o filme “Jenny Lamour” — um policial e um criminoso caminhando algemados por um corredor, “sem que seja possível dizer com certeza quem é o criminoso e quem é o policial”.

O Sr. Clouzot ganhou importantes prêmios em Veneza e Cannes, e um prêmio especial em Cannes pelo documentário “Le Mystère Picasso”. Entre seus outros filmes estão “The Murderer Lives at No. 21” e “Miquette”.

Clouzot morreu na noite de quarta-feira 12 de janeiro de 1977, aos 69 anos, de um enfarte, em Paris, França.

Ele deixa a esposa, Inez de Gonzales Clouzot, com quem se casou em 1965. Sua primeira esposa, Vera, que contracenou com Simone Signoret em “Diabolique”, faleceu em 1963.

(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1977/01/14/archives — New York Times/ ARQUIVOS/ Arquivos do The New York Times/ Por John L. Hess — 14 de janeiro de 1977)

Sobre o Arquivo
Esta é uma versão digitalizada de um artigo do arquivo impresso do The Times, anterior ao início da publicação online em 1996. Para preservar esses artigos como foram originalmente publicados, o The Times não os altera, edita ou atualiza.
Ocasionalmente, o processo de digitalização introduz erros de transcrição ou outros problemas; continuamos a trabalhar para melhorar estas versões arquivadas.
©  2009  The New York Times Company

(Fonte: Revista Veja, 19 de janeiro de 1977 — Edição 437 — DATAS — Pág; 76)

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